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Delator reafirma que Dirceu recebeu R$ 4 milhões em propina a mando de Duque

Segundo Julio Camargo, foram 2 milhões de reais entre abril de 2008 e abril de 2009, 1 milhão de reais entre julho e agosto de 2010 e o restante na forma de afretamento de jatinhos

Por: Laryssa Borges, de Brasília - Atualizado em

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, durante audiência que ouve os presos da operação Lava Jato na CPI da Petrobras, no prédio da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, na manhã desta segunda-feira (31)
"Em um determinado momento o doutor Duque me chamou e disse 'Julio, da nossa conta corrente existente, quero que você destine 4 milhões de reais ao ministro José Dirceu'", narra Julio Camargo(Vagner Rosário/VEJA.com)

O lobista Julio Camargo, delator da Operação Lava Jato, voltou a afirmar nesta sexta-feira que repassou 4 milhões de reais em propina ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O dinheiro sujo foi recolhido, segundo Camargo, a mando do ex-gerente de Serviços da Petrobras Renato Duque e pago de forma parcelada: foram 2 milhões de reais entre abril de 2008 e abril de 2009, 1 milhão de reais entre julho e agosto de 2010 e o restante foi pago a partir de uma conta de afretamento de jatinhos que o petista utilizava. Essa não é a primeira vez que Camargo cita Dirceu como destinatário da propina do petrolão. Em audiência nesta sexta, o juiz Sergio Moro censurou o executivo por não ter citado a participação do ministro nos depoimentos iniciais de delação premiada.

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De acordo com o delator, em uma reunião no escritório da Petrobras por volta de 2008, Duque pediu expressamente que parte do dinheiro sujo usualmente destinado à diretoria de Serviços fosse repassada a Dirceu. "Paguei ao senhor José Dirceu por solicitação do doutor Renato Duque. Não se refere a um contrato específico. Recebi uma solicitação do doutor Renato Duque. Nós tínhamos uma espécie de conta corrente sobre valores referentes a contratos a serem pagos à área de Serviços", explicou. "Em um determinado momento o doutor Duque me chamou e disse 'Julio, da nossa conta corrente existente, quero que você destine 4 milhões de reais ao ministro José Dirceu'", disse o delator.

Apesar das explicações, Julio Camargo disse que nunca conversou diretamente com Dirceu sobre o pagamento de propina. Segundo ele, o lobista Milton Pascowitch ou o faz-tudo do petista, Roberto 'Bob' Marques, faziam o encontro de contas e recolhiam o dinheiro. Em um dos casos, Pascowitch questionou: "O Duque já falou com você sobre os 4 milhões [de reais] do Zé?". Sempre em dinheiro vivo, a propina foi paga em oito ou dez vezes a Dirceu, com parcelas, na versão de Camargo, de até 150.000 reais.

No depoimento ao juiz Sergio Moro, Julio Camargo explicou que José Dirceu era um "interessado nos assuntos Petrobras", mas que "ele [Dirceu] nunca conversou sobre propina". Ainda assim, o delator afirmou ter elementos para afirmar que o petista sabia perfeitamente que recebia dinheiro sujo desviado de contratos da petroleira. "Na minha frente, as conversas que eu presenciei foram conversas de âmbito geral de problemas da companhia Petrobras. Ele nunca disse para mim 'eu estou precisando de alguma coisa', mas o ambiente mostrava que [havia propina] dentro da regra do jogo, que era uma regra conhecida não só pelos empresários mas pelos políticos também, o que me faz crer ser uma prova que o ministro sabia que aquilo que ele havia solicitado ao diretor Renato Duque eu estava cumprindo. Essa era a minha sensação", detalhou.

Segundo o Ministério Público, entre 2009 e 2014, a JD Consultoria movimentou mais de 34 milhões de reais, mas "nenhum estudo ou projeto fora efetivamente apresentado ou demonstrada a real prestação do serviço". Em depoimento no acordo de delação premiada que fechou com a justiça, o lobista Milton Pascowitch admitiu que os serviços de consultoria vinculados à empresa de Dirceu eram "apenas a instrumentalização de pagamentos [de propina] sem qualquer contraprestação". Para o MP, o caixa do ex-ministro mensaleiro foi generosamente abastecido por meio de contratos simulados de consultoria com empreiteiras que atuavam na Petrobras, em especial a Engevix, OAS, UTC, Odebrecht, Galvão Engenharia e Camargo Correa.

Na lavanderia de Dirceu, tanto o petista quanto os lobistas Olavo e Fernando Moura recebiam parcelas de propina por meio do operador Milton Pascowitch e das empresas Hope e Personal, que atuavam na terceirização de serviços na Petrobras. Outra forma de receber dinheiro sujo era por meio do pagamento de despesas de voos fretados custeadas pelo lobista Pascowitch. Na avaliação da força-tarefa da Operação Lava Jato, o próprio Dirceu adquiriu, com dinheiro de propina, um avião Cessna Aircraft 560 XL. A parte do petista na transação foi quitada pela empresa Jamp Engenharia, de Pascowitch, mas depois o próprio ex-ministro teria cobrado a reposição dos valores de propina.

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Operação Lava Jato