Rio de Janeiro
Famílias mantêm esperança de encontrar sobreviventes
Entre os desaparecidos, está um homem de 25 anos que fez contato por celular às 3h com a namorada. Possibilidade de formação de bolhas de ar sob os destroços motiva busca por pessoas vivas
Bombeiros retiram corpo dos escombros nesta manhã (26/01) do desabamento de 3 prédios no Rio de Janeiro, na noite do dia 25 de janeiro (Ari Versiani/AFP)
“Diferentemente de deslizamentos de terra, em desabamentos de prédio formam-se bolhas de ar. Por isso não podemos bater na estrutura. Junto a cada operador de máquina trabalha um profissional encarregado de tentar localizar sobreviventes ou corpos”, explicou Mota
Apesar das chances remotas de encontro de sobreviventes, algumas famílias de desaparecidos mantêm as esperanças. A Câmara Municipal do Rio, que fica próxima ao local do desabamento dos três prédios na Avenida 13 de Maio, foi transformada em uma base de apoio para quem procura informações sobre desaparecidos. O subsecretário de Defesa Civil do município do Rio, Márcio Mota, afirma que as chances de encontrar pessoas vias nos escombros, apesar de pequena, é levada em conta pelos profissionais envolvidos no resgate.
“Diferentemente de deslizamentos de terra, em desabamentos de prédio formam-se bolhas de ar. Por isso não podemos bater na estrutura. Junto a cada operador de máquina trabalha um profissional encarregado de tentar localizar sobreviventes ou corpos”, explicou Mota.
Francisco Adir, 58 anos, acompanhava o filho na manhã desta quinta-feira no local do desabamento. Um amigo do rapaz, chamado Fábio, de 25 anos, estava no prédio de 20 andares no momento da tragédia. Fábio, que trabalhava com informática em um dos escritórios do prédio, fez uma ligação de seu celular às 3h, para a namorada. “Ele disse ‘oi, amor’ e não conseguimos mais contato”, explicou Adir. “Acreditamos que ele esteja vivo, e pode ter ficado sem bateria ou com o aparelho quebrado”, disse.
A partir da Câmara Municipal, as famílias de desaparecidos são levadas para o Instituto Médico Legal em uma van, onde é feito reconhecimento de corpos. Sandra Maria Ribeiro Lopes, 40 anos, foi pela manhã procurar notícias do pai, Cornélio Ribeiro Lopes, 73. Ele era porteiro do edifício Liberdade, o mais alto e primeiro a desabar, há mais de 20 anos. “Pelo que soube, encontraram o celular dele no bolso de um corpo. Perdemos a esperança de encontrar meu pai com vida”, disse.
Edilberto Tavares, 46 anos, procura pelo irmão, Amaro Tavares da Silva, 43, analista de sistemas. Amaro trabalhava há pouco mais de um ano no edifício liberdade, como analista de sistemas. “Minha mãe ligou hoje dizendo que ele não aparecer em casa. Enquanto não soubermos dele, ficaremos todos apreensivos”, disse.
A doméstica Vera Lúcia Freitas fez um apelo aos envolvidos no resgate. Segundo ela, pode haver mais desaparecidos ainda não incluídos oficialmente na lista da Defesa Civil. Vera esteve na noite de quarta-feira no edifício Liberdade momentos antes da tragédia. “Vim falar com meu sobrinho, que é catador. Ele estava com outros três catadores. Acredito que mais gente pode ter ficado sob os escombros”, alertou. Vera percebeu que caiam pequenas pedras do edifício e correu. Segundos depois, não havia mais a construção.



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