Tarja para o tema Escândalos do governo Dilma

Escândalo no Turismo

Dilma: "Escolhas políticas não desmerecem governo"

Presidente tenta justificar troca de um afilhado de Sarney por outro no comando do Ministério do Turismo; posse de Gastão Vieira teve acesso restrito

Adriana Caitano
Dilma e Vieira: "É com políticos, partidos e técnicos que se governa um país complexo como o Brasil"

Dilma e Vieira: "É com políticos, partidos e técnicos que se governa um país complexo como o Brasil" (Roberto Stuckert Filho/PR/VEJA)

Ao dar posse ao novo ministro do Turismo, Gastão Vieira, em solenidade na tarde desta sexta-feira, no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff tentou justificar a troca de Pedro Novais pelo deputado federal. Tanto o novo ministro como seu antecessor são do PMDB do Maranhão e ligados ao presidente do Senado, José Sarney - que, aliás, era um dos poucos convidados a prestigiar a cerimônia, fechada à imprensa e com acesso restrito.

"Escolhas políticas não desmerecem nenhum governo. É com políticos, partidos e técnicos que se governa um país tão complexo como o Brasil. A política bem exercida é uma atividade nobre e imprescindivel para a atividade democrática", disse a presidente em discurso. 

Dilma destacou a experiência do novo ministro nas áreas de educação e planejamento para afirmar que, apesar dos desafios, tem confiança no desempenho dele por serem áreas próximas ao Turismo. "Tenho certeza que uma pessoa que tem essa paixão pela educação tem grande contribuição a dar. O senhor vem de uma área contígua e muito próxima, que vai trazer grande agregação e valor para o Turismo", prosseguiu Dilma, dirigindo-se a Gastão Vieira.

Pedro Novais, que caiu após revelações de mau uso do dinheiro público, não compareceu à solenidade e mereceu da presidente apenas uma breve menção.  

Desafios - Em sua fala, a presidente lembrou que há desafios pela frente para o novo titular da pasta, mencionando a Copa das Confederações, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que vão atrair grande número de turistas. E tocou em uma questão delicada: o crescimento do tráfego aéreo no Brasil - setor que será posto à prova com a proximidade dos eventos esportivos. 

"Tenho certeza que este dia 16 de setembro, que está a 1 000 dias da Copa, traz bons augúrios para o senhor e que nós vamos cumprir nossas obrigações na área do Turismo, provendo o país de infraestrutura e de serviços adequados", disse a presidente. "Há muito o que fazer para melhorar a qualidade do atendimento ao turista. Há muitos desafios, pode contar comigo e com meu governo para enfrentá-los".

Medo - Gastão Vieira foi breve. Agradeceu ao vice-presidente Michel Temer e disse que ficou "assustadíssimo" com o convite - irrecusável, segundo ele. "Eu estava com tanto medo que nem que quisesse diria não para a senhora (Dilma)", declarou. "Todos os meus medos foram acalmados pela minha missão".

O PMDB também foi lembrado no discurso. "Eu tenho noção do tamanho da minha responsabilidade e tenho gratidão pela confiança que recebi. Meu partido se uniu no momento da decisão e manifestou a este parlamentar a confiança para que eu o represente bem", disse.

Ao contrário do que ocorre normalmente, a cerimônia, rápida, foi fechada à imprensa. O Planalto informou que não haveria tempo de providenciar uma solenidade maior e que a presidente está se preparando para compromissos oficiais no Estados Unidos - ela embarca neste sábado para Nova York. 

O novo chefe do Turismo parece ter gostado de escapar do assédio da imprensa: "Agradeço por essa cerimônia simples. Prefiro que seja assim - a chegada simples e a saída cheia de sentimentos de dever cumprido".

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