Mulheres
Dilma diz que homens têm que ajudar nas tarefas domésticas
Em discurso na 1ª Cúpula de Mulheres Chefes de Estado, a presidente diz que este é um trabalho invisível, que deve ser "compartilhado e reconhecido". Documento aprovado nesta quinta tem como prioridade os direitos reprodutivos banidos do texto oficial da conferência
Dilma participou de reunião com outras líderes mundiais para alertar para a contribuição feminina no desenvolvimento (Paulo Whitaker/Reuters)
"Precisamos enfrentar lutas antigas, mas necessárias. Em especial, o igual acesso a trabalho, à salario e à defesa física contra a violência."
Dilma Rousseff
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira, na solenidade de abertura da 1ª Cúpula de Mulheres Chefes de Estado, no Riocentro, que a maior participação das mulheres no mercado de trabalho deve ser acompanhada do "engajamento dos homens nas tarefas domésticas e no cuidado não remunerado dos filhos". Em seu discurso, Dilma classificou essas tarefas como "um trabalho invisível que deve ser compartilhado e reconhecido", e lembrou que as mulheres são a face principal da pobreza no mundo, junto com as crianças.
"Temos nossas conquistas, mas ainda é preciso avançar", disse a presidente. "Precisamos enfrentar lutas antigas, mas necessárias. Em especial, o igual acesso a trabalho, salário e defesa física contra a violência. O empreendedorismo deve ser facilitado por instrumentos de crédito, assistência técnica e propriedade, e protegido da desordem avassaladora das crises financeiras, que precarizam direitos e querem fazer voltar atrás a roda da história", afirmou.
Direitos reprodutivos - Dilma defendeu os direitos sexuais e reprodutivos da mulher no evento, organizado pela ONU Mulheres. Mas, na condição de presidente de honra da Rio+20, optou por um pronunciamento sóbrio. Diante da presidente da instituição, Michele Bachellet, Dilma não avançou nas declarações sobre a supressão do trecho que protegia o direito reprodutivo das mulheres no documento da Rio+20. Presidentes, primeiras-ministras e ex-primeiras-ministras da Lituânia, Costa Rica, Austrália, Dinamarca, Finlândia e Noruega não tocaram no assunto, justamente no encontro onde eram esperadas as reações mais inflamadas contra este aspecto da versão final do documento. Bachellet, como Dilma, só citou o direito à reprodução. E justificou que é importante defender o direito das mulheres "em todas as suas liberdades". "Não dá para dividir a mulher por partes", disse a ex-presidente do Chile.
A ex-primeira ministra da Irlanda Mary Robinson foi uma das poucas a se posicionar diretamente sobre o tema. “Nos documentos do Cairo e de Pequim há referências claras ao direito de reprodução. É uma pena este documento da Rio+20 não fazer referência tão clara”. E acrescentou: “Fazer isso é um sinal que não é necessário às mulheres do mundo hoje”.
A retirada da menção aos direitos de sexualidade e reprodução femininos foi pedido em especial pelo Vaticano, por, de forma velada, abrir espaço para o aborto. O texto encaminhado aos chefes de estado substituiu o trecho que se referia à promoção de "direitos de sexualidade e reprodução" por "serviços de saúde" da mulher. As organizações sociais e as integrantes da ONU Mulheres pleiteavam uma postura mais incisiva sobre os direitos reprodutivos, incluindo acesso a educação sexual e saúde. O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, chegou a afirmar durante a semana que ficou frustrado ao ter de retirar o termo do documento. "Estou particularmente frustrado pela exclusão do termo, mas o papel do Brasil como anfitrião é de buscar o consenso", disse.
A expressão retirada do texto oficial da conferência está explicitada no documento intitulado "Chamado à Ação", aprovado na cúpula das mulheres. Elaborado pela ONU Mulheres, o documento acentua a necessidade de “tomar medidas urgentes para garantir o gozo pleno de todos os direitos humanos e as liberdades fundamentais das mulheres. Incluindo o direito sexual e a saúde reprodutiva".
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