Tarja para o tema José Alencar

Memória

Dilma e Lula prestam última homenagem a Alencar

Vestida de preto, presidente emociona-se ao ver o corpo do amigo; cerca de 10.000 pessoas compareceram a velório no Planalto

Luciana Marques
A presidente Dilma chega ao  velório de José Alencar acompanhada pelo ex-presidente Lula e pela ex-primeira-dama Marisa Letícia

Comoção: morte de Alencar fez Dilma abreviar viagem ao exterior (Roberto Stuckert Filho/PR)

"A última palavra não pertence à morte, pertence à vida", o religioso dom Dimas Lara reproduz frase de José Alencar 

Foi marcada pela emoção a passagem da presidente Dilma Rousseff pelo velório de José Alencar, no Palácio do Planalto, em Brasília. Ela chegou às 21h26 ao Salão Nobre e permaneceu por uma hora ao lado dos familiares do ex-vice-presidente. Conversou com a viúva Mariza Gomes da Silva e colocou a mão sobre a mão de Alencar.
 
Dilma estava acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da mulher de Lula, Marisa Letícia. Ao saberem da morte do amigo, na terça-feira, os três adiantaram a viagem de volta de Portugal. O ex-presidente chorou ao lado do caixão e beijou a testa de Alencar.
 
Uma missa estava prevista para a noite, mas foi cancelada. Houve apenas uma cerimônia religiosa, de 30 minutos, realizada por dom Dimas Lara, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com Salmos, leitura do Evangelho e orações. O ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, leu preces pedindo paz para os mortos. Dom Dimas lembrou que Alencar sempre disse não temer a morte e colocou a vida nas mãos de Deus. “Nosso irmão com certeza estava preparado”, concluiu o religioso. Dom Dimas repetiu uma frase dita pelo ex-vice-presidente: "A última palavra não pertence à morte, pertence à vida." 
 
Com a chegada da presidente Dilma, autoridades que compareceram ao Salão Nobre no início da manhã retornaram ao local. Outros chegaram ao velório somente à noite, como o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso. Casagrande disse que a história de Alencar vai orientar muitos brasileiros porque ele era um homem "determinado e valente que agregou todo o mundo".
 
O médico de Alencar, Raul Cuitat, disse que o ex-vice sempre acreditou que superaria os obstáculos da doença e tinha amor à vida. Segundo ele, a despedida será física, e não emocional. “Nenhum médico gosta de se despedir do paciente. Os médicos sempre aprendem com seus pacientes”, declarou. O ministro do STF Luiz Fux também expressou seus sentimentos aos parentes de Alencar. “Ele deixa um exemplo magnífico como chefe de família e homem público dedicado”, afirmou.
 
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, lembrou de momentos vividos com Alencar no Palácio do Planalto, quando a jornada se estendia tarde da noite. "Ele e o Lula diziam: Gilbertinho vai buscar um goró para nós. E eu trazia uma cachacinha", disse.  
 
Dilma e Lula confirmaram presença no velório de Alencar no Palácio da Liberdade nesta quinta-feira. Cerca de 10.000 pessoas, entre autoridades, empresários, religiosos, jornalistas e populares despediram-se de Alencar no Palácio do Planalto até as 23h. 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados