O drama das vítimas
O dia em que Palmares virou mar
Moradores contam o terror do alagamento que destruiu a cidade
Marina Dias, de Palmares
Cratera aberta na avenida principal de Palmares, em Pernambuco. (Marina Dias)
"Palmares não existe mais como cidade", lamentava o gerente de supermercado Geraldo Francisco de Oliveira, de cabeça baixa.
"Parecia que eu estava no Haiti". Os olhos do advogado Severino Gomes não param de percorrer o escritório completamente destruído pela enchente que na última sexta, dia 18, atingiu a cidade de Palmares, na zona da Mata pernambucana, a 128 quilômetros de Recife. A água subiu mais de 10 metros com o transbordamento dos rios Una e Pirangi, que cortam a cidade. "Em menos de quatro horas, a cidade estava tomada pela água. Perdi tudo. Acho que serão mais de 50 mil reais de prejuízo", lamenta Gomes.
A avenida principal.
Geraldo Francisco de Oliveira, 46 anos, diz que nunca em sua vida viu uma situação como essa em Palmares. Ele ainda tentou salvar a mercadoria do supermercado onde trabalha como gerente, "levando o estoque para o primeiro andar do prédio". Mas não adiantou. A enxurrada de sexta levou equipamentos de corte de carne e computadores, totalizando um prejuízo de mais de 30 mil reais. "Palmares não existe mais como cidade", lamenta Oliveira, de cabeça baixa.
Comércio saqueado.
Segurança - Diante da situação caótica do centro e das regiões rurais de Palmares, as polícias Civil e Militar de Pernambuco fazem ronda apenas em algumas avenidas principais e nas proximidades da prefeitura e da Igreja Presbiteriana do Brasil. "Estamos aqui para garantir o apoio à segurança da cidade", afirma o major Carneiro, do batalhão da PM.
A presença policial, no entanto, não tem sido suficiente. Durante a noite, quando fica tudo sem luz, a preocupação dos moradores é com os assaltos e saques ao comércio. "O pessoal está sem água, sem casa sem comida", diz o comerciante Glebson Lins, de 26 anos. "Estão saqueando para comer."
Auxílio escasso - Mesmo após cinco dias da enchente, quem mora na parte baixa de Palmares continua desamparado. A ajuda propagandeada pelo Governo Federal ainda não chegou. As poucas doações de alimentos e roupas ficam na região mais alta da cidade, menos atingida pela chuva e com maior facilidade de acesso para os veículos.
Na área mais destruída, praticamente intransitável até mesmo a pé, os moradores ficam sentados em frente ao que restou das casas na esperança de um socorro. Como os hospitais e as escolas também estão tomados pela água, quem perdeu a moradia recorre a familiares e amigos da região menos afetada.
Em todo o estado de Pernambuco, 15 mortes foram confirmadas até o momento em decorrência da inundação. De acordo com a Defesa Civil, mais de 40.000 pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas por causa das chuvas – destas, 24.552 foram acolhidas por parentes ou amigos, outros 17.808 estão desabrigados e dependem de abrigos da prefeitura e do estado.
Cenas de destruição em Palmares: sem perspectivas de recuperação.



Comentários
luan
como ficam as pessoas que moram na parte mas baixa e não tem como teracesso a alimentação nem abrigo
30.06.2010
Yana
O cheiro é insuportável...o lixo ainda estam espelhados,que esse "prometido"dinheiro CHEGUE logo!
28.06.2010
Aline
É em Palmares que se passa a ação de um dos maiores livros da literatura contemporânea brasileira, "O Romance da Besta Fubana", resenhado pela Veja na época do lançamento, da autoria do escritor palmarense Luiz Berto.
28.06.2010