Crime organizado

PF acusa general angolano de tráfico de mulheres

Justiça concedeu a prisão do general Bento dos Santos Kangamba, caso ele desembarque no Brasil, e incluiu seu nome e o de comparsa na lista da Interpol

Bento dos Santos Kangamba, general de Angola, é acusado pela Polícia Federal brasileira de tráfico de mulheres

Bento dos Santos Kangamba, general de Angola, é acusado pela Polícia Federal brasileira de tráfico de mulheres (Divulgação PF/VEJA)

A Polícia Federal (PF) acusa um parente do presidente de Angola de chefiar um esquema internacional de tráfico de mulheres do Brasil para África do Sul, Portugal, Angola e Áustria. Na Operação Garina, deflagrada nesta quinta-feira, a PF pediu e a Justiça concedeu a prisão do general Bento dos Santos Kangamba, caso ele desembarque no Brasil, e incluiu seu nome e o de um comparsa na lista de procurados da Interpol.

Chamado de "tio Bento" ou "tio Chico" pelos integrantes da quadrilha, o general é casado com uma sobrinha do presidente de Angola, José Eduardo Santos, no cargo desde 1979. O general é dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), mesmo partido do presidente, e tem influência no governo por meio de sua mulher, uma filha de Avelino dos Santos, irmão do presidente.

Presidente do grupo Kabuscorp, um complexo industrial com sede em Angola, o general também é influente no mundo dos negócios. Kangamba é o maior patrocinador do Vitória Sport Clube, da primeira divisão de Portugal, e possui um time de futebol no país africano. Duas atividades usadas na lavagem de dinheiro do crime organizado.

O braço do esquema do general no Brasil é Wellington Eduardo Santos de Sousa, que a PF identificou nos relatórios de inteligência como Latino, um ex-pagodeiro da banda Desejos.

Em um ano de investigação, a PF descobriu que a quadrilha aliciava mulheres em casas noturnas paulistanas no bairro de Indianópolis, Zona Sul de São Paulo, mediante promessa de pagamento de 10 000 dólares para se prostituírem pelo período de uma semana para clientes de elevado poder econômico. Modelos de capas de revistas masculinas e que participavam de programas de TV receberam até 100 000 dólares para se relacionar sexualmente com o general.

Há fortes indícios de que parte das vítimas foi privada temporariamente de sua liberdade no exterior e obrigada a manter relações sexuais sem preservativos com clientes estrangeiros. Para essas vítimas, os criminosos ofereciam um falso coquetel de drogas antiaids. Foram cumpridos ontem dezesseis mandados judiciais: cinco de prisão e onze de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, São Bernardo, Cotia e Guarulhos. A PF apreendeu onze carros de luxo, 23 passaportes, nove cópias de passaportes, catorze pedidos de visto para Angola, moeda estrangeira e drogas.

Segundo a PF, a organização movimentou 45 milhões de dólares com o tráfico internacional de mulheres desde 2007.

Fortuna - O enriquecimento da família do presidente de Angola tem sido noticiado em todo o mundo. A filha do presidente, Isabel dos Santos, foi apontada pela revista americana Forbes como a mulher mais rica e poderosa da África. A revista noticiou que a fortuna tem origem em corrupção: ela fica com uma parte de empresas que querem estabelecer-se em Angola e recebe comissão em troca da assinatura do pai numa lei ou decreto.

Em julho, a imprensa de Portugal noticiou que Kangamba comprou uma casa de 12 milhões de euros nos arredores de Madri, no mesmo condomínio em que mora o jogador de futebol Cristiano Ronaldo. O nome da operação, Garina, significa menina na gíria de Angola. A Embaixada de Angola no Brasil foi procurada, mas não se manifestou.

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(Com Estadão Conteúdo)

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