Brasil
Taxa Selic
Corte do juro traz pouco benefício ao consumidor
Por André Pontes
O corte de 1% na taxa Selic de juro - promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira - deve trazer benefícios imediatos limitados ao bolso do consumidor. De acordo com especialistas consultados por VEJA.com, o juro ainda é muito alto - 12,75% - e o alívio aos consumidores só deve vir após uma redução nos spreads (lucro dos bancos).
"A redução de 1% não é significativa. Ela se torna ainda mais insignificante se os spreads continuarem os mesmos. Só podemos dizer que isso vai ajudar o brasileiro quando os bancos resolverem baixar o lucro deles", explicou José Nicolau Pompeu, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC). "E não basta saber quando eles vão baixar: temos de saber também o quanto eles vão baixar".
Para o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, no entanto, o spread é o lucro bruto dos bancos e não pode ser considerado o responsável pela falta de crédito ao consumidor. "O spread bruto é o custo dos empréstimos bancários menos a taxa de captação dos bancos. O que importa para quem está tomando o crédito é a taxa de aplicação, disse Sardenberg. "O que os bancos podem fazer é reduzir as taxas ativas, e isso já foi feito."
O corte de 1% foi o maior promovido pelo Copom desde 2003, e é a primeira redução desde 2007. Logo após o anúncio, os bancos apresentaram diminuição em suas próprias taxas cobradas dos clientes. No Bradesco, por exemplo, o juro cobrado sobre o cheque especial para o varejo diminuiu de 8,64% para 8,56% ao mês e a cifra do crédito pessoal caiu de 5,99% para 5,91%. Itaú e Unibanco também cortaram suas taxas. Para conferir os dados, clique aqui.
"8%" - "O Banco Central está atrasado. Todo mundo já reduziu os juros, só o BC que não havia feito. E olha que só cortou 1% por causa da pressão dos sindicatos, porque tudo indicava que ele ia reduzir 0,50%", complementa Pompeu. "Para ser significativo, o juros teriam de cair para 8%".
A economista e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Cristina Helena Pinto de Melo concorda. Ela explica que, historicamente, os cortes da taxa básica de juros têm pouco impacto sobre o custo final do financiamento e sobre os empréstimos bancários. "As últimas quedas não tiveram nenhum impacto sobre a taxa final de empréstimos dos bancos", diz a economista. "A oferta de crédito é reduzida diante de uma demanda muito grande. Em função desse contexto, a taxa de juros acaba não caindo para o consumidor."
Na avaliação de Pompeu, o corte de juros anunciado nesta quarta-feira teve apenas um resultado: "Estampar as manchetes de jornal".








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