23/07/2009 - 15:10
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Crise no Senado

Lula defende Sarney e diz que 'não se pode vender tudo como crime de morte'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou nesta quinta-feira a defender o presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP). Em relação às mais recentes denúncias envolvendo o parlamentar, Lula disse que "não se pode vender tudo como se fosse um crime de morte". Para o presidente, "uma coisa é matar, outra é roubar, outra é pedir emprego, outra coisa é relação de influência, outra é lobby".

Lula disse que é preciso "investigar" as denúncias antes de "julgar" Sarney. O presidente falou também sobre as declarações de quarta-feira, quando disse que o Ministério Público deveria considerar a biografia dos investigados. "Eu disse que o MP, como a instituição que é, tem que tomar cuidado para cumprir a lei ao pé da letra, porque se ele ceder à pressão do Executivo, à pressão da imprensa e à do Legislativo, muitas vezes as pessoas são condenadas antes de se provar que cometeram um crime."

Depois de um início de semana de relativo sossego após uma avalanche de críticas e acusações, o parlamentar voltou a ser denunciado por graves irregularidades na quarta-feira, com a divulgação de uma gravação telefônica que traz revelações estarrecedoras. Sarney é flagrado praticando nepotismo. A interceptação telefônica também mostra um claro vínculo entre o parlamentar e o ex-diretor Agaciel Maia, o chefão dos polêmicos atos secretos do Senado.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, diálogos gravados pela Polícia Federal (PF) com autorização judicial durante a Operação Boi Barrica mostram conversas entre o presidente do Senado, seu filho Fernando Sarney e Agaciel Maia. Nos diálogos é negociada uma vaga para o namorado da neta do peemedebista no Senado.

Nesta quinta, a avalanche de denúncias continuou. Foram divulgados novos áudios gravados pela PF em que o presidente do Senado telefona para avisar o filho Fernando sobre o andamento de um dos recursos apresentados pelos advogados da família ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assim, Fernando teria acesso aos autos da investigação. O parlamentar orienta o filho a procurar um "amigo", que poderia ajudar. Em várias conversas interceptadas pela PF com autorização judicial, os Sarney demonstram intimidade com integrantes do Poder Judiciário.

Outras gravações apontam Fernando como operador atuante nos negócios e também na política. Um dos alvos preferidos dele, revelam os diálogos, é o setor elétrico - nos telefonemas, interlocutores como o diretor da Eletrobrás, Astrogildo Quental, e o assessor do ministro Edison Lobão (Minas e Energia) Antonio Carlos Lima, o "Pipoca". Apontado pela PF como chefe de uma organização criminosa com tentáculos sobre órgãos do governo federal comandados por apadrinhados do pai, Fernando esbanja poder. Nas gravações, ele é personagem de muitas conversas cifradas, pontuadas por suspeitas.
 

(Com Agência Estado)

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