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Especialistas dão dicas para quem deseja passar o ano longe da crise

10/02/2009 09:05

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Por André Pontes

Nos primeiros meses de cada ano, muitas pessoas fazem um planejamento detalhado de suas finanças para chegar a dezembro com as contas em dia. Em meio à crise financeira internacional, a tarefa tornou-se ainda mais importante. VEJA.com consultou especialistas para reunir recomendações e dicas para quem pretende se programar. A sugestão mais ouvida: evite ao máximo entrar no cheque especial ou fazer dívida no cartão de crédito.

Para William Eid, coordenador do Centro de Estudos de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o grande segredo para 2009 é entender que o ano será perigoso para todo mundo. "As pessoas devem entender que o ano terá mais riscos que o habitual. A crise deverá produzir efeitos pesados no país, com problemas de caixa, taxa de juro elevada, desemprego... Não se pode nem pensar em endividamento nesta hora. É preciso produzir uma reserva adequada para o futuro", explicou o economista.

'ABCD' - Para economizar e evitar dívidas futuras, a dica é não entrar em financiamentos e olhar sempre para os juros ao pensar em atrasar uma conta. Quando uma pessoa entra num parcelamento, ela está simplesmente antecipando o consumo, apostando que a trajetória profissional vai ser tão boa ou melhor que a atual. "Hoje, porém, não se pode fazer esse plano, pois estamos no meio de uma crise", diz Frederico Turolla, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Na hora de planejar, é preciso colocar no papel uma estimativa de despesas. As contas, explica William Eid, são classificadas pelos seguintes tipos: alimentícia, básicas (luz e água, por exemplo), contornáveis e dispensáveis. "É a famosa regra do 'ABCD'. Tem que anotar tudo para ver se o gasto é importante, fazer a reorganização orçamentária da família e, se possível, economizar em torno de 15% do salário. Esse dinheiro pode ser retirado dos contornáveis e dispensáveis."

Consciência - A reserva financeira, ressalta o especialista, é essencial. "Caso aconteça o imprevisto e você seja mandado embora, tem esse dinheiro separado para segurar um período razoável de desemprego. É por isso que a classificação ABCD é importantíssima neste momento", diz o consultor financeiro. O professor de finanças Liao Yu Chieh, do Ibmec São Paulo, acredita que consciência é a palavra chave para chegar em dezembro de 2009 com uma relativa folga.

"Você não pode gastar mais do que ganha. Se a pessoa que vai tirar férias no meio do ano trocar a viagem por um lugar mais perto ou um hotel menos sofisticado, ela já fez o esforço, já economizou. Não é preciso deixar de viajar para economizar", lembra Chieh. Outra forma de se precaver é não se endividar ao pagar contas. "É melhor tirar o dinheiro aplicado do que ir parar no cheque especial para pagar alguma conta", diz Frederico Turolla.

Bonança - Para reforçar a importância de se guardar dinheiro, William Eid citou o caso da China. "Eles se prepararam para uma crise como essa. O país tem muito dinheiro guardado. Já o Brasil, nessa época de bonança, aumentou seus gastos e agora não tem nada para investir. Vamos entrar na crise e sofrer", prevê ele. Para as famílias é a mesma coisa. A mais preparada enfrenta a crise e, no fim, tem uma vantagem competitiva. "Afinal, a crise é uma mistura de perigo com oportunidade", diz Eid.

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