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24/06/2010 - 07:00
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Causas da Tragédia

Desastre poderia ter sido evitado

Especialistas mostram que governo federal deixou de investir em prevenção

Adriana Caitano
O ex-ministro Geddel Vieira Lima sopra a vuvuzela: verbas foram para a Bahia, onde ele disputa o governo do estado.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima sopra a vuvuzela: verbas foram para a Bahia, onde ele disputa o governo do estado. (AE)

Alagoas não recebeu um centavo sequer em 2010 para ações de prevenção de desastres. Pernambuco ficou somente com 0,24% do total da verba.

No último ano, o Brasil tem sido vítima de desastres naturais que, em número de mortes, não podem ser comparados aos efeitos de furacões e terremotos. Mas têm deixado um rastro de destruição. A diferença é que, por aqui, o algoz é cíclico e tem época mais ou menos pré-definida para chegar: a chuva.
 
Especialistas ouvidos por VEJA.com dizem que, longe de estar preparado, o país parece sempre ser pego de surpresa. Um dos sintomas do despreparo, para eles, é que os governantes logo se apressam em destinar recursos emergenciais para as áreas atingidas, mas gastam mal os recursos disponíveis para prevenir os efeitos de enchentes - o que sairia mais barato e traria menos sofrimento às vítimas.
 
Um levantamento feito nesta semana pela ONG Contas Abertas registrou que o Ministério da Integração Nacional utilizou somente 14% dos 508,3 milhões de reais previstos para a prevenção e preparação de desastres em 2010. Já o programa de resposta aos desastres e reconstrução recebeu, de janeiro a junho, 535 milhões de reais. Ou seja, os gastos para remediar o problema foram sete vezes maiores que os preventivos.
 
A ONG também denunciou que Alagoas, um dos locais mais castigados pela chuva, não recebeu um centavo sequer em 2010 para ações de prevenção de desastres como o que atingiu 27 municípios do estado na última sexta-feira. Pernambuco, onde 54 cidades foram afetadas, ficou somente com 0,24% do total da verba. Enquanto isso, 56,85% dos recursos do país foram para a Bahia - estado em que o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira, que deixou o cargo no fim de março, pretende disputar o governo.
 
Relatório - Em abril deste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez uma auditoria na Secretaria Nacional de Defesa Civil e constatou que não há transparência nem agilidade na execução das ações do órgão. O relatório apontou que os recursos aprovados para socorrer as cidades afetadas por desastres demoram em média 98 dias para chegar à conta bancária do município e a distribuição não tem seguido critérios técnicos claros: de 2004 a 2009, 55,1% do total da verba destinada à prevenção de desastres ficou concentrada na Bahia, em Santa Catarina e em Mato Grosso.
 
Após as constatações, o tribunal recomendou que a secretaria "adote e divulgue critérios objetivos para a distribuição de recursos para obras preventivas, de forma a garantir que sejam alocados nas áreas que apresentem maior risco e contribuam para mitigar os prejuízos humanos e materiais resultantes de eventos naturais adversos". O procurador Marinus Eduardo Marsico, representante do Ministério Público no TCU, lembra que o tribunal só pode exigir a devolução dos recursos quando comprova que houve prejuízo ao erário ou descumprimento das normas. "O que é possível é dar recomendações para um melhor planejamento orçamentário, mas, se elas estivessem sendo seguidas, nada disso estaria acontecendo", lamenta.
 
O especialista em gestão pública da Universidade de Brasília (UnB), José Matias Pereira, acredita que, como esses fenômenos naturais são cíclicos, se houvesse investimentos eficientes em um programa de prevenção, com obras que têm começo e fim, o desgaste para a sociedade seria menor. "Problemas de desmoronamento de encostas, por exemplo, são previstos por estudos em universidades com muita antecedência, os gestores públicos é que se negam a enxergar a necessidade de evitar isso, eles sempre assumem a postura de empurrar com a barriga, como se nada fosse acontecer, mas uma hora acontece e eles correm atrás depois", critica.

Comentários


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humberto

sim,o governador do rio é o responsavel pela tragedia ,ele e os prefeitos, as verbas federais chegam,no governo de fhc ,nunca se fez nada, nem no governo de lula, resta agora todos inclusive a veja tomarem vergonha e discutir um plano ,para as proximas chuvas de verao de 2012.

17.01.2011

eilane rocha

reportagem muito boa. parabéns

01.07.2010

Anthony

Pois é.. o dinheiro que sai, quando sai, de Brasília e para nas contas dos Collor de Mello, dos Vilelas, dos Bulhões, dos Caldas, dos Lessa ... INFELIZMENTE esse não é um "privilégio" dos alagoanos que, à mercê do destino, ficam literalmente a ver suas casas irem de água abaixo ou então seus animais morrerem de sede. Que pen(..)

27.06.2010

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Júnia

e o que faziam os Prefeitos e Governadores de lá? o mesmo que os de São Paulo? a tah...eu só queria entender!

26.06.2010

Rosana

Uma vergonha, gente desqualificada, desgoverno total, depois Lula com 85% de aprovaçao, e o NE coitado, a mercê de bandidos, mentirosos.Isso acontece porque nao há oposiçao, é por isso que eles nao ganham eleiçao, dexam passar tudo do desgoerno do PT, cadê a Opoisçao que nao contesta.

26.06.2010

abitencoort

como o presidente deixa acontecer uma coisa dessa? imagine se não fosse a sua terra natal.ah! me esqueci , agora ele é cidadão paulista

26.06.2010

Adonias

Claro que concordo em ajudar necessitados! Mas, eles precisam saber do IDH do estado deles, dos desvios das verbas destinadas a prevenção de desastres naturais e da corrupção encardida em TODOS os níveis e estruturas político administrativa de Alagoas. Urge que os informem que muito do ocorrido poderia ter sido evitado, e (..)

26.06.2010

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Francisco Sobrinho

Isso é proposital e intencional. Investir em prevenção requer planejamento, discussão , etc. Quando ocorre desastre, é só abrir a porteira, e os recursos são liberados a torto e a direito. É então que que o cofre dos políticos se enchem de dinheiro para financiar suas campanhas. Os "Calheiros" dá vida estão aí para não me(..)

26.06.2010

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Alex

Mas o governo nao deixou de investir no MST, nas mordomias, em propaganda eleitoral ilegal, no mensalao, nas contas bancarias deles... Esta catastrofes e mortes nao importam: O governo Lula tem aprovacao recorde do povo brasileiro. Tai o resultado.

25.06.2010

Nilza

Se era para sofrer que fosse Garanhuns. Pena que foram os vizinhos...

25.06.2010

Antonio da Matta

Que tal perguntar sobre as florestas ( totalmente removidas onde havia), matas ciliares( idem), praticas de conservação do solo (inexistente e desconhecida por lá), uso do solo urbano e rural ( totalmente indisciplinado).....a pior noticia é que NÃO vão aprender, o dinheiro que chegar ao final da linha vai ser (muito)MAL ap(..)

25.06.2010

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Alpas

Com todo respeito aos baianos mas a causa dessa tragédia foi uma baianada, ou melhor um baiano de nome Geddel.E vai ficar por isso mesmo?, ou vão ainda elege-lo governador?

25.06.2010

Débora Brandão

Não precisa falar mais nada... '' Um levantamento feito nesta semana pela ONG Contas Abertas registrou que o Ministério da Integração Nacional utilizou somente 14% dos 508,3 milhões de reais previstos para a prevenção e preparação de desastres em 2010. Já o programa de resposta aos desastres e reconstrução recebeu, de janeir(..)

25.06.2010

| Ler Mais

Telmo Heinen

Estas tragédias ocorrem, não é de hoje. "A natureza quando agredida ou violentada, não se defende. Se vinga!" O dia da vingança chegou. E ainda tem gente que contesta a aprovação de um Código Ambiental que inclua as cidades no respeito ao meio ambiente. Incrivel como tem gente defendendo a manutenção do Código Florestal, com(..)

25.06.2010

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