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Oposição cobra renúncia de Dilma Rousseff após declarações de Delcídio

Em delação ainda não homologada no Supremo, senador prometeu revelar detalhes do envolvimento de Dilma e Lula no petrolão

Por: Marcela Mattos, de Brasília - Atualizado em

Financiamento: Dilma pediu explicações aos assessores e ouviu que tudo foi feito “dentro da lei”
Presidente Dilma Rousseff foi citada em depoimento do mais novo delator, Delcídio do Amaral, aos procuradores da Lava Jato(Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

As explosivas declarações do senador e ex-líder do governo Delcídio do Amaral (afastado do PT-MS) tomou conta das discussões do plenário da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira. Aos procuradores da Lava Jato, o petista, que até o ano passado era o porta-voz do Planalto no Senado, acusou a presidente Dilma Rousseff de entrar em campo para sabotar a Operação Lava Jato. Delcídio afirmou ainda que ela tinha "pleno conhecimento" de todo o processo de aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas, responsável por um prejuízo de 792 milhões de dólares aos cofres da Petrobras. Com as revelações, parlamentares opositores reivindicam a imediata renúncia de Dilma da presidência da República.

Parte dos documentos que detalham o que pode constar na delação de Delcídio foi divulgada nesta quinta-feira pela revista Isto É. O senador acusou a presidente Dilma de atuar três vezes para interferir nas investigações do petrolão por meio do Judiciário. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação", afirmou Delcídio, segundo a revista. Uma das investidas da presidente Dilma, segundo Delcídio, passava pela nomeação do desembargador Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para agir pela soltura de empreiteiros.

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"Delcídio não tem credibilidade", afirma Cardozo

"O governo Dilma acabou, apodreceu, e não pode mais continuar nem um dia. Nós estamos vendo aqui o governo mais corrupto da história do Brasil. Não é mais possível imaginar que a Presidência da República está entregue a uma pessoa incapaz e que acoberta a corrupção. Não é possível que continue da mesma forma. Não há outro caminho do que a renúncia para que o país possa se reencontrar. Por isso, Dilma, renuncie, saia daí", afirmou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).

No documento preliminar de delação, Delcídio também implicou o ex-presidente Lula e, conforme a revista Isto É, disse que o petista tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras e também interferiu nas investigações da Polícia Federal.

"Alguém que conhece as entranhas do poder afirma que essas duas figuras do governo petista tentaram obstruir os trabalhos da Justiça. Esse fato merece de todos nós uma afirmação muito forte para dizer que esse governo não tem a mínima condição de continuar à frente do país. É inaceitável tal situação", disse o deputado Betinho Gomes (PE), vice-líder do PSDB. "Presidente Dilma, reconheça, tenha humildade, finalmente, de dizer ao povo brasileiro que não há condição da senhora ficar à frente do país. É hora de reunir as forças políticas para tirar o país dessa situação e seguir o caminho por duas vias: ou por seu impeachment ou por sua renúncia. Faça um bem à nação brasileira", continuou o tucano.

No Senado, os parlamentares também pressionaram Dilma. "Temos de reconhecer que a delação do senador Delcídio, o principal representante do governo no Parlamento, sinalizou para tudo aquilo que se suspeitava, mas que ainda não havia um relato tão claro e influente. Dilma não pode ficar nem mais um minuto na Presidência. E a Justiça precisa agir no caso de Lula, que participou da mesma obstrução às investigações que levou à prisão do senador", disse o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO).

"A casa, ou melhor, o Palácio do Planalto caiu. As declarações do senador são estarrecedoras e esquadrinham de forma didática como foi a ação do governo e do círculo mais influente do PT na tentativa de sabotar a Operação Lava Jato. Delcídio sempre foi um político influente no governo e cortejado no Senado por membros da Casa e representantes da sociedade. Essa condição favoreceu sua presença em ambientes onde se arquitetaram ações não republicanas e também contribuiu para que soubesse muito a respeito de muitos", disse o senador Paulo Bauer (SC), vice-líder do PSDB.

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