Brasil
Tragédia em Santa Catarina
Famílias tentam voltar para casa
Por Duda Teixeira, de Santa Catarina

A cidade de Itajaí teve 90% do seu território inundado pela água no domingo, dia 23. Nos dois dias que se seguiram, a população faminta protagonizou cenas trágicas, ao saquear supermercados em busca de comida. Hoje, já com as ruas secas, as famílias começaram a voltar lentamente para suas casas. Sem qualquer pedido ou ordem oficial, depositaram colchões, mesas, sofás, cadeiras, armários de cozinha e bichos de pelúcia na calçada. Todas as coisas que foram encharcadas pela água barrenta estão agora na rua, à espera de que alguém as recolha. Itajaí está polvilhada por essas pilhas de entulhos.
Não dava para ficar com isso em casa porque ia esfarelar tudo, diz o caminhoneiro Mário Fernandes, 36 anos e pai de quatro filhos (foto abaixo). A água chegou a dois metros de altura na sua casa, que fica no Jardim Esperança. Ao ver o nível subir, Mário levou eletrodomésticos e roupas para o andar de cima, onde mora sua sogra Edite. Os sofás, armários e móveis que ficaram embaixo foram perdidos. O andar térreo da casa, onde viviam cinco pessoas, hoje está praticamente vazio. Não há camas ou outros móveis. Salvaram-se apenas uma geladeira, um fogão, três bicicletas e uma moto.
Mário vai diariamente com sua filha Priscila e a sogra para um posto de distribuição de alimentos funcionando provisoriamente em um prédio do corpo de bombeiros. Há três filas: uma para receber colchões, uma para roupas e outra para alimentos. É preciso chegar cedo, seis horas da manhã, para conseguir sair com comida na hora do almoço. Para ganhar um colchão, um dos itens mais procurados, deve-se preencher um cadastro e esperar.
Há nove postos de distribuição como esse em Itajaí. Apesar das longas filas que se formam na calçada, a expectativa dos organizadores é que toda a população seja atendida. Caminhões com mantimentos chegam de todo o país. Apenas no posto do Jardim Esperança, havia 70 pessoas ajudando a descarregar, separar e entregar as coisas. Na terça-feira, éramos apenas cinco. Muita gente pediu para ajudar, diz Silvio Bastos Alves, assessor da secretaria de habitação que foi convocado para coordenar a distribuição no centro.
Nas ruas de terra dos bairros mais pobres de Itajaí, voluntários dirigindo suas próprias caminhonetes distribuem bolachas e garrafas de água diretamente para as famílias mais necessitadas.








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