02/10/2009 - 21:43
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Olimpíada de 2016

Depois da vitória, o Rio tem um desafio

O Rio de Janeiro conquistou o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016 na tarde de sexta-feira. O placar foi folgado. A vitória, arrasadora. O poder econômico de Chicago, a eficiência de Tóquio e a história de Madri ficaram a comer poeira. O anúncio, feito pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, foi o reconhecimento de uma candidatura madura e realista – o corolário da força de uma economia estável e de uma nação politicamente pacificada.

No profissionalíssimo jogo em que se define o destino dos Jogos, nada é gratuito. Na reta final, os estrategistas usaram a influência de políticos e personalidades internacionais no corpo a corpo com os eleitores do COI. O vale-tudo pelos votos transformou Copenhague num desfile de celebridades.

Pelé jogou bola com crianças. Paulo Coelho ofereceu um almoço para a plateia feminina. Lula, parafraseando o "Sim, nós podemos" de Barack Obama, partiu para cima do que parecia ser o maior oponente. Não foi. Vencer a disputa pela sede dos jogos não é meramente uma questão de prestígio. O do presidente americano, incontrastável sob todos os aspectos, não o ajudou.

No final de tudo, valeram os atributos de um projeto mais consistente. Ai, sim, é que contou a união estabelecida entre o presidente Lula, o governador do Rio Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman. Os Jogos Olímpicos não são mais somente competições entre atletas. São espetáculos dotados de uma capacidade única de alavancar economias e transformar cidades. Essa é a força da vitória conquistada agora.

O Rio sintetiza, como poucas cidades no mundo, a alma, os sonhos, os ideais de um país. É, também, um exemplo de resistência. Depois de décadas de abandono e decadência, persiste, no Brasil e no exterior, como o símbolo do que temos - ou podemos ter - de melhor. Esse é o sinal que vem de Copenhague. A cidade está diante da chance histórica de transformar a saudade de um passado glorioso em projeto futuro.

O projeto carioca prevê um orçamento de mais de 14 bilhões de dólares (quase 25 bilhões de reais) - é correspondente ao que as outras três finalistas pretendiam gastar juntas. Mais de um terço desse dinheiro será investido somente na área de transportes. Portos, rodovias e aeroportos passarão por reformas e três linhas de BRT, um sistema de ônibus de alta performance, semelhante ao projeto Ligeirinho, de Curitiba, serão implantadas. Os novos traçados interligarão áreas da Barra da Tijuca, Zona Sul, Zona Norte e Centro do Rio.

A ideia é triplicar o uso de transporte de massa na cidade. Além disso, o COI espera pela revitalização da área do porto, o desenvolvimento de um parque para esportes radicais no bairro de Deodoro e investimentos em complexos residenciais e esportivos na vinhança do Maracanã. A Olimpíada deixará um enorme legado para a população da cidade. Pelos cálculos dos organizadores, em uma conta bastante conservadora, o evento deve criar pelo menos 15 000 empregos fixos e outros 50 000 temporários. Boa parte deles nos setores de construção civil e serviços.

Nada se compara, em complexidade, a uma Olimpíada. Para começar, desembarcarão na cidade 1 milhão de turistas e 15 000 atletas. Eles precisarão se deslocar entre 34 instalações esportivas, antes de terminar o dia nos bares e restaurantes. Ficarão hospedados em um dos 48 000 quartos de hotel que serão necessários. Quase metade deles ainda não existe. Emissoras de TV vão transmitir as competições para 4,4 bilhões de pessoas. Para qualquer lado que se olhe, o que se vê na vitória conquistada agora é um desafio de proporções épicas para o Rio.

Em VEJA desta semana, Especial Rio 2016 (na íntegra somente para assinantes).
 

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