Protesto

Manifestação interdita rodovias em cinco estados

Protesto de caminhoneiros autônomos, que está no sétimo dia, teve novas adesões. Rio de Janeiro registra o pior congestionamento

Tatiana Santiago
Manifestação de caminhoneiros interdita a pista sentido Rio de Janeiro da Via Dutra, na altura do km 276, em Barra Mansa (RJ), na manhã desta terça-feira

Manifestação de caminhoneiros interdita a pista sentido Rio de Janeiro da Via Dutra, na altura do km 276, em Barra Mansa (RJ), na manhã desta terça-feira ( Paulo Dimas/Futura Press/VEJA)

O protesto dos caminhoneiros autônomos contra as mudanças implementadas pelo governo federal para a regulamentação da profissão completou sete dias nesta terça-feira. Nesta manhã, estão bloqueadas pelo menos cinco rodovias de cinco estados brasileiros.

O Rio de Janeiro é o estado que registra o pior congestionamento. A via Dutra está totalmente bloqueada no sentido da capital fluminense, na altura do quilômetro 276, em Barra Mansa. O trânsito se estende até Resende, na altura do quilômetro 305. No sentido São Paulo, havia 11 quilômetros de tráfego lento do quilômetro 265 ao 276, com apenas uma faixa liberada para carros, ônibus e caminhões com produtos perecíveis. Ainda na via Dutra, no estado de São Paulo, os motoristas que bloqueavam o trecho de Lavrinhas, no Km 25, liberaram a pista e protestam no acostamento. Não há lentidão no local.

No Espírito Santo, o bloqueio ocorre na BR-262, principal rodovia que liga o estado a Minas Gerais. A manifestação, na altura do Km 9,5, no município de Viana, deixa apenas a faixa da direita liberada.

No Rio Grande do Sul, a BR- 101 tem um ponto de bloqueio no Km 22, em Três Cachoeiras, em ambos sentidos. Somente uma faixa está liberada para a passagem de carros e ônibus e há 8 quilômetros de lentidão em cada sentido.

O Paraná tem pelo menos 12 pontos de bloqueios em rodovias estaduais e federais. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-277, há interdições no Km 670, em Medianeira, e no Km 452, em Laranjeiras do Sul. Na BR-163, há quatro locais em que o tráfego de veículos de carga está restrito: nos quilômetros 7, em Barracão, 42, em Pranchita, 64,5, em Pérola do Oeste, e no 86,5, em Capanema. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), há mais seis pontos de manifestações em rodovias estaduais em Toledo, Umuarama, Terra Boa, Palmas, Realeza e Pitanga.

Os caminhoneiros também realizaram oito protestos com bloqueio de pista em trechos de rodovias federais de Santa Catarina. Dois dos bloqueios, no Km 505 da BR-282, em Xanxerê, e no Km 90 da BR-163, em Concórdia, foram liberados antes da meia-noite. Na madrugada desta terça-feira, segundo a PRF, ainda havia interdições em seis locais.

O tráfego está parcialmente bloqueado na BR-282 em três pontos: nos quilômetros 605, em Maravilha, 406, em Catanduvas, e 645, em São Miguel do Oeste. As outras três interdições ocorrem na BR-158, no Km 110, em Cunha Porã, na BR-163, no Km 121, em Dionísio Cerqueira, e na BR-480, no Km 123, em Chapecó. Segundo a PRF, o "trânsito está liberado apenas para veículos de passeio, ônibus, cargas perecíveis e ambulância".

Reivindicações - O protesto, que não recebeu o apoio do sindicato que representa a categoria, é contra, entre outros pontos, a mudanças implementadas na jornada de trabalho dos caminhoneiros autônomos. Segundo a lei federal 12.619, esses profissionais devem ter descanso de 11 horas entre os turnos trabalhados, uma hora de almoço por dia e descansar 30 minutos a cada 4 horas trabalhadas. O objetivo da lei é evitar acidentes e diminuir o número de mortes nas estradas. Apesar de a lei ter sido publicada em 30 de abril, a fiscalização pela PRF começou nesta segunda-feira.

Os caminhoneiros também protestam contra a retirada do cartão-frete (que formaliza a contratação dos autônomos e garante o pagamento), pois as transportadoras agora têm que fazer o pagamento à vista e, por esse motivo, as empresas passaram a evitar a contratação de autônomos. Segundo a Associação Brasileira dos Caminhoneiros, o país possui mais de 1 milhão de trabalhadores nessa categoria.

De acordo com o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), as medidas têm reduzido a oferta de frete para os profissionais e diminuído os rendimentos em razão das restrições de horário de trabalho. Os caminhoneiros também reclamam da falta de estrutura e segurança das rodovias para cumprir as paradas obrigatórias previstas na lei. A fiscalização do cumprimento da jornada será feita através do tacógrafo do veículo. O aparelho mede a velocidade do caminhão, o tempo de parada e a distância percorrida.

(Com Agência Estado)

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