Crime
Goleiro Bruno será punido com 20 dias sem visitas e sem banho de sol
Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais considera que ex-jogador descumpriu normas da Penitenciária Nelson Hungria quando enviou carta para programa de TV
Goleiro Bruno prestando depoimento na Comissão de Direitos Humanos (Renato Cobucci/Hoje em Dia/Futura Press)
Pelos próximos 20 dias, o goleiro Bruno Fernandes de Souza, acusado de planejar o sequestro e a execução de sua ex-amante, Eliza Samudio, está proibido de sair de sua cela. O castigo começa nesta segunda-feira. A além de perder o banho de sol e permanecer 24 horas na cela individual de seis metros quadrados, o detento também não poderá receber visitas íntimas e sociais. O contato externo do jogador será apenas com seus advogados. Na sexta-feira, 13, Bruno já havia sido punido pela administração do presídio de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, depois de o advogado Rui Caldas Pimenta levar uma carta do atleta a um apresentador de uma emissora de TV em Minas Gerais. A mensagem foi lida ao vivo na tarde de quinta-feira (12). Desde então, o ex-jogador estava afastado temporariamente do trabalho diário de faxina no pavilhão da unidade. Ele mantinha, até então, o direito às duas horas diárias de banho de sol, momento em que aproveitava para fazer treinos com bola.
A Comissão Disciplinar do Complexo Prisional resolveu apertar o castigo depois de entrevistar o jogador nesta manhã. Em nota, a Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS) informou que "o detento Bruno Fernandes cometeu erro disciplinar ao ignorar as regras de segurança do Complexo Penitenciário Nelson Hungria e enviar, fora dos trâmites legais, uma carta ao público externo à unidade, por meio de seu advogado". A SEDS explicou que é de conhecimento dos presos que todas as correspondências precisam passar por um departamento específico, para registro e conferência de teor, com o objetivo de "resguardar a segurança da sociedade e da unidade prisional".
A secretaria informou que a punição tem base no Regimento Disciplinar Prisional, que trata do desrespeito às leis e normas vigentes. A SEDS também explica que a direção do presídio está finalizando, para esta semana, o relatório sobre o fluxo da cartas do detento escritas por orientação dos advogados de defesa, para que eles prestem esclarecimento. O relatório será encaminhado à Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Minas Gerais (OAB-MG).
Na carta enviada ao apresentador de TV, Bruno fala sobre assumir a paternidade de Bruninho, de 2 anos, filho de Eliza, e diz que seu erro foi ter "confiado em algumas pessoas", sem citar nomes. O goleiro, que recentemente se tornou evangélico, também falou sobre Deus e alegou inocência: “Nunca desejei, ordenei ou determinei, a quem quer que seja, o desaparecimento de Eliza Samudio. Vou lutar com todas as forças para provar ao mundo que sou inocente”, diz um trecho da mensagem.
Sem poder trabalhar, Bruno perde o benefício da remissão de pena e um salário mensal de 466 reais. Com a função, conquistada por bom comportamento, três dias de trabalho do detento representam um dia a menos de prisão.
No dia 7, uma outra carta de Bruno veio à tona. O documento revelava a trama sobre o sequestro e assassinato de Eliza, como revelou com reportagem de VEJA. O destinatário dessa vez era Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. No texto, o goleiro falava sobre um "plano B". A suspeita é de que seja um pedido de Bruno para que o amigo assumisse a morte da jovem. Em troca, o atleta, que planeja voltar a jogar futebol, assumiria o sustento das duas famílias e as despesas com os honorários dos advogados.
Quando o documento veio à tona, Rui Pimenta disse que se tratava, na verdade, do rompimento de uma relação amorosa entre o Bruno e Macarrão. O advogado afirmou ainda que o secretário de Bruno nutria um "amor homossexual" pelo goleiro, o que o teria motivado a matar a jovem. Por causa das insinuações, o advogado de Macarrão entrou com uma medida preparatória de um processo de difamação contra o colega, pedindo que ele se explique na Justiça.
Nesta segunda-feira, o advogado Francisco de Assis Simim considerou a punição ao goleiro desnecessária e disse que não havia motivo para ela ser aplicada a seu cliente. "Não foi feito nada as escuras. Os funcionários da Nelson Hungria de plantão leram todo o conteúdo da carta antes de sairmos de lá", afirmou Simim. A SEDS informou que todos os agentes que estavam de plantão no dia em que as duas cartas foram escritas serão ouvidos.
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