01/02/2009 - 17:41
  • compartilharCOMPARTILHAR
  • imprimirIMPRIMIR
 

Ativismo

Fórum Social termina em Belém prevendo a morte do capitalismo

Com agência Reuters

A maior reunião de ativistas de esquerda do mundo chegou ao fim neste domingo, após seis dias de discussões e manifestações que, segundo os participantes, mostraram haver uma alternativa ao abalado sistema capitalista global.

O Fórum Social Mundial atraiu cerca de 100.000 ativistas à cidade de Belém, desde comunistas protestando contra o "imperialismo" dos EUA até ambientalistas e socialistas moderados.

Agendado para coincidir com o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o evento deste ano recebeu um número recorde de chefes de governo, motivados para exibir suas credenciais de esquerda na esteira da crise financeira global.

"As pessoas veem o capitalismo como incapaz de se manter firme, e existe a esperança de que não consiga", disse Shannon Bell, professor de política da Universidade de York, em Toronto, que compareceu a encontros sobre "eco-socialismo" no fórum.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gastou cerca de 50 milhões de dólares no evento e trouxe uma dúzia de ministros de primeiro escalão. Quatro outros presidentes sul-americanos - de Venezuela, Bolívia, Equador e Paraguai -também compareceram e foram recebidos como heróis.

Em vez de tomar decisões vinculantes, o principal papel do fórum é criar uma grande rede de contatos e a oportunidade de discussões entre os ativistas. A crise global foi um tema comum, e para muitos ela evidenciou que o capitalismo de livre mercado está em seus últimos passos.

"O lado financeiro do mundo nunca foi a parte que realmente o movimentou. O mundo é movido pelas pessoas", disse Luis Fabiano Celestrino, de 35 anos, um auto-declarado "idealista" e membro do grupo vegetariano Revolução da Colher.

"O Fórum Social Mundial mostra o que as pessoas estão pensando sobre o problema mais básico, e só ouvir propostas para resolvê-lo já vale a pena", acrescentou.

O fórum é bastante diversificado. A poucos metros de onde bispos católicos discutiam direitos humanos no sábado, um jovem vestido como um xamã cambaleava, aparentemente sob a influência de álcool ou drogas.

Natanael Karajá, um índio de 26 anos da tribo Carajá ostentando um cocar chamativo e pinturas corporais, bebia Coca-Cola e era entrevistado pela MTV.

"Este fórum foi muito importante porque é um lugar onde todo cidadão é respeitado", disse ele. "No Brasil, políticos, empresários e fazendeiros não têm respeitado os direitos dos índios, garantidos pela Constituição de 1988."

Mas Mzonke Poni, um ativista de 30 anos da África do Sul, se preocupava porque grupos governamentais e não-governamentais estavam tomando de assalto um fórum que deveria ser baseado no diálogo popular.

"Não estou certo do quão produtivo isto vai ser para o ativismo popular em termos de influência direta", disse Poni a respeito de um evento na quinta-feira no qual quatro presidentes - Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) - fizeram longos discursos.

 

Conteúdos relacionados


  Em VEJA desta semana: O velho Marx vai a Davos

Comentários


comentar

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais(e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para aprovação de comentários no site de VEJA
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados