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Lula diz à PF que filho não o informou de negócios com lobista

Luís Cláudio Lula da Silva recebeu da empresa de Mauro Fernandes, preso na Operação Zelotes, uma quantia de 2,5 milhões de reais. Ex-presidente, mais uma vez, repete discurso de que nada sabia

- Atualizado em

A promotoria investiga a ajuda da OAS a Lula ao reformar apartamento no Guarujá
Ex-presidente Lula prestou depoimento no dia 6 de janeiro (Douglas Magno/VEJA)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito da Operação Zelotes, que investiga um esquema de venda de Medidas Provisórias, e afirmou que seu filho mais novo, Luís Cláudio Lula da Silva, não o informou de que havia sido contratado por 2,5 milhões de reais pelo lobista Mauro Marcondes Machado. O lobista está preso junto com a mulher, Cristina Mautoni, suspeito de participação no esquema.

Lula assinou as medidas provisórias 471/2009 e 512/2010, que estão sob suspeita de terem sido compradas no esquema de corrupção que envolve lobistas e montadoras de veículos que se beneficiaram da prorrogação de incentivos fiscais definidas por essas normas. Luís Cláudio Lula da Silva recebeu da Marcondes & Mautoni, consultoria contratada pelas montadoras para fazer o lobby pelas MPs. Os sócios da consultoria já foram denunciados. O filho de Lula prestou depoimento e é alvo de um novo inquérito que investiga sua relação com a empresa de lobby. Perícia da PF identificou que o trabalho que Luís Cláudio diz ter prestado se resume a cópia de material produzido na internet, em especial o site Wikipedia.

Segundo a transcrição da PF, Lula disse "que não houve qualquer contato do Luís Cláudio quando da contratação por parte da Marcondes e Mautoni". Também afirmou que não sabe desde quanto o seu filho e o casal se conhecem e que nunca indicou "potenciais clientes" a ele. Segundo o petista, "ao que sabe", Luís Cláudio foi contratado para produzir estudos na área de esporte. O depoimento foi prestado à PF no dia 6 de janeiro e tem dez páginas.

O ex-presidente também foi questionado pela PF sobre um arquivo encontrado no computador da empresa de Marcondes, no qual estava registrada a seguinte mensagem: "A MP foi combinada entre o pessoal da Fiat, o presidente Lula e o governador Eduardo Campos (morto em 2014)". "Combinação nesse tipo é coisa de bandido", reagiu o petista, acrescentando que não ocorreu a transação mencionada. Lula também enfatizou que não recebia lobistas e que "tanto ele quanto seus parentes jamais exerceram lobby ou consultoria empresarial". O petista alegou que nunca obteve "benefício decorrente" dessa atividade.

Ele afirmou que participou de uma reunião, a pedido de Eduardo Campos, à qual o ex-governador de Pernambuco levou o dirigente da Fiat na América Latina Cledorvino Belini. O ex-presidente afirmou que, no encontro, foram esclarecidos os benefícios da instalação de uma fábrica da montadora em Pernambuco. A partir dessa reunião, contou, as discussões transcorreram dentro dos setores técnicos dos ministérios.

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(Com Estadão Conteúdo)

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