Morre o ex-presidente Itamar Franco, em São Paulo

As últimas homenagens serão em Minas Gerais, com velórios em Juiz de Fora e Belo Horizonte. O suplente Zezé Perrela (PDT) assumirá a vaga no Senado

Por: Com reportagem de Cecília Ritto e Luciana Marques - Atualizado em

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"Se ele pudesse optar, seria dessa forma: menos pompa e mais afeição"

Custódio de Mattos, prefeito de Juiz de Fora

O ex-presidente Itamar Franco, de 81 anos, morreu na manhã deste sábado, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele foi hospitalizado em 21 de maio, quando os médicos diagnosticaram uma leucemia.

Em nota, o hospital Albert Einstein informou a morte de Itamar após um acidente vascular cerebral. Ele estava na UTI e respirava por meio de aparelhos. A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de sete dias, e anunciou que vai a Belo Horizonte na segunda-feira para as últimas homenagens ao ex-presidente. O corpo de Itamar segue no domingo para Juiz de Fora e será cremado na segunda-feira em Belo Horizonte, depois de velado no Palácio da Liberdade. O suplente Zezé Perrela (PDT) assumirá a vaga no Senado.

A presidente ligou pela manhã para o ex-ministro Henrique Hargreaves, amigo de Itamar, para lamentar a morte do senador, eleito pelo PPS. Dilma ofereceu o Palácio do Planalto para o velório, como é de praxe no falecimento de ex-presidentes. Mas Hargreaves disse que respeitará o desejo de Itamar de ser velado em Juiz de Fora e ter o corpo cremado.

Dilma acompanhou desde o início o tratamento de Itamar no Hospital Israelita Albert Einstein. Ele estava sendo tratado por uma pneumonia decorrente de uma leucemia aguda e faleceu às 10h15 da manhã deste sábado. A presidente escalou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para falar diretamente com o diretor superintendente do hospital, Miguel Cendoroglo Neto. O ministro repassava, então, as informações sobre o estado de saúde do senador para a presidente.

Minas Gerais - O prefeito de Juiz de Fora, Custódio Antônio de Mattos, do PSDB, destacou que a escolha de Minas Gerais para as últimas homenagens a Itamar é uma decisão que segue o estilo do ex-presidente. "Se ele pudesse optar, seria dessa forma: menos pompa e mais afeição", afirma.

O velório transcorrerá durante todo o domingo em Juiz de Fora, terra onde Itamar foi prefeito durante dois mandatos.

"Ele é um ícone da história e deixou uma marca profunda com o Plano Real. Isso traduz o que ele foi durante a vida, um homem corajoso e com grande capacidade intuitiva",a firma Custódio.

O prefeito de Juiz de Fora também destaca a relação de Itamar com Minas Gerais e com a cidade que o iniciou em um cargo político. "Ele cultivava o fato de ser daqui de Juiz de Fora, que sempre foi a sua base afetiva e territorial. Itamar sempre se interessou pela vida política e cultural da cidade e sempre manteve relação de amizade com Juiz de Fora", conta Custódio.

O governador de Minas Gerais, o tucano Antonio Anastasia, que estava em viagem pelo interior do estado, também lamentou o falecimento de Itamar. Em nota, disse que foi uma perda irreparável, sobretudo pelo seu senso político e público. "Um homem que tinha, na realidade, uma vocação inacreditavelmente alta para a política e para fazer o bem. Um homem dedicado, de fato, às grandes causas do seu tempo. Defendeu Minas Gerais de maneira especial, enquanto senador realizou um belo governo à frente do Estado, e como presidente da República será sempre lembrado como aquele que encerrou o ciclo da inflação como autor do Plano Real", afirmou o governador.

Anastasia afirmou ainda que Minas está de luto e que ele, especialmente, perdeu um grande amigo. "Aproximei-me muito do Senador sob o ponto de vista pessoal, tive nele um grande conselheiro. Itamar Franco deixará, permanentemente, na história de Minas, uma página de serviços prestados e a imagem de um homem dedicado, honesto, trabalhador e, sobretudo, sensível às causas sociais, aos mais simples, aos mais pobres", disse o governador.

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