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Crimes

02 de Julho de 2013

Crime

Menino de 5 anos morto em assalto em São Paulo é enterrado na Bolívia

Polícia ainda procura pelo atirador e por outro suspeito; empresário doa quantia para a família quantia levada por assaltantes

Os pais do garoto boliviano Brayan Yanarico Capcha, morto durante assalto na madrugada da última sexta-feira (28), embarcam para a Bolívia, no Aeroporto de Cumbica, nesta segunda-feira (1)

Os pais do garoto boliviano Brayan Yanarico Capcha, morto durante assalto na sexta-feira (Gabriel Biló/Futura Press)

O menino Brayan Yanarico Capcha, de 5 anos, que foi brutalmente assassinado em um assalto a uma casa na Zona Leste de São Paulo, na sexta-feira, foi enterrado na tarde de terça-feira em Takamara, um povoado distante a cerca de cem quilômetros de La Paz, na Bolívia.

O corpo de Brayan embarcou na segunda-feira para o país vizinho, partindo de Gurarulhos. O pais, Yanarico Quiuchaca, de 28 anos, e Veronica Capcha Mamani, de 24 anos, viajaram juntos. Antes de embarcarem eles afirmaram repetidas vezes que não têm a intenção de voltar ao Brasil. Eles moravam no país há cerca de seis meses quando o crime ocorreu. O translado foi feito por uma companhia aérea da Bolívia. O consulado do país pagou as despesas.

SSP-SP

O suspeito Diego Rocha Freitas Campos, de 20 anos

O suspeito Diego Rocha Freitas Campos, de 20 anos

Suspeito - A Polícia ainda procura por Diego Rocha Freitas Campos, de vinte anos, apontado como o autor do disparo que matou o menino. Um retrato de Campos foi divulgado pela polícia, que pede para que a população colabore com informações por meio do Disque Denúncia.

Segundo a Secretaria de Segurança, Diego é um foragido da Justiça que aproveitou uma saída temporária da prisão, um indulto de Dias das Mães, para fugir e voltar a cometer crimes, entre eles a invasão da casa onde viviam os pais do menino Brayan.

Na manhã desta quarta-feira, o secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse que a prisão do suspeito é considerada prioritária pela polícia paulista. "Vamos capturar esse assassino", disse. Segundo Grella, investigadores já estiveram em trinta locais à procura do suspeito apenas na terça-feira.  

Outro suspeito procurado é Wesley Soares Pedroso, de dezenove anos. Outros dois suspeitos, Paulo Ricardo Martins, de dezenove anos, e Felipe dos Santos Lima, de dezoito anos já foram presos. Um adolescente de 17 anos, apontado como o quinto membro da quadrilha, foi apreendido no sábado.

Todos eles são suspeitos de participar da invasão da casa onde vivia o casal Quiuchaca, na Vila Bela, Zona Leste de São Paulo. O crime ocorreu no início da madrugada de 28 de junho.

Na ocasião, após invadirem a casa da família boliviana, os criminosos exigiram dinheiro. O casal Quiuchaca e outros parentes que estavam no local entregaram 4 500 reais, mas os assaltantes exigiram mais e passaram a fazer ameaças. Segundo os pais, aterrorizado com a cena, o menino Brayan começou a chorar.

Em determinado momento, um dos invasores, apontado como Diego Campos, atirou na cabeça do menino. Os pais contaram que o garoto chegou a implorar para não morrer e chegou a entregar algumas moedas para os bandidos. Depois de cometerem o ato bárbaro, os assaltantes fugiram. Os pais de Brayan haviam chegado ao Brasil há apenas seis meses. O menino completaria seis anos no próximo sábado.

Reação – Além de gerar repúdio da comunidade boliviana de São Paulo, que resultou em alguns protestos, o assassinato do menino também provocou reações solidárias ao casal Quiuchaca. Um empresário e presidente de uma organização não governamental (ONG) de direitos humanos que não quis se identificar deu 4.500 reais à família para compensar o valor que foi levado pela quadrilha. A família também está sendo auxiliada por um advogada de origem boliviana, Patrícia Veiga, que resolveu representar a família gratuitamente.

(Com Estadão Conteúdo)

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Caso Yoki: ciúmes e morte

Na noite do dia 20 de maio, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, foi vítima de um crime que chamou a atenção de todo o Brasil. Diretor executivo da Yoki, uma gigante do setor de alimentos, ele foi morto e esquartejado pela própria mulher, a bacharel em direto Elize Kitano Matsunaga, 38, no apartamento onde moravam em São Paulo. A viúva confessou o assassinato e disse que vinha sendo traída, agredida e humilhada por Marcos. O casal se conheceu quando Elize trabalhava como garota de programa. Juntos, tiveram aulas de tiro e mantinham em casa um arsenal de armas. Com uma delas Elize deu um tiro em Marcos e depois o esquartejou. Colocou o corpo do marido em três malas e as espalhou pela cidade. Elize, que afirma ter agido sozinha, está presa. Em janeiro, a Justiça decide se ela vai a júri popular pelo crime.