Tarja para o tema Battisti no Brasil
 
31/12/2010 - 10:46
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Justiça

Lula concede refúgio a Cesare Battisti

Com a decisão, terrorista será solto e permanecerá no Brasil

Mirella D'Elia
Battisti é acusado de quatro homicídios quando militava em grupo extremista de esquerda

Battisti é acusado de quatro homicídios quando militava em grupo extremista de esquerda (Marcos d'Paula/AE)

Nabor Bulhões, advogado do governo italiano: "A não entrega de Battisti e um ato de vontade e não discricionário. Mais grave do que dizer que não entrega e criar pretextos inexistentes para não entregar"

No apagar das luzes de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu refúgio ao terrorista italiano Cesare Battisti, acusado de quatro homicídios na década de 70, quando era militante de um grupo extremista de esquerda. A decisão foi anunciada no último dia de Lula no Palácio do Planalto. A decisão, de acordo com nota da presidência, é baseada em parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), feito com base nos termos da Constituição brasileira, nas convenções internacionais sobre direitos humanos e do tratado de extradição entre o Brasil e a Itália. Lula acatou o argumento da AGU, que, usando um artigo do Tratado de Extradição entre Brasília e Itália, avaliou que a extradição de Battisti colocava a vida do ex-ativista em risco de perseguição e até de morte.

Após a decisão, o italiano, preso desde 2007, será libertado e permanecerá no Brasil. Caberá ao STF, agora, definir pela expedição de alvará de soltura. É um ato formal de execução da decisão do Presidente da República.

O presidente Lula demorou mais de um ano para tornar pública sua decisão. A atitude, na interpretação de juristas, é vista como uma manobra para escapar de possível acusação de crime de responsabilidade - delito político que poderia resultar em um pedido de impeachment. De saída do posto mais alto do Executivo, não pode mais ser punido.

A decisão de manter Battisti no Brasil causou perplexidade ao advogado Nabor Bulhões, que representa o governo italiano. “É um grave ilícito interno, pois importa no descumprimento da lei, e um ilícito internacional por causa do descumprimento de um tratado firmado legitimamente e em pleno vigor", diz ele. "Mais grave do que dizer que não entrega é criar pretextos inexistentes para não entregar."

As consequências nas relações entre os dois países, avalia o advogado, serão desastrosas. “Nunca na história deste país alguém deixou de cumprir uma decisão do STF autorizando uma extradição”, diz Bulhões. “Haverá um retrocesso nas relações entre os dois países.”

Na Itália, as críticas – e até ameaças de boicote ao Brasil - começaram antes mesmo do anúncio oficial. A ira das autoridades italianas foi destaque nos principais jornais do país.

Palavra final foi de Lula - O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição do terrorista, pedida pelo governo da Itália, em novembro de 2009. Mas deixou para o presidente Lula a palavra final sobre o imbróglio. A votação foi encerrada após três dias de julgamento, em um apertado placar de 5 votos a 4. Os ministros entenderam que os crimes imputados a Battisti não tiveram conotação política e não prescreveram.

Battisti é acusado de quatro homicídios ocorridos nos anos 70, quando liderava a organização extremista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). À revelia, o italiano foi condenado à prisão perpétua no país de origem.

O julgamento terminou em 1993. No entanto, ele nunca cumpriu pena. Fugiu para a França, onde viveu até 2004, quando o então presidente do país, Jacques Chirac, se posicionou a favor da extradição.

Battisti fugiu de novo e veio parar no Brasil. Em março de 2007, foi preso no Rio de Janeiro e transferido para Brasília. Em 2009, o STF autorizou sua extradição para a Itália e deixou a decisão final para o presidente Lula.

O italiano nega a autoria dos crimes e afirma ser vítima de perseguição política. Chegou a dizer, reiteradas vezes, que a extradição seria um "troféu" para o governo de Berlusconi. A Itália diz que houve crime comum.

Íntegra - Acompanhe abaixo a nota do governo brasileiro para justificar a concessão do refúgio a Battisti:

"O Presidente da República tomou hoje a decisão de não conceder extradição ao cidadão italiano Cesare Battisti, com base em parecer da Advocacia-Geral da União. 

O parecer considerou atentamente todas as cláusulas do Tratado de Extradição entre o Brasil e a Itália, em particular a disposição expressa na letra “f”, do item 1, do artigo 3 do Tratado, que cita, entre as motivações para a não extradição, a condição pessoal do extraditando. Conforme se depreende do próprio Tratado, esse tipo de juízo não constitui afronta de um Estado ao outro, uma vez que situações particulares ao indivíduo podem gerar riscos, a despeito do caráter democrático de ambos os Estados.

Ao mesmo tempo, o Governo brasileiro manifesta sua profunda estranheza com os termos da nota da Presidência do Conselho dos Ministros da Itália, de 30 de dezembro de 2010, em particular com a impertinente referência pessoal ao Presidente da República."

Comentários


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Ricardo

Impressionante é ver os comunistinhas aplaudirem a estadia de um assassino no país. O Brasil não tem mais rumo mesmo. Agora vemos assassinos permanecendo no país, amanhã é uma ditadura do proletariado acontecendo. Isso realmente é muito deprimente.

13.09.2011

Beuno

Os atletas cubanos foram "entregues" por Lula aos ditadores Fidel Castro e Hugo Chávez, estão lembrados? Já o assassino italiano fica entre nós, como herança maldita do período Lula. Afinal mais uma entre tantas...

03.01.2011

Luiz Antonio

BRASIL, um país de todos, inclusive de terroristas condenados. Vinde todos.

02.01.2011

Turibio Rodrigues Freire Neto

Com tantos problemas e mazelas que o presidente do Brasil deveria se preocupar no seu ultimo dia de governo e o que ele faz? Dá asilo político a uma pessoa acusada de assassinato. E depois não venham dizer que não houve cunho político neste caso. Afinal, para o governo do PT, os crimes de esquerda são permitidos.

02.01.2011

Paulo Sandim

So falta os liberais do PT alegarem perseguição política e reivindicarem uma indenização e uma pensão para o ter- rorista Cesari Battisti.

02.01.2011

lrm

Diferenca entre a decisao da italia no caso Cacciolla e do brasil no caso do terrorista: Cacciolla e cidadao Italiano. Companheiro ptista: Radicalismo ou cega ou deixa o homem bobo....

01.01.2011

Adalberto

Eu me sinto leigo no conhecimento profundo do que acontece neste caso em seus detalhes, mas acredito que este cidadão deveria ter sido entregue as autoridades Italianas, assim como não deveriam ter mandado os cubanos embora deste nosso pais, vejo nas declarações de LULA uma outra forma de ditadura e de uma arrogância vista n(..)

01.01.2011

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Romildo Severino da Silva

Decisão sensata, concordo com o então Presidente Lula.

01.01.2011

luiz

Qual é a diferença entre um chefe de estado promíscuo,BERLUSCONI PARA UM TERRORISTA??????. Parabéns presidente LuLa, dicisão SOBERANA.

01.01.2011

Angélica

Um governo marcado por escândalos, dos quais o nosso "querido presidente" nunca sabia de nada, ficar com Battisti é o de menos. Um bandido a mais ou a menos... para Lula não faz diferença...

01.01.2011

 

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