Tarja - Incendio na estação antártica

Marinha

Incêndio destrói 40% da pesquisa brasileira na Antártida

Estimativa é de pesquisadores no Brasil. Clima seco e estrutura inflamável teriam contribuído para proliferação do fogo na Comandante Ferraz

Branca Nunes e Nathalia Goulart
  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, em 27/02/2012

    Ricardo Moraes/Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro

    Ricardo Moraes/Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro

    Ricardo Moraes/Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, em 27/02/2012

    Ricardo Moraes/Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, em 27/02/2012

    Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, em 27/02/2012

    Ricardio Moraes/Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, em 27/02/2012

    Ricardo Moraes/Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro

    Ricardo Moares/Reuters

  • Cerca de 40 integrantes da Estação Antártica Comandante Ferraz, entre eles pesquisadores e servidores civis da base, chegando na Base Aérea do Galeão, em 27/02/2012

    Ricardo Moraes/Reuters

  • Incêndio na Estação Comandante Ferraz, na Antártica

    Portal informadorchile.com

  • Incêndio na Estação Comandante Ferraz, na Antártica

    Portal informadorchile.com

  • Manhã na Baía do Almirantado, em frente a Estação do Brasil na Antártica Comandante Ferraz (2004)

    Ana Nascimento

  • Estação do Brasil na Antártica Comandante Ferraz. Ao fundo, o Morro da Cruz (2004)

    Ana Nascimento

  • Pinguins na Baía do Almirantado, proximo à Estação do Brasil na Antártica Comandante Ferraz (2004)

    Ana Nascimento

  • Ossada de baleia jubarte, na Estação do Brasil na Antártica Comandante Ferraz (2004)

    Ana Nascimento

  • Técnico do INPE Armando Adhano, no laboratório VLP, na Estação do Brasil na Antártida Comandante Ferraz (2004)

    Ana Nascimento

  • Pedras de gelo na costa da Baía do Almirantado, local da Estação Comandante Ferraz (2004)

    Ana Nascimento

Foto 0 / 17

Ampliar Fotos

O incêndio ocorrido na madrugada deste sábado na Estação Comandante Ferraz, base militar brasileira de pesquisas na Antártida, comprometeu de 35% a 40% da pesquisa científica do país no continente gelado. Cientistas ouvidos pela reportagem de VEJA que receberam informações da base afirmam que o fogo destruiu praticamente toda a estação. Elas apontam ainda outros problemas de estrutura do projeto brasileiro.

Leia mais:
Base brasileira tem 28 anos e fica a 3.100 km do RS
Dois militares da base estão desaparecidos

Embarcação teria naufragado no local em dezembro

"Felizmente, a maior quantidade das pesquisas é feita em navios e acampamentos, mas perdemos uma boa parte desse material", afirma Jefferson Simões, diretor do Centro Polar e climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que coordenou a implantação do primeiro módulo científico brasileiro no continente antártico, no fim do ano passado. Para a professora Yocie Yoneshigue-Valentin, coordenadora do Instituto Nacional da Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), os estragos do incêndio são inestimáveis. "Já fui informada por colegas que boa parte do nosso trabalho na estação foi comprometida. Pelas descrições, parece que o estrago por lá foi grande", diz a pesquisadora.

"As informações que temos é que a estação teve perda total", afirma Simões. "A estrutura é praticamente toda feita de madeira e plástico, com muitos eletroeletronicos. Todo o material é altamente inflamável. Além disso, o ambiente aquecido, com temperatura mantida em torno de 25° C, contribui para a proliferação do fogo."

Simões esteve na Antártida no começo de 2012. Ele explica a dificuldade no combate a incêndios no continente. "O clima seco torna o ambiente extremamente perigoso nesses casos", conta. "As pessoas normalmente não imaginam isso num lugar com tanto gelo, mas é difícil o acesso à água em forma líquida."

Yocie, que coordena pesquisas sobre o meio marinho e terrestre da Antártida, afirma que 15 pesquisadores do INCT-APA estavam na Comandante Ferraz no momento do incêncio. Os projetos do INCT-APA são desenvolvidos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e financiados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. "Todo o dinheiro público investido nas nossas pesquisas foi jogado no lixo com o fogo", lamenta. "Devemos explicações para a sociedade sobre o incidente." Yocie afirma que computadores avaliados em 120.000 dólares foram completamente destruídos.

"Estamos com um navio quebrado há dois meses ancorado no porto", lembra Simões. "Hoje, foi divulgado o naufrágio de uma embarcação e, agora, essa catástrofe. Existe uma grande instabilidade financeira do Programa Antártico Brasileiro."

Os relatos sobre o incêndio a que Simões teve acesso até momento reforçam os rumores de que os dois militares desaparecidos estariam mortos. A Marinha, contudo, não confirma a informação. Outro militar ferido, cuja identidade não foi divulgada, foi transferido para a Estação polonesa de Arctowski, a dez quilômetros de distância da Comandante Ferraz. De acordo com o comunicado oficial, ele não corre risco de morrer. Outas 44 pessoas presentes na estação brasileira foram transferidas para a Base chilena Eduardo Frei. Em seguida, seguem para Punta Arenas, no Chile e devem retornar ao Brasil em breve.

O ponto vermelho no mapa abaixo indica a localização da base brasileira na Antártida:

Reprodução Google Maps

Mapa mostra onde está localizada a Estação Comandante Ferraz, na Antartica

Mapa mostra onde está localizada a Estação Comandante Ferraz, na Antartida

Leia mais:
Base brasileira tem 28 anos e fica a 3.100 km do RS
Dois militares da base estão desaparecidos

Embarcação teria naufragado no local em dezembro

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados