20/11/2008 - 16:02
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Cronologia

Grandes negócios do setor desde 1996

Os anúncios de fusão e aquisição dos bancos Itau-Unibanco e Banco do Brasil e Nossa Caixa mexem com o setor, que havia muito tempo não registrava negócios tão significativos. As fusões e aquisições de ativos bancários têm se tornado uma prática muito comum nos últimos anos, como forma de unir forças ou fortalecer estruturas para enfrentar a concorrência. O ano de 1995 pode ser considerado um marco para o início de uma série de processos que mudou a face do sistema bancário brasileiro. A seguir, os principais negócios ocorridos desde então:

Novembro de 1995: Unibanco compra Nacional
Unibanco começa a dar os primeiros passos para concorrer diretamente com o Bradesco e o Itaú. Com a aquisição, passa a ter 1.446 agências e cerca de 2,1 milhões de clientes. No mesmo ano, o Banco Central cria o polêmico Proer, o programa de ajuda ao sistema financeiro que consumiu 50 bilhões de reais.

Abril de 1996: Excel compra Econômico
BC dá sinal verde para o banco paulista ficar com a parte boa do baiano Econômico, que já estava havia 8 meses sob intervenção federal. O negócio custou 3,5 bilhões de reais. O Excel, um banco de apenas seis anos de vida, herdou 276 agências, 9.000 funcionários e uma carteira de 900.000 clientes.

Julho de 1997: Itaú arremata Banerj
O leilão do banco estatal fluminense terminou com um lance de 311,1 milhões de reais, 0,36% acima do preço mínimo fixado para a venda. Nos anos seguintes o Itaú também adquiriu da mesma maneira o Banestado (Paraná), o Bemge (Minas Gerais) e o BEG (Goiás).

Novembro de 1997: Bradesco adquire BCN
O Bradesco faz uma proposta de 1,2 bilhão e leva o BCN, do banqueiro Pedro Conde. Com a aquisição, o Bradesco fortalece sua posição no mercado doméstico e se prepara para encarar o desembarque dos grandes bancos estrangeiros no Brasil.

Fevereiro de 1997: HSBC compra Bamerindus
A venda do Bamerindus para o HSBC inaugura uma nova era no mercado financeiro brasileiro. Foi a primeira vez que um gigante internacional entrou na disputa pelo varejo, dominado pelos bancos privados Bradesco, Itaú, Unibanco, Real, e pelos estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Março de 1997: BGC abre portas ao Santander
O banco espanhol começa suas operações no Brasil com a compra de 51% do Banco Geral do Comércio (BGC), do grupo Camargo Corrêa, adquirindo depois 100% dos ativos e uma rede de 43 agências.

Janeiro de 1998: Caixa Geral de Depósitos compra Bandeirantes
Outro representante da Penísula Ibérica resolve entrar no mercado brasileiro. Desta vez é o banco português Caixa Geral de Depósitos que compra o Banco Bandeirantes por 300 milhões de dólares. O Bandeirantes era a 16ª maior instituição financeira privada do Brasil, com uma rede de 173 agências e 700.000 clientes.

Abril de 1998: BBVA compra Excel Econômico
Seguindo a trilha do seu conterrâneo, o espanhol BBVA desembarca no Brasil adquirindo o Excel Econômico por apenas 1 real. O banco brasileiro enfrentava dificuldades financeiras desde que comprara parte do quebrado Banco Econômico em 1995.

Julho de 1998: Real vendido ao ABN Amro
Grupo holandês compra 40% do Real por 2 bilhões de reais. O Real era o quarto maior banco privado brasileiro, com 557 agências e lucro de 218 milhões de reais em 1997.

Janeiro de 2000: Santander, novo controlador do Meridional
O espanhol compra 97% do Meridional, que inclui o Banco Bozano, Simonsen; dá mais um passo para consolidar sua presença no mercado doméstico brasileiro.

Julho de 2000: Bandeirantes repassado ao Unibanco
Unibanco compra 98% das ações do Banco Bandeirantes por 1,044 bilhão de reais, valor pago em ações ao banco português Caixa Geral de Depósitos. Os portugueses, que já tinham adquirido o banco em meados em 1998, passam a deter 12,4% do capital do Unibanco, que já havia comprado o Credibanco do americano Bank of New York.

Julho de 2000: Bradesco compra Boavista
Depois de 2,6 anos como donos do Boavista, o português Espírito Santo e o francês Crédit Agricole decidem vender o banco brasileiro ao Bradesco. A negociação foi de cerca de 500 milhões de reais em ações do Bradesco.

Outubro de 2000: Banestado arrematado por Itaú
Num leilão muito disputado, o Itaú passou a ser dono do banco do Estado do Paraná. A transação envolveu 1,6 bilhão de reais, 300% acima do preço mínimo estabelecido pelo governo para a privatização da instituição. Com o negócio, o Itaú se aproximou ainda mais do Bradesco, o maior banco privado nacional antes da fusão com o Unibanco, em 2008.

Novembro de 2000: Santander compra Banespa
A privatização do banco do Estado de São Paulo foi o passo decisivo dado pelo banco espanhol Santander para firmar sua presença no Brasil. Ao pagar 7,05 bilhões de reais pelo controle do Banespa, em leilão na Bolsa do Rio, o Santander surpreendeu a todos ao bancar um ágio de 281,02% sobre o preço mínimo de 1,85 bilhão de reais fixado pelo Banco Central. Foi o maior valor em reais já pago em uma privatização no Brasil.

Janeiro de 2002: Bradesco adquire Mercantil
O Bradesco compra o Banco Mercantil de São Paulo e ultrapassa o principal banco de desenvolvimento do país, o BNDES. A aquisição do Mercantil foi vista pelos especialistas como uma resposta rápida do Bradesco ao Itaú, que no fim de 2001 arrematou o Banco do Estado de Goiás (BEG) e o Sudameris.

Janeiro de 2003: Bradesco compra BBVA
Quase cinco anos depois de adquirir o Excel Econômico, o espanhol BBVA vende sua filial BBV Brasil ao Bradesco. O negócio foi concretizado em junho. Os espanhóis receberam 632 milhões de dólares e 4,4% do capital do banco brasileiro, uma participação que ampliaram posteriormente para 5,01%, depois comprada pelo Bradesco por 1,47 bilhão de dólares.
 


Abril de 2003: Itaú vende Sudameris
O banco Sudameris é vendido para o holandês ABN Amro por 2,2 bilhões de dólares. O Sudameris teve lucro de 221 milhões de reais em 2002 e seu patrimônio era de 1,285 bilhão de reais.

Maio de 2006: Itaú compra BankBoston
O Itaú bateu outros pretendentes e conquistou a carteira de clientes do BankBoston no Brasil, no Chile e no Uruguai. Nos EUA, o BankBoston havia sido comprado pelo Bank of America, que decidiu se desfazer dos ativos na América do Sul. Na transação, o banco brasileiro incorporou 360.000 clientes e 205 agências. O valor do negócio foi de 3,5 biIhões de dólares.

Outubro de 2007: Santander compra ABN Amro Real
O holandês ABN Amro foi vendido a um consórcio formado pelo espanhol Santander, pelo escocês Royal Bank of Scotland (RBS) e pelo belgo-holandês Fortis, pelo valor de 71 bilhões de euros (aproximadamente 181 bilhões de reais. Foi o maior negócio da história bancária do mundo. Com a operação, o Santander passou a controlar o ABN Amro Real.

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