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Moda carioca entra no clima da Rio+20

Paredes do Jockey Club, onde foram montadas as passarelas, ganharam fotografias relacionadas à botânica e ao encontro do corpo com a natureza

Carolina Kasting chega para acompanhar o Fashion Rio no Jockey Club

Carolina Kasting chega para acompanhar o Fashion Rio no Jockey Club (Alex Palarea/AgNews)

Estampas de flores e frutas tropicais, aplicações de pedras e o elemento água ganham espaço nas coleções de verão apresentadas na semana de moda carioca, inspiradas na natureza e marcadas pelo uso de tecidos naturais e artesanais, a menos de um mês da conferência Rio+20. A contagem regressiva para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável despertou a consciência ambiental também no mundo da moda, como mostram os desfiles da 21ª edição do Fashion Rio, que termina neste sábado.

As paredes do Jockey Club, onde foram montadas as passarelas, ganharam fotografias relacionadas à botânica e ao encontro do corpo com a natureza. Ilustrações de plantas, folhagens e flores compõem o cenário que recebe os convidados das 29 grifes participantes. "A intenção é trabalhar a união das pessoas com o meio ambiente", explicou o diretor criativo do evento, Paulo Borges.

A alma ambientalista da moda transpareceu em coleções para o verão de 2013 como a de Melk Z-Da, inspirada nas orquídeas. As estampas se formam a partir de aplicações de pedras e bordados artesanais que se transformam em flores. O estilista seguiu a linha sustentável, com tecidos naturais e o reaproveitamento de materiais, e apostou nas peças transparentes como uma tendência para a próxima estação.

"Sempre gostei do uso de produtos naturais. Isso encarece a roupa e impossibilita que ela seja mais comercial, mas estamos buscando novas opções. Acho importante ter produtos com este perfil", disse Melk à AFP. 

A estilista Telma Azevedo, da marca Cantão, citou a diferença de preços como um fator que dificulta o uso de produtos sustentáveis e orgânicos na moda. Ela reclama da falta de subsídio do governo às ações de sustentabilidade. "Ficam à mercê da iniciativa privada e da competição dos importados", lamentou a designer, que preparou uma coleção sofisticada e natural, mesclando a fluidez e transparência de tecidos leves com materiais mais encorpados, como o linho.

A madeira usada nos acessórios, como os calçados, contrasta com a leveza das roupas. A natureza também pautou as criações da grife Ágatha, que usou uma paleta de cores do azul ao verde. O elemento água apareceu com força na coleção, que exibiu peles exóticas, como a dos peixes salmão e pirarucu. Já na marca Alessa, o predomínio foi das estampas florais, em tons de cinza ou coloridas.

Nesta edição do Fashion Rio, a cidade ganha força como capital brasileira da moda praia. Seis marcas com este perfil estão entre as 29 participantes, duas delas vindas da São Paulo Fashion Week, maior evento de moda do país. As estampas de oncinha foram a principal aposta da Cia Marítima, que propôs uma moda verão chique, mais para a piscina do que para a praia. Já a jovial Salinas abusou dos laços, babados e do xadrez, além das estampas, como as de frutas tropicais, paisagens e flores.

Os biquínis são democráticos, e vão dos mais recatados, com calcinhas no estilo hot pants, até os menores, que agradam às brasileiras.

O Fashion Rio foi antecipado de junho para maio por conta da Rio+20, e acontece em um período de transição para um novo calendário da moda nacional. O objetivo da mudança é aproximar o Brasil da datas das semanas de moda internacionais e do organograma dos fornecedores e lançamentos.

Na última terça-feira, antes do início do evento, um grupo de modelos negros, entre homens e mulheres, manifestou-se na entrada do Jockey Club, para exigir a inclusão de negros no casting de todos os desfiles do Fashion Rio.

(Com AFP)

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