20/11/2008 - 15:26
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BB compra a Nossa Caixa

Para especialistas, sistema se fortalece

Por Luiz de França

O mês de novembro foi marcado por dois grandes anúncios no setor financeiro brasileiro. Depois da união das operações financeiras do Itaú e do Unibanco para a formação do maior banco do país, o Banco do Brasil resolveu antecipar as negociações e desembolsar pouco mais de 5,3 bilhões de reais para a compra de parte da Nossa Caixa, banco estatal do governo paulista. Anúncios como esse sempre agitam o mercado e aumentam especulações sobre os próximos passos da concorrência. Ao consumidor, a pergunta que fica é: o que muda com esse negócio?

De acordo com Ricardo Anhesini, sócio e responsável pelo setor financeiro da consultoria KPMG, o país e o sistema financeiro saem ganhando, porque passam a contar com um mercado mais forte e com empresas mais robustas. "Não vejo que essa consolidação venha representar um prejuízo aos clientes, como já foi dito por aí, porque ainda há uma gama muito grande de empresas financeiras no mercado", disse Anhesine em entrevista a VEJA.com, se referindo à possível formação de um cartel que passaria a controlar as tarifas bancárias.

Na avaliação do economista, os únicos que certamente sairão perdendo serão os funcionários. "Toda fusão busca uma sinergia com mais eficiência, evitando a duplicação de estruturas. Portanto, é natural que haja enxugamento de quadro nos pedaços onde tem excesso." Na opinião de Anhesini, o negócio entre o Banco do Brasil e a Nossa Caixa, que já tinha sido anunciado havia alguns meses, tomou um impulso adicional com a fusão do Itaú-Unibanco, que rebaixou o banco estatal para o segundo lugar no ranking dos maiores bancos.

"É natural que o BB lute pela manutenção da liderança no setor, até por questão de políticas econômicas que envolvem as ativades de linhas de crédito para os vários setores da economia, como o crédito rural." Segundo Anhesini, o interesse do banco federal pelo paulista passou pela representatividade do banco no estado de São Paulo e por "uma série de outros interesses de economia pública". No entanto, a aquisição do BB não será suficiente para retornar ao primeiro lugar da lista. Com a junção dos bancos, o BB passaria a ter um ativo de 498,1 bilhões de rais, ainda atrás do Itaú-Unibanco, com 575,1 bilhões.

Reação - O anúncio da fusão entre o Itaú e o Unibanco pegou de surpresa o mercado, que vive um momento de crise econômica global, mas nem por isso foi desacreditado no meio. "A crise pode ser uma ótima oportunidade de négócios", afirma o presidente do Conselho de Administração da Julio Sergio Cardozo e Associados, Julio Sergio Cardozo. "Essa fusão tem tudo pra dar certo porque são dois bancos com vasta experiência em fusão ao longo de sua existência", disse ele a VEJA.com.

Cardozo sugere que a próxima reação no mercado deverá vir do Bradesco, que estaria incomodado com a perda do status de o maior banco privado do país e a terceira colocação no ranking. "É a primeira vez que isso acontece desde que o banco conquistou o posto de liderança, há muitos anos." Ele não aposta em uma fusão no modelo Itaú-Unibanco porque esse tipo de negócio não é da natureza do ex-líder. "O Bradesco nunca dividiu poder, ele sempre comprou e absolveu todos os bancos que adquiriu. Acho que o caminho será comprar algum banco estrangeiro que esteja com crise lá fora e queira fazer caixa se livrando das agências aqui", especula.

Outros negócios - Não é apenas do setor bancário que podem vir novos movimentos de fusões e aquisições no futuro próximo. Cardozo arrisca alguns outros, como os setores de educação, saúde e energia. Por outro lado, três outros setores não devem ter nenhuma grande novidade nesse sentido a médio e longo prazo: siderurgia, construção civil e aviação executiva. "A explicação é simples: se há redução nas vendas de carros e eletrodomésticos, cai o lucro das siderúrgicas; na construção civil, as pessoas estão com medo de se endividar e evitam comprar imóveis nesse momento; e por último, a produção de jatos executivos, que tiveram vários pedidos cancelados porque as pessoas estão assustadas com a crise."

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