Maranhão

Mapa do tráfico: Bonde dos 40 e PCM disputam venda de crack em São Luís

Facções criminosas que nasceram da rivalidade entre detentos do interior do Estado e da capital hoje disputam o monopólio do tráfico de drogas

Felipe Frazão, de São Luís
  • Quadrilha do Bonde dos 40 acusada de fuzilar em São Luís (MA) dois parentes de presos que haviam sido decapitados em Pedrinhas, em 2013

    Divulgação/Gilson Teixeira/Polícia Civil

  • Sistema de vigilância de câmeras do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Maranhão

    Felipe Frazão

  • Sistema de vigilância de câmeras do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Maranhão

    Felipe Frazão

  • Sistema de vigilância de câmeras do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Maranhão

    Felipe Frazão

  • Sistema de vigilância de câmeras do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Maranhão

    Felipe Frazão

  • Local onde está sendo construída a base do sistema de monitoramento de presos por tornozeleira eletrônica em São Luís, Maranhão

    Clayton Montelles/Divulgação Sejap

  • Neuton Correa delegado titular do  12º Distrito Policial de São Luís (Maranhão)

    Felipe Frazão

  • Detentos de Pedrinhas sendo transferidos para presídios federais

    Handson Chagas

  • Detentos que trabalham na limpeza do Presídio São Luís I caminham sob olhar de PM do Batalhão de Choque

    Felipe Frazão

  • Tabletes de maconha, celulares e serras apreendidas pela PM com mulher de preso que tentava entrar em Pedrinhas

    Felipe Frazão

  • Enterro de Ana Clara, em São Luís

  • Preso é levado para receber atendimento médico depois de ter sido ferido durante uma briga entre gangues rivais dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís do Maranhão

    Douglas Cunha/O Estado do Maranhão/Reuters

  • Comoção marca velório da menina que morreu após ser queimada em ônibus. Centenas de pessoas estão levando os sentimentos à família da menina Ana Clara, que morreu na manhã desta segunda-feira (6), no Hospital Juvêncio Matos, em São Luís

    Honório Moreira/OIMP/D.A Press

  • Comoção marca velório da menina que morreu após ser queimada em ônibus. Centenas de pessoas estão levando os sentimentos à família da menina Ana Clara, que morreu na manhã desta segunda-feira (6), no Hospital Juvêncio Matos, em São Luís

    Honório Moreira/OIMP/D.A Press

  • Penitenciário de Pedrinhas - Maranhão

    Divulgação/ Governo do Maranhão

  • Armas artesanais e celulares foram apreendidos durante revista da PM no Complexo Penitenciário de Pedrinhas

    Francisco Silva/Jornal Pequeno

  • Armas artesanais e celulares foram apreendidos durante revista da PM no Complexo Penitenciário de Pedrinhas

    Francisco Silva/Jornal Pequeno

  • Armas artesanais e celulares foram apreendidos durante revista da PM no Complexo Penitenciário de Pedrinhas

    Francisco Silva/Jornal Pequeno

  • Ônibus incendiado no bairro do João Paulo, em São Luís (MA) na noite da sexta-feira (03)

    Karlos Geromy/OIMP/D.A Press

  • Ônibus foram incendiados em São Luís no Maranhão na sexta-feira (03), em retaliação à ocupação, do Complexo Penitenciário de Pedrinhas pela polícia militar

    Francisco Silva/Jornal Pequeno/EFE

  • Ônibus foram incendiados em São Luís no Maranhão na sexta-feira (03), em retaliação à ocupação, do Complexo Penitenciário de Pedrinhas pela polícia militar

    Francisco Silva/Jornal Pequeno/EFE

  • Presos filmam decapitados em penitenciária no Maranhão

    Reprodução

  • Presos filmam decapitados em penitenciária no Maranhão

    Reprodução

  • Detendo ferido dentro de presídio em Pedrinhas, no Maranhão

    Reprodução TV Folha

  • São Luís - MA. Rebelião na casa de detenção do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital maranhense, deixou o saldo de nove mortos e 20 feridos

    Honório Moreira/OIMP/D.A Press

  • São Luís - MA. Rebelião na casa de detenção do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital maranhense, deixou o saldo de nove mortos e 20 feridos

    Honório Moreira/OIMP/D.A Press

  • Rebelião na casa de detenção do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital maranhense, deixou o saldo de nove mortos e 20 feridos em outubro de 2013

    Honório Moreira/OIMP/D.A Press

  • São Luís - MA. Polícia Federal, Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) visitam os presídio de São Luís

    Karlos Geromy/OIMP/D.A Press

  • Polícia Militar só controlou a situação após carnificina no presídio em São Luís

    Reprodução/TV Globo

  • Rebelião na casa de detenção do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital maranhense, deixou o saldo de nove mortos e 20 feridos em outubro de 2013

    Honório Moreira/OIMP/D.A Press

  • Rebelião no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão em 2010

    Neidson Moreira/OIMP/D.A Press

  • Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão

    A.Baêta/OIMP/D.A Press

Foto 0 / 32

Ampliar Fotos

As duas principais facções criminosas do Maranhão, o Bonde dos 40 e o Primeiro Comando do Maranhão (PCM), travam uma batalha dentro e fora dos presídios do Estado. Nas ruas da Região Metropolitana de São Luís, a capital maranhense, os grupos rivais desafiam a polícia diariamente na disputa pelo controle de favelas e pontos de venda de crack. Para o governo maranhense e a cúpula da Polícia Civil, a guerra do tráfico está por trás da onda de homicídios e latrocínios no Estado.

Os líderes do Bonde dos 40, a sanguinária facção que promoveu decapitações no presídio de Pedrinhas, estarão na lista de detentos que serão transferidos para presídios federais. As Secretarias de Justiça e Administração Penitenciária e da Segurança Pública já prepararam uma lista e a submeteram à avaliação da Vara de Execuções Penais da Justiça maranhanse. Entre os prováveis transferidos estão os criminosos Allan Kardec Dias Costa e Giheliton de Jesus Santos, o “Gil”, Hilton John Alves Araújo, o “Praguinha”, Jorge Henrique Amorim Martins, o “Dragão”, e Wilderlei Moraes, o “Paiakan”.

“Estamos percebendo que o PCM está tentando aproveitar que os líderes do Bonde estão presos para dominar a área deles”, diz o subdelegado-geral da Polícia Civil, Marcos Affonso.

“Ainda não há uma hegemonia entre eles, as facções brigam por espaço aqui em São Luís, que é o foco do tráfico”, afirma a superintendente de Polícia Civil da capital e região metropolitana, Katherine Chaves.

Leia também: Disque-Pedrinhas: uso de celular é comum em presídio
Colapso nas cadeias reflete décadas de gestão Sarney
Vídeo mostra o ataque selvagem que matou a menina Ana Clara

Facções:
 
Bonde dos 40
 
PCM

Influências – Inspirados e próximos ao Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, os integrantes do PCM criaram a facção com criminosos do interior do Maranhão, os chamados “baixadeiros”, por atuarem na Baixada Maranhense. Eles montaram um estatuto próprio baseado no do PCC – com dizeres como “irmão ajuda irmão” – e organizaram uma hierarquia própria. Os “soldados” (bandidos com menos cinco anos no crime organizado) e os “torres” (aqueles com mais tempo na quadrilha) só agem segundo as ordens do “conselho”, a cúpula da facção. Quem não obedece é considerado traidor e condenado à morte. Os que passam pelo sistema prisional tem o hábito de tatuar no antebraço as palavras “paz, justiça e liberdade” – lema do PCM.

O PCM mantém o controle da venda de crack e maconha nos bairros do Coroado, Coroadinho e Pocinha. A droga já é refinada em "laboratórios" do Maranhão. A quadrilha também pratica assaltos a banco e roubos, mas age com mais discrição. “O que os sustenta mais é o tráfico, mas eles fazem muitos assaltos pesados também”, diz o subdelegado-geral.

A facção mais violenta é o Bonde dos 40, que reúne – com menos organização – uma série de bandos que atuavam em bairros diferentes e distantes de São Luís, sobretudo as áreas de palafitas. As áreas de domínio do grupo criminoso são citadas em letras de funk maranhense, como o bairro de Fátima e Vila Embratel. A inteligência da Polícia Civil já identificou que o bando ampliou sua organização, criando um conselho de líderes. Eles também estão formando pontes com traficantes do Rio de Janeiro, segundo a polícia.

“O Bonde dos 40 começou desorganizado, como uma revolta contra o PCM, que queria exclusividade no fornecimento de drogas”, diz Affonso. “Eles tentaram se unir, mas o Bonde não aceitou.”

Em julho, a Polícia Civil apreendeu um livro com a contabilidade do tráfico. Nele, os investigadores acharam registros de quanto a quadrilha arrecadava por mês: 150.000 reais com a venda de crack e assaltos. O dinheiro é usado em pagamento de advogados, para sustentar o tráfico e ajudar as famílias de “irmãos” – como eles se chamam – presos. O inimigo é o tradicional “alemão”, termo muito usual no Rio de Janeiro.

Em escutas telefônicas, o setor de inteligência da Polícia Civil identificou que os líderes do Bonde dos 40 ordenaram por um “salve geral” os ataques a vinte ônibus, delegacias e decretaram a morte de policiais militares. A onda de terror terminou com a morte da menina Ana Clara, de seis anos. “É uma retaliação, tentativa de intimidar e desestabilizar a polícia”, diz Katherine.

Barbárie no presídio de Pedrinhas (MA)

1 de 6

Estupros

Relatório do CNJ denunciou a prática de abuso sexual contra esposas, irmãs e filhas de presos pelos chefes das organizações criminosas. Segundo o juiz do CNJ Douglas de Melo Martins, encarcerados por crimes menores prostituem familiares para não serem mortos pelos líderes das facções, que ditam as regras no presídio. As visitas íntimas acontecem com as celas abertas e em ambientes coletivos.

Por que o presídio de Pedrinhas entrou em colapso

1 de 7

Presídio armado

Ao assumir a segurança de Pedrinhas, a Polícia Militar apreendeu 200 armas improvisadas e 30 celulares com os detentos. Uma semana depois, em nova vistoria, foram recolhidas dezesseis armas brancas, 22 munições de revólver calibre 38 e três celulares.

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados