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Novos vereadores prometem trabalho e oposição
13/10/2008 16:28
Por André Pontes
Dos 55 vereadores eleitos no último dia 5 de outubro, onze irão compor a bancada na Câmara Municipal pela primeira vez no próximo ano. Desconhecidos ou do bloco dos candidatos-celebridades, os novos vereadores da capital paulista prometem pulso firme se forem oposição ao próximo prefeito. Enquanto uns pensam em cumprir o que prometeram durante a campanha, outros já pensam em vôos mais altos, como o Senado em 2010.
O candidato mais votado foi o ex-secretário da Educação do estado de São Paulo Gabriel Chalita (PSDB), que angariou 102.048 votos. "Fiz uma campanha muito propositiva. Sou professor e consegui, com isso, atingir um público de jovens universitários", explica Chalita. Apesar do alto número de eleitores, o tucano afirma que vai cumprir os quatro anos de mandato na Câmara e que não pensa em ser senador ou secretário da próxima prefeitura. "Eu já fui secretário e agora quero ficar na Câmara. O meu projeto é servir a Câmara", disse Chalita.
Com 84.406 votos, José de Paula Neto (PC do B), o cantor e apresentador Netinho de Paula, foi o terceiro candidato mais votado nessas eleições. Netinho não acredita que foi eleito por ser uma celebridade, mas sim por conta de seus projetos nas comunidades carentes. "Nós tivemos vários outros cantores e famosos que não conseguiram se eleger. O que prevaleceu na minha candidatura foi o trabalho prestado para comunidades carentes. Há seis anos, eu passo duas horas aos domingos visitando favelas", disse Netinho.
O vereador eleito, porém, já pensa em subir de patamar e quem sabe virar senador em 2010. "O Senado sempre foi um sonho. Me filiei ao PC do B para fazer uma composição política para 2010. Os votos que recebi me credenciam para o Senado. Se eu desempenhar um bom papel nestes dois primeiros anos de Câmara, eu vou aproveitar esses votos para o Senado em 2010", afirmou Netinho.
Já Sandra Tadeu (DEM), eleita com 25.173 votos, afirmou que não deixará de cumprir os quatro anos de mandato. "Meu lugar é no legislativo. Fui votada para isto. Executivo só se eu for prefeita. Só se eu tiver uma caneta para assinar como mandante", disse Sandra.
Seja quem for o novo prefeito de São Paulo, ele desfrutará do apoio de boa parte dos vereadores. Caso a eleita seja Marta Suplicy (PT), ela terá ao seu lado a maior bancada. Sua coligação elegeu 16 vereadores. Em seguida está a de seu concorrente, Gilberto Kassab (DEM), cuja coligação elegeu 14 nomes.
"Com o partido apoiando o Kassab, eu vou passar a declarar o meu voto para ele. Caso a Marta venha a vencer, eu vou tentar ter uma boa relação com ela. Eu não destruiria projetos bons para o município. Durante a eleição você tem um lado, depois dela o seu lado passa a ser perto do povo", disse Gabriel Chalita.
Já o ex-secretário de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura de São Paulo e agora eleito vereador, Floriano Pesaro (PSDB), prometeu fazer uma oposição duríssima, em caso de vitória da petista. "Sem nenhuma dúvida, eu votarei no Kassab. A Marta seria um retrocesso imenso para a cidade. A gestão dela foi um desastre. Se a Marta ganhar, eu serei um vereador de oposição duro e firme. Mas, de maneira nenhuma, vou ferir o interesse público. Serei um oposicionista do PSDB. Ataco quando tem que atacar e defendo quando o interesse público está em jogo", disse Pesaro.
O vereador Netinho de Paula, por sua vez, coligado ao PT afirmou que não terá problemas em caso de vitória de Gilberto Kassab. "Tenho uma relação cordial com o prefeito. Nós não somos inimigos, somos adversários políticos. Acredito que a Marta mereça vencer, mas caso não vença, serei o mesmo", afirmou Netinho.
A democrata Sandra Tadeu concorda com Netinho de Paula e contou que não é inimiga de seus adversários e que não mudará nada em seu trabalho caso a petista Marta Suplicy vença as eleições. "Meu trabalho seria o mesmo. Tenho as minhas idéias e meu trabalho com a saúde. Independentemente do Kassab, o meu trabalho será o mesmo", disse a ex-vereadora de Guarulhos, na Grande São Paulo. Sandra explica que conseguiu se eleger na capital paulista, apesar de ser de outra cidade, por ser mulher do deputado federal Tadeu Mudalen, fazer trabalhos políticos nas zonas norte e leste do município e fazer parte da Igreja Internacional da Graça de Deus.
Juliana Cardoso (PT), que se candidatou neste ano pela primeira vez e obteve 30.607 votos, afirmou que sua campanha foi realizada nas bases e que foram cinco meses de trabalho intenso para angariar esses votos. "Todos os dias eu visitava residências, lideranças comunitárias, entidades e movimentos sociais, e apresentava minhas propostas. Nunca fiz promessas, sempre deixei claro para todos que iria fazer com eles e não para eles, pois a comunidade tem que participar e lutar por aquilo que ela quer", explicou Juliana. "Ser vereadora jovem é uma forma de mostrar para a sociedade que queremos mais oportunidades e que somos capazes. Não vou decepcionar. Não posso decepcionar, pois a juventude está desacreditada da política e a minha votação mostra que ainda há esperança com a renovação", disse a vereadora eleita, de 28 anos.
Outros seis vereadores eleitos vão compor a bancada na Câmara Municipal de São Paulo em 2009 pela primeira vez. São eles: Marcelo Aguiar (PSC), eleito com 41.506; Marco Aurélio Cunha (DEM), eleito com 38.421 votos; José Souza dos Santos (PSDB), eleito com 31.352 votos; Jamil Murad (PC do B), eleito com 28.145; José Luiz de França Penna (PV), eleito com 25.820 votos; e Cláudio Gomes Fonseca (PPS), eleito com 21.038 votos.
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