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Delcídio diz que Aécio recebeu propina em Furnas

Senador também afirmou em sua delação premiada que o senador tucano atuou para encobrir dados fornecidos pelo Banco Rural à CPI dos Correios

Por: Laryssa Borges e Felipe Frazão, de Brasília - Atualizado em

Presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG)
Presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG)(Washington Alves/Reuters)

Em seu acordo de delação premiada, o ex-líder do governo Delcídio do Amaral também apontou o atual presidente do PSDB, Aécio Neves, como destinatário de propina em um esquema de corrupção na hidrelétrica de Furnas. Delcídio não citou valores que teriam sido repassados ao senador tucano, mas disse que o então diretor de Engenharia de Furnas Dimas Toledo, que ocupava o cargo apoiado pelo PP e por Aécio, tinha um "vínculo muito forte" com o senador do PSDB.

Às autoridades responsáveis pela Operação Lava Jato, Delcídio revelou que "Dimas operacionalizava pagamentos e um dos beneficiários dos valores ilícitos sem dúvida foi Aécio Neves, assim como também o PP, através de José Janene". "O próprio PT recebeu valores, mas não sabe ao certo quem os recebia e de que forma", disse o delator.

Em uma viagem em maio de 2005, o senador Delcídio, que hoje anunciou sua desfiliação do PT, relatou que o então presidente Lula quis saber quem era Toledo e então disse: "Eu assumi e o Janene veio pedir pelo Dimas. Depois veio o Aécio e pediu por ele. Agora o PT, que era contra, está a favor". Na sequência, Lula concluiu: "Pelo jeito ele está roubando muito". José Dirceu teria sido o petista a interceder pela permanência de Toledo. Além de Janene e Aécio, Eduardo Cunha é incluído por Delcídio entre os políticos que tinham ascendência sobre a estatal.

Segundo Delcídio, a conclusão de que Dimas Toledo estaria "roubando muito" é porque "seria necessário muito dinheiro para manter três grandes frentes de pagamentos e três partidos importantes". A influência do dirigente era tamanha que, também conforme depoimento de Delcídio, José Dirceu afirmou que mesmo se Toledo fosse nomeado "ascensorista de Furnas, mandaria no presidente de Furnas". "Não há dúvidas que Furnas foi usada sistematicamente para repassar valores para partidos", resumiu o delator, que comparou o esquema ao petrolão: "o que se vê hoje na Petrobras ocorreu sem dúvidas em Furnas".

Embora desconheça os operadores do suposto esquema de corrupção em Furnas, Delcídio enumera as empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Correa e OAS, protagonistas do petrolão, como pagadoras de propina em Furnas. De acordo com o senador, o esquema funcionava de maneira "azeitada" e era difícil perceber os repasses ilegais porque Dimas "era muito competente".

CPI dos Correios - Delcídio também citou Aécio Neves em outro episódio, a CPMI dos Correios. Ele afirmou que o Banco Rural, envolvido no escândalo do mensalão, maquiou relatórios fiscais para não incriminar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e Clésio Andrade, ex-senador pelo PMDB mineiro e réu no escândalo do valerioduto tucano.

Delcídio era presidente da CPMI. Ele contou que pediu a quebra de sigilo bancário do Rural, mas que a instituição solicitou um prazo maior para atender ao requerimento. O senador disse que autorizou adiar a entrega dos dados sigilosos, mas que na verdade o banco tentava excluir dados para encobrir irregularidades relacionadas ao governo de Minas Gerais.

Segundo o acordo de delação premiada, "Delcídio esclarece, que, na verdade, a solicitação de dilação de prazo feita pelo Banco Rural se deu com o escopo de 'ganhar tempo' para 'maquiar' os demonstrativos internos do Banco Rural para, assim, evitar que o 'mensalão', que é mineiro de nascença, atingisse o governo de Minas Gerais (Aécio Neves e Clésio Andrade)".

Ele se dispôs a apontar aos investigadores da Operação Lava Jato "os nomes dos diretores do Banco Rural que fizeram tai ilicitude" por meio do levantamento de ofícios enviados e recebidos pela CPMI dos Correios.

Outro lado - Por meio de sua assessoria de imprensa, o senador Aécio Neves respondeu à delação de Delcídio do Amaral. O tucano afirma que "são citações mentirosas que não se sustentam na realidade e se referem apenas a 'ouvir dizer' de terceiros".

Sobre a suposta participação de Aécio em um esquema de corrupção em Furnas, o senador se defende dizendo que "é curioso observar a contradição na fala do delator já que ao mesmo tempo em que ele diz que a lista de Furnas é falsa, ele afirma que houve recursos destinados a políticos".

A respeito da menção do presidente do PSDB no caso da CPI dos Correios, Aécio afirma que "jamais tratou com o delator Delcídio de nenhum assunto referente à CPMI dos Correios. Também jamais pediu a ninguém que o fizesse".

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