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Acidente

Crea aponta irregularidades no hotel onde criança morreu

Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio, o vão onde o menino de um ano caiu tinha 40 centímetros, quando deveria ter no máximo 20

Cecília Ritto
Vão da varanda do hotel por onde menino de um ano caiu e morreu

Vão da varanda do hotel por onde menino de um ano caiu e morreu (Divulgação/ Crea-RJ/VEJA)

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) vistoriou, nesta quarta-feira, o hotel Paradiso All Suítes, na Barra da Tijuca, onde um menino de 1 ano e 4 meses morreu ao cair da varanda do quarto andar no último dia 29, A inspeção concluiu que a divisória da grade da varanda tinha quase 40 centímetros - o dobro do máximo permitido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.

“Não poderia ultrapassar 20 centímetros em hipótese alguma. E, no entanto, tem quase 40. Esse erro se repete em todas as varandas do local”, disse o presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro. O Conselho enviou o relatório à Polícia Civil, que, nesta quarta, pediu ajuda dos engenheiros do Crea para fornecer elementos ao longo da investigação.

A responsabilidade final pela morte da criança será apontada pela polícia. O Conselho chamará o engenheiro ou a empresa de engenharia responsável para prestar esclarecimentos. “Na parte técnica, o projeto pode estar errado. Às vezes, o projeto é feito de forma correta, mas, como normalmente outra empresa é contratada para fazer a execução, pode ter havido erros em relação ao projeto original”, afirma Guerreiro.

Ainda segundo o presidente do Crea, a prefeitura também pode ter falhado, porque é ela quem libera a construção. “Com certeza, o Crea e a prefeitura do Rio farão contato com a Secretaria Municipal de Urbanismo. A prefeitura autoriza a construção, fiscaliza a obra e depois dá o Habite-se. Imagino que o executivo fez isso (no começo dos anos 2000, quando o hotel Paradiso foi erguido). É importante saber qual fiscal fez isso. Se for profissional da nossa área, ele será chamado para esclarecer.” Se algum engenheiro for responsabilizado, ele pode até ter o registro profissional cassado em última instância.

O caso - O acidente aconteceu na sexta-feira, logo após a família, que é de Brasília, chegar ao Rio de Janeiro para o réveillon. Érico Salazar Padilha Tavares chegou a ser levado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas já chegou morto. Os pais da criança foram ouvidos pela polícia. Segundo a instituição, eles haviam acabado de entrar no quarto, acompanhados de um funcionário que levava as malas. A mãe foi para a varanda com o filho, distraiu-se ao falar com o marido e o menino caiu através do vão entre os vidros.

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