25/12/2009 - 18:32
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Brasil-EUA

Caso Sean: família quer ajuda do governo

Sean, na quinta: tumulto na despedida

Sean, na quinta: tumulto na despedida (Reuters)

A família brasileira de Sean Goldman, de 9 anos, afirmou nesta sexta-feira, por intermédio de seu advogado, que vai pedir ao governo brasileiro ajuda para garantir o direito de visitar o menino nos Estados Unidos. O garoto foi levado pelo pai, David Goldman, para território americano nesta quinta, após receber autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Vamos procurar o governo brasileiro. Se não formos atendidos, o que seria impensável, vamos contratar um advogado em Nova York", afirmou Sérgio Tostes. Ele disse ainda que houve irregularidades no processo que permitiu a saíde da Sean do país.

Também compareceram à entrevista coletiva, no Rio, os avós maternos de Sean, Silvana Bianchi e Raimundo Ribeiro, e o tio do menino, Luca Bianchi. Emocinada, Silvana frisou que, de fato, sua maior preocupação agora é a garantia de que poderá visitar o neto. "A hora que for liberado, pego o avião e vou em busca dele", disse. Em depoimento à rede de TV americana NBC, David Goldman afirmou que permitirá os encontros nos EUA. "Vai levar algum tempo, mas não vou negar a ela [Silvana] e a ele se encontrarem."

Silvana lembrou que já pedira uma intervenção do governo federal no caso. "Escrevi uma carta ao presidente Lula e até hoje não obtive resposta. Queria que ele me dissesse onde estão os direitos humanos no Brasil", disse.

Silvana Bianchi mostra bilhete atribuído a Sean com o texto: 'Quero ficar no Brasil'Ela também criticou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que proferiu a decisão que autorizou a saída de Sean do país. "Esta decisão do ministro é desumana. Foi uma covardia separar dois irmãos. Ele trocou o meu neto por um acordo comercial entre os dois países", disse, sugerindo que a volta do garoto aos EUA foi condicionada ao fim de sanções ao Brasil.

A avó de Sean acrescentou ainda que, desde a partida, nem o garoto nem o pai dele entraram em contato com o Brasil. "Não fizeram contato nenhum. Nós estamos aguardando que ele telefone, até mesmo pra dizer que chegou bem, que vai passar o Natal lá, que está bem." 

Circo - Pai e filho chegaram a Orlando, no estado americano da Flórida, na noite de quinta-feira - após deixarem o Rio. Ricardo Zamariola, um dos advogados do americano, disse que eles passariam o Natal nos parques locais da Disney.

Sean havia sido entregue ao pai horas antes, no consulado dos EUA no Rio em meio a grande tumulto. Abraçado ao padrasto, João Paulo Lins e Silva, o garoto chegou caminhando ao local, sendo cercado por fotógrafos e cinegrafistas.

O governo americano criticou a exposição do garoto pela família brasileira. "A avó, o advogado, a família, o padrasto e outros parentes de Sean tiveram total acesso ao consulado pela garagem, mas recusaram. O doutor Tostes, quando falamos que não precisava aquilo (sic), disse que eles eram livres para fazer o que quisessem", afirmou Orna Blum, porta-voz no consulado. O brasileiro negou o fato, nesta sexta: "As ruas de acesso ao consulado estavam fechadas e não fomos convidados a entrar pela garagem como informa a porta-voz. Isto é uma mentira deslavada", declarou Tostes.

O drama de Sean teve início em 2004. Nascido nos EUA, ele foi trazido para o Brasil naquele ano. Sua mãe, Bruna Bianchi, disse a David Goldman que passaria apenas as férias no país. Aqui, porém, anunciou a separação e a mudança de residência. Começava ali a batalha jurídica.

Em 2008, uma complicação: a morte de Bruna, ao dar à lua uma menina. Desde então, Sean vinha sendo criado pelos avós maternos e pelo padrasto.

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