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Após ascensão meteórica, futuro da Delta está ameaçado

CGU abre processo que pode culminar na declaração de inidoneidade da empreiteira - e tirá-la dos contratos públicos. E calvário está só começando

Por: Gabriel Castro - Atualizado em

O empresário Fernando Cavendish
O empresário Fernando Cavendish: ligações com a máfia ameaçam futuro da Delta(Julio Bittencourt/Folhapress/VEJA)

Um processo instaurado nesta terça-feira pela Controladoria-Geral da União pode impedir a construtora Delta de firmar novos contratos com a administração pública. Segundo a Polícia Federal, a empreiteira de Fernando Cavendish usou os tentáculos do contraventor Carlos Cachoeira - preso por comandar um esquema ilegal de jogos - para corromper autoridades nos governos de Tocantins, Distrito Federal e Goiás. A ação da empresa não parou por ai: o esquema atuou também no âmbito federal, usando o mesmo método de subornar políticos e servidores públicos para obter contratos. A PF sustenta que recursos públicos oriundos da parceria entre a Delta e Carlinhos Cachoeira alimentaram um duto que serviu para irrigar o bolso de políticos e autoridades que os ajudavam na conquista de contratos. Entre 2010 e 2011, empresas-fantasma criadas por Cachoeira receberam da Delta nada menos que 40 milhões de reais.

Rede de Escândalos: Até onde vão os tentáculos da máfia de Cachoeira

Conforme portaria publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União, uma comissão vai analisar os contratos firmados pela Delta com a União, sobretudo relativos ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Se considerarem graves as irregularidades, eles podem impedir a companhia de firmar novos contratos com o governo federal até que todas as ilegalidades sejam resolvidas. A decisão também ameaçaria as obras já em andamento, que correriam o risco de ser paralisadas.

A decisão da CGU, patrocinada pela Casa Civil da Presidência, mostra que o jogo virou para a Delta. Na gestão petista, o faturamento da companhia com o governo federal saltou 1.653%, como mostra a edição de VEJA desta semana. A empresa se tornou a principal construtora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Agora, a queda que se prenuncia pode ser ainda mais rápida do que o crescimento anormal. Ninguém está disposto a poupar a Delta na CPI do Cachoeira no Congresso. Nesta segunda-feira, até o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), reconheceu: é inevitável que a comissão investigue a construtora. "Tem que investigar. Ainda mais depois de tudo que saiu na imprensa", disse.

Graças aos próprios erros, a Delta foi parar no centro das denúncias que, a princípio, não atingiam a empreiteira. Quando deflagraram a operação Monte Carlo, em fevereiro, a Polícia Federal e o Ministério Público pretendiam desmontar uma quadrilha que explorava caça-níqueis e corrompia autoridades. Mas, aos poucos, e com o que revelaram os grampos telefônicos, ficou claro que a Delta funcionava como um braço da quadrilha, a quem auxiliava e de quem recebia apoio - muitas vezes, fora dos limites da lei.

O destino da empresa-prodígio agora é incerto e está diretamente vinculado à profundidade das investigações da CPI do Cachoeira. Mas, desde já, os efeitos são perceptíveis: culpados ou não, governos que mantêm contrato com a construtora tentam se desvincular da companhia para salvar a própria pele.

Na semana passada, o governo de Goiás anunciou a abertura de uma auditoria nos contratos firmados com a Delta. Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro e amigo pessoal do dono da empresa, Fernando Cavendish, fez o mesmo. Também pressionado pelas denúncias, o governo do Distrito Federal não ficou atrás: abriu processo administrativo que pode culminar no rompimento de qualquer parceria com a construtora. A empresa também deixou o consórcio que toca as obras do Maracanã.

Confissão - O calvário da Delta foi admitido pelo próprio dono da companhia, em entrevista à Folha de S. Paulo na última quinta-feira: "Vou quebrar", lamentou Cavendish, antes de dizer que foi pego como um bode expiatório. Mas não foi convincente ao tentar rebater as denúncias.

As suspeitas sobre a construtora não são novas. Há um ano, VEJA mostrou como a ascensão da empresa estava relacionada ao "consultor" José Dirceu, contratado pela Delta. Ainda em 2010, representantes da companhia foram presos pela Polícia Federal na operação Mão Dupla, que flagrou desvios e fraudes contratuais no Ceará. Nada disso havia sido suficiente para ameaçar o reinado da Delta. Mas o clima político instável e as investigações sobre a máfia de Carlinhos Cachoeira podem dar um golpe fatal na empresa.

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