01/12/2010 - 14:38
  • compartilharCOMPARTILHAR
  • imprimirIMPRIMIR
 

Censo 2010

Periferias, fronteira agrícola e litoral crescem mais rápido

São as conclusões de um estudo do Ipea, com base em dados do Censo 2010

Adriana Caitano

A população brasileira está crescendo mais rapidamente nas periferias urbanas, nas cidades de médio porte, nas fronteiras agrícolas e ao longo de boa parte do litoral. Estas são as conclusões de um estudo divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados do Censo 2010 divulgados esta semana, que apontaram um crescimento demográfico de 12,3% entre 2000 e 2010.

A análise do Ipea indicou que as regiões metropolitanas cresceram mais que suas cidades-sede. Um dos exemplos mais claros dessa diferença entre o crescimento da capital e o da região metropolitana ocorreu em Salvador (BA). Enquanto a cidade teve aumento de 0,92% nos últimos 10 anos, seu entorno cresceu 2,98% - mais que o triplo. Nas outras regiões metropolitanas, a diferença é menor, mas a tendência é a mesma. Em São Paulo, a região metropolitana cresceu quase o dobro que a capital. A única exceção é o Rio de Janeiro.

Para o geógrafo urbano e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Aldo Paviani, essa chamada desmetropolização é reflexo do crescimento exagerado da própria capital. “As cidades principais começam a ficar saturadas, sem tantas oportunidades, e viver nelas passa a ser mais difícil”, comenta. Ele lembra que há um grande número de pessoas que trabalham na capital e moram nas regiões periféricas. Um dos motivos é o custo de vida, que costuma ser menor em locais mais distantes dos grandes centros urbanos. “Esses números demonstram que as políticas públicas devem ser mais voltadas para os anéis das metrópoles, onde as pessoas se sentem bem em criar os filhos e, por enquanto, não têm tantos problemas. Elas vão atrás da qualidade de vida que a metrópole não tem condição de oferecer”, conclui o professor.

Fronteira agrícola - Considerando a variação total dos últimos dez anos, o aumento da população nacional de 12,3% foi superado pelas regiões Norte (22,98%) e Centro-Oeste (20,74%). Os oito estados dessas áreas que fazem divisa com outros países compõem a fronteira agrícola brasileira. A professora da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em geografia da população Rosa Ester Rossini atribui o crescimento dessas regiões ao desenvolvimento agrícola de municípios do agronegócio. “Apesar de a população rural ter diminuído, estão surgindo verdadeiras cidades do agronegócio em torno do campo, que pulsam em função da venda de insumos e equipamentos para agilizar a produção agrícola”, comenta.

Cidades médias - Comparando o crescimento anual do país com a dos municípios, o Ipea constatou ainda que as cidades médias e os municípios litorâneos tiveram aumento populacional acima da taxa nacional. Enquanto a população brasileira crescia 1,17% por ano, cidades médias tiveram aumento de 1,50% e o litoral, de 1,36%. A exceção foi o litoral sul da Bahia, que teve sua população reduzida. “Esses locais têm sido transformados em pólos industriais por diversos motivos, como a exploração de petróleo ou a chegada de grandes empresas”, explica a professora Rosa.

  Tags

Comentários


comentar

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais(e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para aprovação de comentários no site de VEJA

Victor ferreira

o brasil e um pais muito rico para ter 14 milhoes de abnalfabetos.estou inconformada com esta situaçao

05.09.2011

libanio machado

se uma cidade como riozinho (distr)cacoal que não tem 5000 mil abitantes guia 4rodas censo 2000 mil falam que tem 50000 mil;esse censo é uma furada,como sempre deve ter o dedo dos politicos infelismente (la fora pais da poca vergonha)sentimos muito mas é a realidade.

07.12.2010

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados