05/02/2010 - 15:51
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Temporais

SP: chuvas surpreendem pela frequência

Luiz De França
Área da Grande São Paulo alagada após temporal no dia 1º de fevereiro

Área da Grande São Paulo alagada após temporal no dia 1º de fevereiro (Luciano Vicioni/AE)

Especialistas em clima divergem sobre a previsão do tempo para o próximo fim de semana, mas estão de acordo em um ponto: as chuvas que assolam a Grande São Paulo são atípicas. "Chuvas nessa época eram esperadas. O que nos surpreendeu foi a frequência dos temporais: em janeiro, só tivemos três dias sem qualquer tipo de precipitação", diz Samantha Martins, metereologista da Universidade de São Paulo.

A explicação para isso estaria na junção de dois fatores climáticos: o El Niño, aquecimento das águas do Oceano Pacífico com efeitos globais, e a Zona de Convergência do Atlântico Sul, formada pelas massas de ar frio e quente que se movimentam de acordo com a força dos ventos. "O El Niño favorece o deslocamento da umidade através dos ventos, aquece a água e modifica todos os fatores atmosféricos. Quando essa umidade se encontra com a faixa de nebulosidade fria e quente da Zona de Convergência estacionada na região, ocorrem as pancadas de chuvas", afirma Neide Oliveira, metereologista do Instituto Nacional de Metereologia (INMET).

Outro fator que contribui para as fortes pancadas de chuvas no fim da tarde são as ilhas de calor, fruto do adensamento populacional nos grandes centros urbanos e da consequente impermeabilização do solo por meio do asfaltamento das vias. "Conforme o sol aquece essa região, há uma grande evaporação de água, proveniente de todas a fonte, inclusive de poças. Até o momento em que o vapor d'água se adensa em tal volume que cai em forma de chuva", explica Neide. "Essas ilhas retêm o calor por mais tempo, funcionando como uma tampa de panela: elas intensificam o calor e consequentemente as chuvas."

Outras cidades do estado também têm sofrido com os temporais do último mês. Pelas medições do INMET, Franca bateu o recorde histórico de chuvas em 24 horas, com 109,2 milímetros, no dia 27; Curitiba registrou 58,3 milímetros no dia 29; Maceió, 85 milímetros no dia 20; Rio de Janeiro, 99 milímetros no dia 15. "É claro que isso sempre traz transtornos para as cidades. E isso se agrava dependendo da infraestrutura, dos níveis de ocupação do solo e dos microclimas. É o caso de São Paulo."

No caso da capital paulista, os meteorologistas divergem quanto ao volume de águas em janeiro. Para o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), que faz a medição na zona sul da cidade, foram 653,2 milímetros a cada metro quadrado da capital - quase três vezes superior à média para o mês e recorde desde 1933, quando o IAG iniciou seus estudos. Já para o INMET, que faz a medição na zona norte da capital, foram 480,5 milímetros - valor só superado pelo recorde de 1947: 481,4 milímetros.

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