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Exclusivo VEJA.com | Finanças pessoais

Cuidado: como evitar que o financiamento vire inadimplência

27/07/2009 07:53

Por André Pontes

A empresa de proteção ao crédito Serasa Experian revelou na semana passada que a inadimplência dos consumidores brasileiros avançou 10,4% no primeiro semestre de 2009. Com ela, subiu o estado de alerta dos economistas acerca dos riscos da contratação de novos financiamentos - que são obtidos cada vez com mais facilidade: em maio, o prazo médio para o pagamento dessas operações atingiu 495 dias, recorde desde o lançamento do Plano Real, em 1994.

Para José Eduardo Balian, economista da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), os dados sobre inadimplência já são preocupantes, representando uma espécie de sinal vermelho na hora do consumidor pensar em novos financiamentos. "Iniciar o segundo semestre com dívidas não é bom. Isso porque é preciso levar em conta que, nos últimos meses do ano, as pessoas normalmente se entusiasmam com as Festas e acabam realizando mais compras", diz Balian. "Isso pode se tornar uma bola de neve e levar o consumidor a cair no cheque especial ou a honrar apenas o pagamento mínimo do cartão de crédito: ambas as situações são perigosíssimas."

Além dos riscos pessoais, o aumento da inadimplência poderia trazer prejuízos para a economia brasileira, avalia o economista. "As empresas começam a diminuir as compras, as lojas e bancos ficam mais criteriosos na hora de conceder o crédito e tudo isso tem efeito negativo sobre o crescimento do país", afirma.

Dicas - Para entrar em um financiamento seguro, o consumidor deve analisar amplamente sua situação financeira. Computar renda familiar e subtrair despesas básicas e fixas dos meses seguintes, como escola, transporte, mercado, água e luz. O passo seguinte é pesquisar a melhor taxa de financiamento - que varia de instituição a instituição.

Ricardo Rocha, professor de finanças pessoais da Insper (ex-Ibmec-SP), compara a procura pela taxa de financiamento mais baixa à compra de um eletrodoméstico. "Se, antes de comprar uma TV, as pessoas vão a três lojas para comprar a mais barata, o mesmo tem que ser feito na hora de contratar um crédito", explica. "Se o financiamento de um banco ou loja me der um desconto de 10 reais, já está ótimo. Em um ano são 120 reais, sem contar os juros", complementa.

O economista condena endividamentos acima de 25% da renda líquida familiar. "O consumidor sempre se esquece de que durante o ano surgem emergências, como problemas de saúde ou carro quebrado", diz. "Aí, pronto: chega-se ao cheque especial."

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