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Fundos devem ser alternativa à poupança em 2010
(Ilustração de Stefan)
Os fundos de investimentos devem se tornar a melhor alternativa para investidores conservadores em 2010, caso o projeto que muda as regras de tributação da caderneta de poupança seja de fato aprovado pelo Congresso Nacional. "Não tenha dúvidas: os fundos de investimentos serão bem mais rentáveis do que a poupança", diz José Nicolau Pompeu, economista da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Para ele, além da tributação sobre a poupança, os fundos serão mais atrativos porque os bancos deverão reduzir suas taxas de administração, spread e também o valor inicial de aplicação. A exemplo do governo, explica Pompeu, não interessa aos bancos uma migração em massa para a poupança. Isso porque as instituições não ganham nada com a administração das cadernetas - ao contrário dos fundos. Então, a ordem para elas é reduzir o custo de administração e manter ou atrair clientes.
"Pela primeira vez os bancos vão sair da mamata de ganhar com taxas de administração sem ter muito trabalho", avalia Adriano Gomes, professor do departamento de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). O economista acrescenta, porém, que a poupança continuará atrativa "para quem tiver perfil conservador e menos de 50.000 reais" - valor a partir do qual a aplicação deverá ser taxada.
Dinheiro emprestado - A proposta que criará novas regras para a poupança ainda não tem data para ser votada no Congresso Nacional. Mas até líderes da oposição avaliam que a mudança deve ser aprovada. Por isso, o mais provável é que ela passe a vigorar em janeiro de 2010.
Por trás da alteração está a necessidade do governo de financiar seu déficit. Para cobrir o rombo de suas contas sem emitir dinheiro e produzir inflação, ele vende títulos que formam os fundos. Não interessa a Brasília, portanto, uma migração de investidores dos fundos para a poupança.
O problema todo começou após o estouro da crise financeira mundial e as sucessivas e consequentes quedas da taxa básica de juros (Selic) - que remunera os titulos públicos. Até o fim do ano, de acordo com relatório Focus, realizado semanalmente pelo Banco Central, a Selic deve cair para 8,75% - o que em tese aumentaria as vantagens de se investir na poupança.
Além disso, há diferenças na composição de rentabilidade e custos. A poupança rende mais de 0,5% ao mês, e sobre ela não incide nenhuma taxa de administração. Por outro lado, sobre os rendimentos dos fundos, há cobrança de imposto de renda, além das taxas de administração que chegam a 4%.
As mudanças na poupança preveem que os investidores com mais de 50.000 em caderneta pagarão imposto de 40% sobre o rendimento que exceda aquele valor. Por exemplo: uma aplicação que soma 60.000 reais pagará imposto sobre rendimentos relativos a 10.000 reais.








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