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PMDB avalia liberar voto contra Dilma no Congresso

Documentado será apresentado neste sábado, na convenção nacional do partido, e conta com o aval do vice-presidente da República, Michel Temer

- Atualizado em

O vice-presidente Michel Temer, em Brasília após reunião com a presidente Dilma Rousseff - 09/12/2015
Articulação da ala oposicionista do PMDB conta com o aval do vice-presidente, Michel Temer(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Com aval do vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (RR) e parte da ala oposicionista do PMDB na Câmara costuram um documento que defende a liberação dos membros do partido na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff e de todas as matérias que a legenda decida por não fechar questão, inclusive as da pauta econômica.

O documento será apresentado na convenção nacional do partido, que acontecerá neste sábado, e aparece como uma alternativa mais branda à proposta de desembarque imediato do governo, defendida pela ala mais radical da legenda e que vem crescendo conforme a data da convenção se aproxima.

Deputados da ala oposicionista estiveram na tarde desta quarta-feira com Temer, presidente nacional do PMDB. Disseram, contudo, que não chegaram a abordar o assunto. A previsão era de que se reunissem com um emissário do vice-presidente da República ainda na noite desta quarta-feira para fechar a redação do texto - a cargo do deputado Osmar Terra (RS). Romero Jucá também esteve nesta quarta no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer.

Um dia antes, seis peemedebistas antigoverno estiveram com Renan. De acordo com um deles, o presidente do Senado se disse preocupado com a situação atual do país, mas defendeu que este não é o momento de rompimento. "Radicalizamos, mas temos consciência de que é difícil chegar [à aprovação do desembarque]. Vamos trabalhar por uma nota de independência. Entendo isso como um passo para o desembarque", disse Darcísio Perondi (RS), um dos articuladores do documento.

A saída alternativa não é consenso. Parte da sigla ainda defende o rompimento imediato com o governo federal, com a entrega de cargos e ministérios. "Não existe meio grávida ou meio virgem. Ou se está no governo ou não. Não se consegue construir uma candidatura ocupando cargo. É hora de o PMDB tomar posição. Não somos sócios da crise e o PT quer que a gente assuma este papel", afirmou Lúcio Vieira Lima (BA). No Senado, Valdir Raupp (RO), também defende a entrega de todos os cargos.

A ala antigoverno contabiliza que dez Estados já aderiram à chamada Carta de Porto Alegre, que pede o rompimento total com o governo. Os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Bahia, Acre, Rondônia, Roraima e Espírito Santo, juntos, contabilizam 241 dos 655 votos. Eles acreditam que também têm parte dos votos em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Paraíba e Sergipe, que concentram 172 votos.

Segundo interlocutores de Temer, o diretório de São Paulo pode ser liberado pelo vice-presidente para apoiar oficialmente o rompimento. Mas os peemedebistas paulistas negam estar envolvidos em qualquer conversa com Temer. O presidente do PMDB-SP, Baleia Rossi, tem dito a interlocutores que tem posição mais amena, condizente com a linha defendida no documento em gestação.

Ainda não há previsão de que nenhum documento seja votado na convenção. No entanto parlamentares defendem sua apresentação ao menos como demonstração de posição política e um sinal de que os parlamentares da sigla podem vir a apoiar o impeachment da presidente.

(Com Estadão Conteúdo)

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