Crime

Investigação de morte de juíza fecha o cerco sobre policiais acusados de crimes

Quebra de sigilo de antenas de telefonia e lista com agentes que seriam julgados por Patrícia Acioli vão indicar se suspeitos rondaram casa da magistrada

O Fiat Idea da juíza Patrícia Acioli, assassinada na madrugada desta sexta-feira quando chegava em casa, em Niterói

O Fiat Idea da juíza Patrícia Acioli, assassinada na madrugada desta sexta-feira quando chegava em casa, em Niterói (Pedro Kirilos/Agência O Globo/VEJA)

A extensa lista de suspeitos do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli leva a polícia do Rio a garimpar todo tipo de pista possível em relação ao crime. Com a descoberta de que munições compradas pela PM foram usadas no ataque, o cerco se fecha sobre os suspeitos com alguma ligação com a corporação – o que, mesmo assim, significa um conjunto muito abrangente de pessoas a quem se pode atribuir alguma motivação para o crime.

Desde a terça-feira a Justiça Militar tem em mãos uma lista com 91 nomes de policiais militares que viriam a ser julgados por Patrícia Acioli. De acordo com o que foi publicado nesta quarta-feira pelo jornal O Globo, entre eles está um tenente-coronel acusado de ser mandante de um assassinato. O oficial teria atuado junto ao comando da Polícia Militar.

O trabalho dos investigadores, neste momento, consiste em classificar suspeitos de acordo com o nível de indícios que pesam contra eles. Para isso deve contribuir a análise dos dados relativos às antenas de celulares na região de Piratininga, em Niterói, onde Patrícia morava e foi executada. De acordo com o jornal carioca Extra, a Justiça decretou a quebra de sigilo das antenas daquela área e do entorno do Fórum de São Gonçalo, onde Patrícia trabalhava, à frente da 4ª Vara Criminal.

A partir desta decisão, as operadoras de telefonia vão fornecer os números de todos os aparelhos celulares que estiveram ligados naquela região, em um período específico informado pela Polícia Civil, que conduz a investigação. Com esses números em mão, os policiais encarregados da apuração vão tentar localizar, entre eles, telefones de réus, investigados, policiais militares com alguma ligação com grupos de extermínio ou outras quadrilhas que viriam a ser alvo da Justiça.

O trabalho se aproxima da busca de uma agulha em um palheiro, mas poderá ser decisivo para fases futuras da investigação. Por exemplo, se um dos suspeitos vier a ser formalmente acusado pelo crime e apresentar um álibi para a noite do crime, as informações sobre os aparelhos celulares podem vir a desmentir esse tipo de alegação.

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