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23/06/2010 - 07:13
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O drama das vítimas

O dia em que Palmares virou mar

Moradores contam o terror do alagamento que destruiu a cidade

Marina Dias, de Palmares
Cratera aberta na avenida principal de Palmares, em Pernambuco.

Cratera aberta na avenida principal de Palmares, em Pernambuco. (Marina Dias)

"Palmares não existe mais como cidade", lamentava o gerente de supermercado Geraldo Francisco de Oliveira, de cabeça baixa.

"Parecia que eu estava no Haiti". Os olhos do advogado Severino Gomes não param de percorrer o escritório completamente destruído pela enchente que na última sexta, dia 18, atingiu a cidade de Palmares, na zona da Mata pernambucana, a 128 quilômetros de Recife. A água subiu mais de 10 metros com o transbordamento dos rios Una e Pirangi, que cortam a cidade. "Em menos de quatro horas, a cidade estava tomada pela água. Perdi tudo. Acho que serão mais de 50 mil reais de prejuízo", lamenta Gomes.
 

Marina Dias

A avenida principal.

A avenida principal.

O drama do advogado é o mesmo de milhares de pessoas que possuem casa ou comércio na parte baixa de Palmares, região mais atingida. A parte central da cidade foi tomada pela lama, as construções estão destruídas, móveis e roupas se espalham pelas ruas onde não há abastecimento de água nem energia elétrica há cinco dias. No rosto dos moradoers, olhares desesperados percorrem o rastro de destruição.
 
Geraldo Francisco de Oliveira, 46 anos, diz que nunca em sua vida viu uma situação como essa em Palmares. Ele ainda tentou salvar a mercadoria do supermercado onde trabalha como gerente, "levando o estoque para o primeiro andar do prédio". Mas não adiantou. A enxurrada de sexta levou equipamentos de corte de carne e computadores, totalizando um prejuízo de mais de 30 mil reais. "Palmares não existe mais como cidade", lamenta Oliveira, de cabeça baixa.
 

Marina Dias

Comércio saqueado.

Comércio saqueado.

Segurança - Diante da situação caótica do centro e das regiões rurais de Palmares, as polícias Civil e Militar de Pernambuco fazem ronda apenas em algumas avenidas principais e nas proximidades da prefeitura e da Igreja Presbiteriana do Brasil. "Estamos aqui para garantir o apoio à segurança da cidade", afirma o major Carneiro, do batalhão da PM.
 
A presença policial, no entanto, não tem sido suficiente. Durante a noite, quando fica tudo sem luz, a preocupação dos moradores é com os assaltos e saques ao comércio. "O pessoal está sem água, sem casa sem comida", diz o comerciante Glebson Lins, de 26 anos. "Estão saqueando para comer."
 
Auxílio escasso - Mesmo após cinco dias da enchente, quem mora na parte baixa de Palmares continua desamparado. A ajuda propagandeada pelo Governo Federal ainda não chegou. As poucas doações de alimentos e roupas ficam na região mais alta da cidade, menos atingida pela chuva e com maior facilidade de acesso para os veículos.
 
Na área mais destruída, praticamente intransitável até mesmo a pé, os moradores ficam sentados em frente ao que restou das casas na esperança de um socorro. Como os hospitais e as escolas também estão tomados pela água, quem perdeu a moradia recorre a familiares e amigos da região menos afetada.
 
Em todo o estado de Pernambuco, 15 mortes foram confirmadas até o momento em decorrência da inundação. De acordo com a Defesa Civil, mais de 40.000 pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas por causa das chuvas – destas, 24.552 foram acolhidas por parentes ou amigos, outros 17.808 estão desabrigados e dependem de abrigos da prefeitura e do estado.
 

Marina Dias

Cenas de destruição em Palmares: sem perspectivas de recuperação.

Cenas de destruição em Palmares: sem perspectivas de recuperação.

Comentários


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luan

como ficam as pessoas que moram na parte mas baixa e não tem como teracesso a alimentação nem abrigo

30.06.2010

Yana

O cheiro é insuportável...o lixo ainda estam espelhados,que esse "prometido"dinheiro CHEGUE logo!

28.06.2010

Aline

É em Palmares que se passa a ação de um dos maiores livros da literatura contemporânea brasileira, "O Romance da Besta Fubana", resenhado pela Veja na época do lançamento, da autoria do escritor palmarense Luiz Berto.

28.06.2010

 

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