Mais Lidas

  1. Morte no Everest: 'Você se importa se eu continuar?'

    Mundo

    Morte no Everest: 'Você se importa se eu continuar?'

  2. Janaina Paschoal: rotina de isolamento pós-impeachment

    Brasil

    Janaina Paschoal: rotina de isolamento pós-impeachment

  3. Sônia Abrão pede desculpas por sair correndo do programa

    Entretenimento

    Sônia Abrão pede desculpas por sair correndo do programa

  4. Estupro de jovem de 16 anos no Rio "está provado", diz delegada

    Brasil

    Estupro de jovem de 16 anos no Rio "está provado", diz delegada

  5. Japão: Pais abandonam filho na floresta para castigá-lo e criança desaparece

    Mundo

    Japão: Pais abandonam filho na floresta para castigá-lo e criança...

  6. Lewandowski interferiu em processo para ajudar o PT e a presidente Dilma

    Brasil

    Lewandowski interferiu em processo para ajudar o PT e a presidente...

  7. Bumlai diz que fez empréstimo fraudulento para PT por medo de invasão de terras

    Brasil

    Bumlai diz que fez empréstimo fraudulento para PT por medo de...

  8. Renan Ribeiro, do 'The Voice', morre em acidente de carro

    Entretenimento

    Renan Ribeiro, do 'The Voice', morre em acidente de carro

Para salvar Lula de Moro, governo Dilma está perto de anunciar superministério para o ex-presidente

O anúncio só não foi feito ainda porque advogados petistas estudam se Dilma pode ser acusada de obstruir a Justiça, uma vez que Lula é alvo da Lava Jato

- Atualizado em

A Presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010
Uma mão lava a outra: agora, a criatura Dilma pode salvar o criador Lula arranjando um cargo para ele em seu governo (VEJA.com/Divulgação)

As manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, consideradas as maiores da história, e a decisão da Justiça de São Paulo de transferir para o juiz Sérgio Moro o veredicto sobre o pedido de prisão feito pelo Ministério Público Estadual aumentaram as chances de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir um posto na Esplanada. Lula ainda não comunicou oficialmente sua decisão, mas tanto o PT quanto o Palácio do Planalto dão como certo que o ex-presidente ocupará uma espécie de superministério, a ser criado sob medida para ele.

A reviravolta no núcleo do governo é vista como o último lance para evitar a queda de Dilma, ainda que o poder dela seja desidratado por esse novo arranjo. Até agora, a tendência é de que o ex-presidente assuma a Secretaria de Governo, hoje controlada por Ricardo Berzoini. Segundo apurou a reportagem, porém, a pasta será reformulada e dará a Lula poderes de interlocução com o Congresso e com os movimentos sociais. Por esse acerto, ele comandaria a estratégia do enfrentamento à oposição nas ruas e na política.

A ida de Lula para a equipe de Dilma só não foi anunciada ainda porque o governo e advogados do ex-presidente estudam se não há empecilho jurídico para a posse. O cuidado ocorre para que Dilma não seja acusada de obstruir a Justiça, uma vez que Lula é alvo da Lava Jato.

No governo, o ex-presidente ganha prerrogativa de foro privilegiado. Isso significa que, em caso de denúncia, a ação tem de ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal, saindo da alçada de Moro, considerado implacável com investigados pela Lava Jato. Nesta segunda-feira, a juíza Maria Priscilla Ernandes, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, transferiu para Moro a decisão sobre a denúncia e o pedido de prisão preventiva de Lula, apresentados pelo Ministério Público paulista no caso do tríplex do Guarujá. A defesa do ex-presidente vai recorrer.

Reconfiguração - Lula viaja na noite desta terça-feira, 15, para Brasília e deve se encontrar com Dilma nesta quarta-feira para bater o martelo sobre o assunto. Segundo seus aliados, Lula rejeitou a Casa Civil nos moldes em que o ministério funciona hoje por considerar que a pasta tem muitas atribuições administrativas. Essa pasta teria de passar por uma reconfiguração para ele aceitar, transferindo as atribuições administrativas para outra pasta.

Caso aceite o convite para integrar o governo, Lula terá a tarefa de reunificar as bases parlamentar e social de Dilma para tentar barrar o impeachment da presidente. Ele tem dito que isso só será possível se houver um redirecionamento da política econômica do governo.

Em conversa por telefone com Dilma, no fim da tarde de segunda-feira, Lula disse a ela que resistiu muito sobre a ida para o governo para não passar a ideia de que aceitara um cargo com o objetivo de obter foro privilegiado. Mudou de ideia, porém, após os protestos de domingo, que tiveram como alvo ele próprio, a presidente e o PT.

"Eu quero ajudar a salvar o nosso projeto", afirmou Lula, segundo um amigo dele que esteve segunda à noite no Planalto, para acertar detalhes sobre as novas funções do ex-presidente. "É fato que nós o pressionamos muito. Ele não topava, mas hoje (ontem) me disse: 'Tem uma hora em que a guerra se torna tão difícil que precisamos agir rápido'."

No modelo sob análise, a principal missão de Lula será estancar a debandada do PMDB, principal partido da base aliada, e segurar os outros partidos que ainda apoiam o governo. Em convenção no sábado, o PMDB fixou prazo de 30 dias para resolver se abandona Dilma. Foi uma espécie de aviso prévio para uma decisão praticamente tomada.

Berzoini, nesse organograma, viraria secretário executivo do ministério que hoje comanda. Dilma também ofereceu a Lula a Casa Civil, mas ele não quer assumir essa pasta. Em conversas reservadas, o ex-presidente disse que a Casa Civil tem muito poder e que, ocupando esse cargo, seria considerado primeiro-ministro, constrangendo Dilma. "Se Lula vier, seguramente será para cuidar do que mais conhece, que é a política", declarou o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner.

(Com Estadão Conteúdo)

TAGs:
Dilma Rousseff
Lula