Mais Lidas

  1. Reino Unido decide pela saída da União Europeia

    Mundo

    Reino Unido decide pela saída da União Europeia

  2. Entenda as consequências políticas da saída do Reino Unido da UE

    Mundo

    Entenda as consequências políticas da saída do Reino Unido da UE

  3. Entenda a diferença entre Inglaterra, Grã-Bretanha e Reino Unido

    Mundo

    Entenda a diferença entre Inglaterra, Grã-Bretanha e Reino Unido

  4. Senado pede ao STF anulação de busca em apartamento funcional de Gleisi Hoffmann

    Brasil

    Senado pede ao STF anulação de busca em apartamento funcional de...

  5. Como o esquema de 'PB' abastecia o caixa dois do PT

    Brasil

    Como o esquema de 'PB' abastecia o caixa dois do PT

  6. Com marido preso, Gleisi ataca Temer e diz que prisão é 'desvio de foco' para garantir impeachment

    Brasil

    Com marido preso, Gleisi ataca Temer e diz que prisão é 'desvio de...

  7. Prefeitura de Buenos Aires decreta fechamento de zoológico da cidade

    Mundo

    Prefeitura de Buenos Aires decreta fechamento de zoológico da cidade

  8. Irã mantém consulado fantasma em São Paulo

    Mundo

    Irã mantém consulado fantasma em São Paulo

'Impunidade alimenta a corrupção. E vice-versa'

Peter Eigen, fundador da Transparência Internacional, afirma que, quando as pessoas acreditam que ficarão impunes, optam pela corrupção

- Atualizado em

Peter Eigen
Peter Eigen(Isifa/Getty Images/VEJA)

Em debate realizado na Conferência Internacional Anticorrupção (IACC, na sigla em inglês), o fundador da Transparência Internacional, Peter Eigen, afirmou que a corrupção está intimamente ligada a não punição dos atores envolvidos nos processos ilícitos. "Em todos os lugares do mundo os dois temas apresentam correlação em diversos sentidos. As pessoas acreditam que ficarão impunes e optam pela corrupção. Ao mesmo tempo, o ato de corrupção em si fortalece a impunidade", explicou Eigen, durante o evento que é realizado em Brasília e termina no dia 10. As informações são da ONG Contas Abertas.

Eigen explicou que a Transparência Internacional não considera apenas punições penais e criminais, estagnadas nos marcos legislativo e jurídico dos países, no combate à corrupção. "Consideramos também ações administrativas, que seriam o outro lado da moeda", disse. "Capacitação de agentes em licitações sem interesses privados ou políticos, por exemplo. Só assim teremos um sistema íntegro de combate à corrupção", avalia Eigen.

A Transparência Internacional é uma organização não governamental com quase 20 anos de trabalhos dedicados ao combate à corrupção em todo mundo. As principais metas da instituição, nos últimos anos, foram justamente o combate à impunidade e o aumento do interesse das pessoas prejudicadas pelos sistemas de corrupção.

Eigen também defendeu um acordo internacional para lidar com o tema. A ideia é que, assim como as economias estão globalizadas, as ações de combate à corrupção das nações mundiais também deveriam funcionar de maneira padronizada, descaracterizando a impunidade.

"Muitas empresas se tornam corruptas porque governos nacionais não têm interesse em lidar com esses desvios de comportamento e não conseguem mensurar as consequências nocivas de corrupção além da fronteira. Com isso perde-se a ideia de que precisamos agir de maneira coletiva", concluiu Eigen.

Leia também:

Dilma defende imprensa livre e 'credibilidade da ação política'

Contexto nacional - O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, também participou do painel e concordou que o combate à corrupção deve se ater a sanções que punam os envolvidos. Contudo, afirmou que essas atitudes devem ser entendidas no nível do contexto nacional.

Hage ressaltou que o Brasil, por exemplo, está muito mais próximo do fim da impunidade do que há dez anos. "Não evoluímos o tanto que gostaríamos, por isso, não estamos onde deveríamos", avaliou. "Mas é necessário ressaltar que há pouco tempo não tínhamos sequer agência específica para o combate à corrupção, nem indício de qualquer trabalho coordenado nesse sentido."

O ministro afirmou que para enfrentar a corrupção de maneira mais efetiva, o país precisa ainda reformar procedimentos civis e penais. "Há diversos projetos de lei no Congresso Nacional que precisam ser aprovados e isso só acontecerá com pressão popular", ressaltou.

Hage destacou, por exemplo, proposta do Executivo que há dois anos tramita no Congresso e pede condenação de envolvidos em ação de suborno dentro e fora do país. "O projeto de lei que torna crime o enriquecimento ilícito também deveria ser aprovado, mas tramita há oito anos pelo menos", afirmou o ministro.

Outra medida necessária é a reforma política que deverá reduzir o número de partidos políticos e financiar campanhas eleitorais com recursos públicos. "Nós temos 30 partidos, que criam coalizões para poder viabilizar governos e ganhar eleições. As campanhas políticas também devem ser financiadas por recursos públicos, exclusivamente, para que seja possível acompanhar e dar transparência aos gastos eleitorais", finalizou Hage.

A conferência é realizada no Brasil justamente no ano em que o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza o julgamento dos réus do mensalão, um dos maiores escândalos de corrupção do país, ocorrido durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Membros do alto escalão do partido, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, foram condenados por corrupção pela compra de parlamentares para votação a favor de projetos do governo.

TAGs:
Jorge Hage
Controladoria Geral da União (CGU)
Corrupção
Transparência