tarja caso bruno

Crime

Bruno treina para voltar ao Flamengo, diz advogado

Rui Pimenta afirma que outros times têm interesse no passe de ex-goleiro - que continua preso, acusado de ser o mandante da morte de Eliza Samudio

Luciana Marques
O ex-goleiro Bruno: treino atrás das grades

O ex-goleiro Bruno: treino atrás das grades (AE/VEJA)

O ex-goleiro Bruno Fernandes Souza ainda tem esperanças de voltar ao futebol profissional. O novo advogado do jogador, Rui Pimenta, disse ao site de VEJA que, mesmo na cadeia, Bruno continua a treinar com o objetivo de voltar a jogar no Flamengo. Ele está preso desde julho de 2010 na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (MG), sob acusação de ser o mandante do assassinato de Eliza Samudio, sua ex-amante.

Em dezembro, mês em que começou a atuar no caso, Rui Pimenta entrou com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a liberdade de Bruno. A solicitação deve ser analisada após o recesso do Judiciário, em fevereiro."Se o Supremo atender meu pedido, ele volta para o Flamengo e vai jogar futebol", disse o advogado. "Ele está bem, treina todos os dias".

Otimista, o advogado afirma que o Flamengo não abriu mão do goleiro porque a torcida flamenguista é "louca" por ele. "Na hora que ele sair da prisão o Flamengo vai ter que acertar o negócio", diz. Segundo ele, times de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia demonstraram interesse em comprar o passe do goleiro.

O advogado do Flamengo, Rafael de Piro, informou que o contrato com o Bruno foi suspenso quando o caso veio à tona, em 2010, mas só expira em 31 de dezembro de 2012. Questionado se o Flamengo aceitaria o goleiro de volta, caso Bruno seja solto antes do fim do contrato, respondeu: "A decisão é da presidente Patrícia Amorim, mas, pelo que ela já comentou em relação ao caso, acredito que ele não volta." 

Processo – Rui Pimenta tenta na Justiça desmembrar o processo e levar o caso para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou para o Supremo. O processo tramita no Tribunal do Júri de Contagem. O advogado quer evitar que Bruno seja julgado ao mesmo tempo que os demais réus. O julgamento está previsto para março. Pimenta acredita que conseguirá adiar a decisão em pelo menos um ano.

O advogado disse acreditar na inocência do cliente e jogou a culpa pelo crime em cima de Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão. "Foi um crime por amor, por ciúme, porque ele tinha a Samúdio como concorrente”, afirmou. "Ele tomou essa decisão por conta própria, por um amor homossexual." Uma das "provas de amor", segundo o advogado, seria a tatuagem que Macarrão tem nas costas com os dizeres: "Bruno e Maka. A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro."

O defensor de Macarrão, Wasley César de Vasconcelos, disse ao site de VEJA que seu cliente se declara totalmente inocente. "O sentimento que ele tem pelo Bruno não tem nada a ver com homossexualismo, é apenas um sentimento de gratidão", disse.  Segundo Vasconcelos, Macarrão é casado e tem duas filhas. Ele está preso na mesma penitenciária que Bruno, em Contagem.

Pedido negado – Na semana passada, o vice-presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, avaliou que o pedido da defesa não evidencia situação de urgência que justifique sua atuação durante o recesso no Judiciário. O ministro disse que é preciso aguardar o recebimento das informações requeridas à Justiça de Minas Gerais. Assim, o pedido de liberdade de Bruno só deve ser julgado depois que o Tribunal do Júri de Contagem enviar cópia das decisões sobre a prisão preventiva do goleiro.

Bruno é acusado pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver de Eliza Samúdio. Ela desapareceu em junho de 2010 e, segundo as investigações, teria sido assassinada por causa da insatisfação do goleiro sobre o pagamento de pensão a Eliza, com quem teve um filho.
 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados