Congresso
CPI completa um mês nesta sexta com poucos avanços
Investigação não foi além do que a PF havia descoberto. E os entraves polÃticos não permitem tornar trabalhos mais ágeis. É cedo, contudo, para falar em pizza
Vista geral da CPI do Cachoeira (Ana Volpe/Agência Senado)
A CPI do Cachoeira completa nesta sexta-feira um mês de funcionamento com avanços Ãnfimos em relação ao que já havia sido descoberto nas investigações da PolÃcia Federal. Em 25 de abril, a Comissão Parlamentar de Inquérito se reuniu pela primeira vez. Trinta dias depois, o colegiado já ouviu dois delegados e quatro envolvidos no esquema. Os dois primeiros confirmaram informações importantes dos autos, mas nada disseram além do que já se sabia. As outras testemunhas, inclusive o próprio Carlinhos Cachoeira, se recusaram a responder as perguntas dos parlamentares.
Nesse perÃodo, a comissão não chegou a avaliar os pedidos de convocação dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Nem passou perto de investigar as ligações da construtora Delta com o governo federal. É um mal sinal, sem dúvida. Mas ainda é cedo para dizer que a comissão terminará em pizza.
Parlamentares da base e da oposição demonstram otimismo quanto aos rumos da CPI e destacam os requerimentos de quebra de sigilo fiscal, telefônico e bancário de pessoas e empresas ligadas à quadrilha de Cachoeira: "Meu balanço é positivo. As outras CPIs deslancharam um mês e meio, dois meses depois. Já quebramos sigilos importantes", afirma o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). "A CPI até produziu bem em matéria de aprovação de requerimentos. O que está prejudicando é a demora para receber as informações", diz o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
Já na próxima terça-feira, a CPI terá uma oportunidade de mostrar serviço: os deputados e senadores devem apreciar os pedidos de convocação dos governadores e votar  a quebra de sigilo do comando nacional da Delta. Embora tenham o direito de permanecer calados, os governadores não têm como arcar com as consequências polÃticas de um silêncio diante de dezenas de parlamentares e incontáveis câmeras de TV.
Também na terça-feira, a comissão deve eleger seu vice-presidente. O escolhido poderá dividir o trabalho com o presidente, o senador Vital do Rêgo (PMDB). Mas ainda é pouco. Falta a divisão do trabalho em subcomissões, o que tornaria célere o trabalho dos parlamentares. A medida foi adotada em outras CPIs cujo foco de investigação era amplo. Mas os governistas têm medo que a descentralização do poder de investigação faça a CPI sair do controle.
Outro desafio é otimizar o cronograma de depoimentos. Dentre os mais de cinquenta convocados a falar, há figuras relevantes e outras nem tanto. Há uma maioria disposta a manter o silêncio e personagens que pretendem contar o que sabem. Cabe à CPI valorizar os personagens que podem colaborar e empurrar o restante para o fim da fila.
Informações -Somente após o primeiro mês de trabalho a CPI vai se debruçar sobre dados recolhidos da operação Saint-Michel, desdobramento da operação Monte Carlo e que levou à cadeia o diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. No Distrito Federal, o esquema de Cachoeira tentou comprar a licitação para a implantação de bilhetes de transporte público. Isso porque apenas agora o colegiado vai ter acesso à s informações da operação. A expectativa do relator, deputado Odair Cunha, é que os dados cheguem à sala-cofre da comissão nesta sexta. Na papelada ele acredita que ficarão ainda mais fortes os indÃcios da participação da matriz da Delta no esquema criminoso de Cachoeira, situação que levará à quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa na próxima terça-feira, na reunião administrativa do grupo de trabalho.