05/05/2011 - 18:03
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Justiça

Homossexuais “casam” por escritura em São Paulo  

Contrato de convivência afetiva permite a parceiros do mesmo sexo definir herança e até pleitear benefícios, como os casais hetero

André vargas
Paulo Roberto Gaiger Ferreira

Paulo Roberto Gaiger Ferreira (Mário Rodrigues)

Há dez anos, antecipando-se ao debate dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a união civil entre homossexuais, um estabelecimento paulistano reconhece, na prática, esse direito. Não significa que 26º Tabelionato de Notas, instalado na Praça João Mendes, no centro de São Paulo, contrarie a lei. Ali, é possível assinar uma Escritura Pública de Convivência Afetiva. Trata-se de um contrato na qual parceiros gays estabelecem patrimônio comum, definem herança e até projetam a obtenção de benéficos previdenciários – como é rotina entre casais hetero.

"A diferença entre convivência afetiva e união estável, o documento usado por casais heterossexuais que não querem casar no cartório, é apenas semântica”, explica o tabelião Paulo Roberto Gaiger Teixeira, de 50 anos. Quase todo o dia um casal homossexual entra ali para assinar a papelada. Nos últimos dezesseis meses, de cada oito casais, cinco eram gays, com predominância de homens. Porém a tendência é que as mulheres igualem essa média em breve. O que fez o tabelionato receber esse público foi justamente a disposição do tabelião Ferreira. “Nem todos os colegas aceitam. Estudei o formato do documento e a propaganda foi sendo na base do boca a boca”, conta.

Alguns casais assinam a convivência afetiva com total discrição, outros trazem amigos e até fotógrafo. Para os mais festivos, são oferecidos um espumante e um docinho – bemcasado, óbvio. “Temos que respeitar o cliente. A maioria já saiu do armário. Outros, jamais sairão. Porém todos precisam de segurança jurídica”, lembra. Nos casos em que as famílias não aceitam a parceria, a existência da escritura é um alívio.

A reputação liberal do tabelionato aumentou ano passado, quando o estilista Alexandre Herchcovitch formalizou seu relacionamento com o também estilista Fábio Souza. Foi, em parte, um ato político a favor da união civil homossexual. De lá para cá, a procura só tem aumentado. É uma resposta direta ante a recusa de alguns tabelionatos em aceitar este tipo de acordo. Apesar de o Tribunal de Justiça de São Paulo determinar a todos que aceitem este tipo pedido, alguns profissionais mais conservadores se valem de um artigo de redação antiquada, que determina que o tabelião não deve atuar contra a moral e bons costumes.

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MARIA DE NAZARE

Sou Tabelia de Notas em Belem-PA e tenho feito muitas escrituras de convivencia afetiva entre homossexuais, nos moldes das realizadas em S.Paulo, as quais tem sido aceitas pelo nosso TJ como validas em todos os seus termos.

05.05.2011

 

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