Brasil
Sabatina
CCJ aprova manutenção de Gurgel como procurador-geral
PT ameaçou rejeitar indicação diante do parecer de Gurgel sobre mensalão, mas partido voltou atrás; nomeação terá de passar pelo plenário do Senado
Roberto Gurgel: "Poucos males serão tão terríveis para a República quanto a corrupção" (Elza Fiúza/ABr)
Por 21 votos a 1, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a recondução do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao cargo após sabatina nesta quarta-feira. A nomeação de Gurgel ainda depende de aprovação do plenário da Casa. O PT chegou a ameaçar votar contra a indicação, tendo em vista seu parecer sobre o mensalão – entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início de julho.
Gurgel não poupou a cúpula do PT e pediu à corte a condenação de 36 réus da ação penal 470 pelos crimes cometidos durante o mensalão de 2005 - o maior escândalo do governo Lula. O chefe do Ministério Público Federal (MPF) encaminhou seu parecer à Suprema Corte no mesmo dia em que o Diário Oficial da União (DOU) publicou sua indicação para a recondução ao cargo de procurador-geral, por determinação da presidente Dilma Rousseff.
Recado - Durante a sabatina, o procurador deu o recado aos petistas sobre o mensalão: disse que não deixará de investigar nenhum caso de corrupção. “Não há como conceber, sobretudo a atividade politica, sem a mais nítida observância dos princípios éticos. Poucos males serão tão terríveis para a República quanto a corrupção. Cabe ao Ministério Público trabalhar intensamente para apurar as irregularidades”, declarou.
Gurgel foi cobrado pelos senadores, por outro lado, por ter arquivado denúncia sobre evolução do patrimônio do ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. O senador Pedro Taques (PDT-MT), ex-procurador da República, foi um dos mais críticos: “O senhor deveria ter procurado mais do que procurou”.
O procurador-geral fez elogios ainda à Lei da Ficha Limpa, que prevê casos em que políticos se tornam inelegíveis. “A lei da Ficha limpa é um dos momentos de maior beleza nos últimos tempos na nossa democracia. Seja porque surgiu da iniciativa popular, seja porque mereceu no legislativo uma tramitação extremamente rápida. A PGR sustentou desde o primeiro momento a aplicação plena da chamada lei da ficha limpa”.






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