Tarja Policiais em greve
 
09/02/2012 - 12:39
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Rio de Janeiro

No Rio, o desafio é não repetir Salvador

Assembleia Legislativa aprova projeto de reajuste proposto pelo governo do estado, mas grevistas consideram insuficiente. Grupo pede libertação do cabo Daciolo, preso na noite de quarta-feira quando chegava de salvador. Temor é de recrudescimento do protesto da tarde desta quinta-feira

João Marcello Erthal e Cecília Ritto
Cabo do Corpo de Bombeiros Benevenuto Daciolo, um dos líderes do movimento grevista da corporação em 2011

Cabo do Corpo de Bombeiros Benevenuto Daciolo, um dos líderes do movimento grevista da corporação em 2011 (Eurico Dantas/Agência O Globo)

“O pedido pela soltura e anistia do Daciolo será mais um pré-requisito para acabarmos com a greve. Daciolo é especial para o movimento, mas o que vale são as ideias que ele deixou”, afirma o representantes dos praças da PM, Wagner Luiz

O esvaziamento da greve em Salvador na manhã desta quinta-feira enfraquece a tentativa de nacionalização das reivindicações dos policiais e bombeiros. Como se esperava, os movimentos da vez devem ocorrer no Rio de Janeiro. Para governo do estado e líderes grevistas, não interessa repetir a situação de descontrole e as trapalhadas de parte a parte da capital baiana. O temor, pelo lado dos próprios policiais, é de que a prisão do cabo Benevoluto Daciolo, líder das reivindicações dos bombeiros, seja usada pelas alas mais radicais para transformar a assembleia das 18h, na Cinelândia, em um protesto fora de controle. A consequência provável disso é um racha, com perdas para todos.

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Na manhã desta quinta-feira, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou, em sessão extraordinária, o projeto de lei do Executivo que altera as regras para o reajuste salarial de policiais civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários. A proposta, encaminhada em 1 de fevereiro, estabelece que o reajuste que seria concedido em outubro de 2013 será antecipado para fevereiro do mesmo ano - o que significará um aumento de 26%. E, em fevereiro de 2014, haverá nova reposição salarial equivalente ao dobro da inflação acumulada. A votação durou 15 minutos, e teve placar de 59 votos favoráveis e um contra.

A avaliação dos líderes grevistas, no entanto, é de que o que o estado concede é pouco. E, desde a noite de quarta-feira, com a prisão do cabo bombeiro, os ânimos parecem ter se acirrado. “Pelo lado da Polícia Civil, fizemos de tudo para manter o movimento dentro da legalidade. Mas entendemos que a prisão de Daciolo aumenta a participação e, infelizmente, a revolta. Não esperávamos essa repressão, que tenta colocar os grevistas na condição de bandidos. A greve dificilmente será evitada”, avalia o comissário Fernando Bandeira, líder dos policiais civis.

Daciolo foi preso na noite de quarta-feira, quando desembarcava no Aeroporto Internacional do Galeão/Tom Jobim, vindo da Bahia, onde acompanhava as negociações dos policiais em Salvador. Contra ele, a acusação é de “incitamento e aliciamento a motim” – um crime militar. O cabo foi levado para o Complexo Penitenciário de Bangu e é mantido em uma unidade destinada a criminosos de alta periculosidade. A alegação do secretário de Defesa Civil do Rio, coronel Sérgio Simões, é de que a manutenção do cabo nessas condições visa a evitar uma possível ação de resgate em quartéis, para onde normalmente são levados militares acusados de desvios.

A prisão criou mais um impasse. E confirma o temor do líder da Polícia Civil. Representante dos praças da Polícia Militar do Rio, o policial Wagner Luiz diz que a libertação de Daciolo passou a integrar a pauta de reivindicações. “O pedido pela soltura e anistia do Daciolo será mais um pré-requisito para acabarmos com a greve. Daciolo é especial para o movimento, mas o que vale são as ideias que ele deixou”, afirma, como quem tenta transformar em mártir o bombeiro que, em 2011, viveu situação parecida.

Daciolo liderou a invasão ao Quartel Central dos Bombeiros, no centro do Rio, e, a partir do momento em que foi detido, sua libertação e anistia passou a figurar na pauta principal de reivindicações do grupo. “Quanto mais manifestantes forem presos, mais os adeptos à greve não vão querer o fim da paralisação. Quanto mais repressão, menos diálogo”, diz Wagner Luiz.

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