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Rio de Janeiro

Dilma enfrenta protestos de estudantes e servidores no Rio

No primeiro dia oficial de campanha, prefeito Eduardo Paes evita os microfones. Governador, no entanto, faz campanha aberta para o aliado, que terá mais dois eventos para lançar projetos nesta sexta-feira. Servidores em greve cobram abertura de negociação

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro
Estudantes realizaram protesto durante discurso da presidente, Dilma Roussef na entrega de unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida na zona norte do Rio de Janeiro

Estudantes realizaram protesto durante discurso da presidente, Dilma Roussef na entrega de unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida na zona norte do Rio de Janeiro (Luiz Roberto Lima/Futurapress/VEJA)

Roberto Stuckert Filho/PR

Sérgio Cabral, Dilma Rousseff e Eduardo Paes durante entrega de unidades habitacionais do programa Minha casa Minha Vida no Rio de Janeiro

Sérgio Cabral, Dilma Rousseff e Eduardo Paes durante entrega de unidades habitacionais do programa Minha casa Minha Vida no Rio de Janeiro


A entrega de 281 apartamentos do programa Bairro Carioca, construído pelo Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, seria o pontapé ideal para a campanha de reeleição de Eduardo Paes no Rio de Janeiro. Com presença da presidente Dilma Rousseff e do governador Sérgio Cabral, o evento no bairro de Triagem, na zona norte, estava lotado de eleitores. Um tumulto provocado por um protesto de estudantes, no entanto, tirou o brilho da festa. Quando a presidente assumiu o microfone, a programação desandou. Um grupo de 20 pessoas abriu cartazes para cobrar que 10% do PIB sejam investidos em educação. Dilma fez um pronunciamento breve, tentando ignorar a confusão na plateia, mas era impossível não notar o estrago. Pouco mais de uma hora depois, na zona sul, outro protesto, este de servidores federais da educação e da saúde, transformou a agenda positiva da presidente em um dia incômodo no Rio.

“Querido, nós vivemos em uma democracia. Vocês querem o quê?”, respondeu Dilma, quando perguntada a respeito da manifestação no fim da manhã, na zona sul. A presidente, o governador e o prefeito inauguravam a Coordenação de Emergência Regional no Hospital Miguel Couto, no Leblon, zona sul do Rio.

Policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar chegaram ao local junto com a comitiva presidencial. Dilma entrou pelos fundos do prédio, enquanto os manifestantes, principalmente das áreas de saúde e educação, protestavam do lado de fora.

Manifestantes que estavam no local informaram que, na quinta-feira, houve uma reunião do comando regional dos servidores. Ficou combinado que, na inauguração da Coordenação de Emergência, haveria um protesto integrado por docentes, estudantes e servidores da saúde federal no Rio. Segundo participantes do protesto, o objetivo da ação era cobrar a abertura das negociações. Um dos motivos de irritação do grupo era o fato de ter sido cancelada uma reunião inicialmente marcada para 19 de junho, entre governo e sindicados nacionais. Por causa da Rio+20, o encontro foi desmarcado. Desde então, segundo os servidores, não foi estabelecida nova data para a reunião. Uma das faixas dizia “Negocia já, Dilma”. A presidente, ao chegar, encontrou o cenário tumultuado pelo protesto.

Mais cedo, no primeiro protesto, na zona norte, os manifestantes e segurança se enfrentaram e houve tumulto. Uma das estudantes, Gabrielle d’Almeida, que cursa nutrição na Uni-Rio, afirmou que um segurança, ao puxar o cartaz de sua mão, deu um soco em seu nariz. “Depois, quando tentei tirar uma foto do que estavam fazendo, tacaram meu celular no chão”, disse. Os estudantes tiveram de enfrentar também a revolta de parte dos moradores, que não gostaram da intromissão na entrega das novas casas. Copos d’água e papel foram jogados contra os manifestantes, que pertencem a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). 

O empurra-empurra continuou até o fim do evento. “Estamos dando mais um passo para colocar um tijolo na construção de um Brasil melhor. É o tijolo que Eduardo Paes, Sérgio Cabral e o governo federal estão colocando aqui”, disse Dilma, enquanto a confusão tomava conta da plateia. É a segunda manifestação de estudantes que Dilma enfrenta em apenas dois dias. Na última quinta, em São Bernardo do Campo, estudantes da Universidade Federal do ABC a receberam com camisas pretas e faixas de protesto. 

Silêncio - O prefeito Eduardo Paes, que só fará campanha a partir deste sábado, evitou fazer declarações no palco, durante a enterga dos apartamentos do Minha Casa, Minha Vida.. Na quinta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) respondeu a uma consulta do PMDB sobre a participação de Paes em inaugurações. No entendimento do tribunal não há ilegalidade, pois o período de restrições começa no dia 7 – três meses antes do primeiro turno das eleições municipais. O desencontro nos calendários de restrições e de campanha criou nesta sexta-feira uma janela para eventos desse tipo.

O maior cabo eleitoral de Paes foi o governador Sérgio Cabral. Com elogios rasgados à gestão do prefeito carioca – de quem foi o principal cabo eleitoral em 2008 – o governador bateu na mesma tecla da última eleição: o alinhamento dos governos federal, estadual e municipal. “A prefeitura assumiu o terreno da Light degradado, com produtos químicos que podem matar. O prefeito enxergou nesta área a possibilidade de criar um bairro. Quem dissesse isso seria taxado de maluco”, afirmou Cabral. “Foi o prefeito com a equipe dele que viu aqui a possibilidade de ter uma parte do Minha Casa, Minha Vida”.

O Bairro Carioca recebe, entre outros novos moradores, desabrigados das chuvas de abril de 2010, quando áreas de risco em favelas foram destruídas pelos deslizamentos de terra. Alguns perderam suas casas, outros precisaram sair depois que os imóveis foram interditados pela Defesa Civil.

Ainda nesta sexta-feira, Dilma, Cabral e Paes têm uma inauguração no Hospital Municipal Miguel Couto, na zona sul. O prefeito seguirá ainda para um terceiro lançamento: as obras do Parque Olímpico, na zona oeste. Esta será a última inauguração de obras do projeto olímpico do Rio. O parque será o principal ponto de concentração de competições em 2016.

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