09/04/2009 - 21:11
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Educação

Novo vestibular vai priorizar o raciocínio

Mais de cinco milhões de jovens se preparam neste ano para o vestibular, etapa crucial na vida de um estudante brasileiro. Em 2010, algo como 1,5 milhão conseguirão ingressar numa universidade - mais gente do que nunca. A novidade é que parte deles não fará o tradicional vestibular, mas será avaliada por meio de outro sistema anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) na semana passada.

Um levantamento feito por VEJA com 51 dos 55 reitores das federais mostra que 48 pretendem adotar o novo modelo. Desses, 25 querem que isso aconteça ainda em 2009. Entre as faculdades particulares, pelo menos 500 também vão aderir já. Isso é 25% do total.

Trata-se da maior mudança já feita no concurso desde 1911, quando ele surgiu no Brasil. Uma verdadeira revolução. Diga-se desde logo: se as intenções forem cumpridas, o novo sistema não prejudicará o mérito. Os melhores alunos continuarão a ser os escolhidos. Mas passarão por um teste mais enxuto e menos voltado para a memorização. Esse teste tem parentesco com o atual Enem, aplicado há uma década pelo MEC a quem conclui o ensino médio - e por isso já é chamado de "novo Enem".

Outra mudança radical é que a prova será unificada. Significa que, com uma única nota, os alunos poderão tentar o ingresso em mais de uma faculdade. Cabe a cada universidade, seja ela pública ou particular, decidir se vai adotar o modelo ou manter o vestibular.

Decoreba - A angústia de quem está às vésperas de disputar uma vaga no ensino superior é justamente saber que rumo dar aos estudos. Como muitas universidades de renome não vão abandonar o vestibular em 2009, a exemplo de Unicamp e USP, será preciso manter o plano de aprendizado atual - mas também exercitar um modelo diverso de raciocínio. A implantação do novo sistema de avaliação do MEC implica numa mudança de filosofia substancial - e, sob muitos aspectos, boa. A prova deixará de exigir dos alunos quantidades colossais de informação para priorizar o raciocínio e a capacidade de solucionar problemas em quatro áreas do conhecimento.

A mudança no vestibular pode, portanto, contribuir para a necessária melhora do ensino médio - e ajudar a livrar as escolas brasileiras da velha cultura da decoreba. É uma prática nos colégios desde o Brasil colônia. Na década de 50, o prêmio Nobel de física Richard Feynman (1918-1988) observou o mesmo durante uma visita ao Brasil para investigar o nível de conhecimento dos alunos às vésperas do vestibular. Feynman ficou assombrado com a quantidade de fórmulas que eles tinham decorado, mas também com a total incompreensão do seu significado. Relatou o fato num livro em que concluiu: entre estudantes do mundo inteiro, os brasileiros eram os que mais estudavam física no ensino médio - e os que menos aprendiam a matéria. Cenário que permanece atual.

Sistema - A consolidação de um sistema nacional de admissão atende às novas necessidades do ensino superior no país, que cresce a cada ano. Apenas nos últimos vinte anos o número de estudantes que passou a tentar ingressar no ensino superior triplicou. Depois de um século, essa será a primeira vez que grande parte dos candidatos não fará mais o velho vestibular.

Leia a reportagem completa em VEJA desta semana (na íntegra somente para assinantes)

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