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Bruno põe à venda o sítio em que Eliza teria sido mantida refém

Goleiro anuncia propriedade, que vale 1,2 milhão de reais, por 800 mil reais. Mãe da jovem, que tem a guarda de Bruninho, avisa que pode anular o negócio na Justiça

Andrea Silva
Bruno

O goleiro Bruno, do Flamengo, denunciado como mandante do sequestro da ex-amante: amigos podem responder por uma série de crimes, entre eles formação de quadrilha. (AE)

Principal cenário do misterioso desaparecimento da jovem Eliza Samúdio, o sítio do goleiro Bruno Fernandes de Souza, 26 anos, localizado em um condomínio de luxo no município de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está à venda. A propriedade – com cinco mil metros quadrados de terreno e 400 metros de área construída, com campo de futebol, espaço para churrasco e piscina – é avaliada em 1,2 milhão de reais, e foi anunciada por 800 mil reais. Um empresário da capital mineira esteve nesta quarta-feira no local, conhecendo as dependências. Mas, segundo os advogados de Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, 23, legalmente casada com o atleta, o interessado ainda não bateu o martelo.

Bruno e Dayanne decidiram vender o sítio, onde Eliza teria sido mantida refém, para ajustar a vida financeira. Desde que o goleiro foi preso, em julho do ano passado, o Flamengo suspendeu o contrato dele, e consequentemente, o salário mensal de 250 mil reais. Entretanto, a venda pode nem acontecer. A advogada Maria Lúcia Borges pretende solicitar na Justiça o bloqueio do imóvel. Ela é defensora da mãe de Eliza, a sitiante Sônia de Fátima Moura, que ganhou a guarda provisória de Bruninho, filho da ex-amante do goleiro. Em 2009, Eliza entrou na Justiça para que Bruno reconhecesse a paternidade. Os dois vivem em Anhanduí, no Mato Grosso do Sul.

Marcelo Theobald / O Globo

Eliza Samudio, de 25 anos, está desaparecida desde o início de junho. Eliza era ex-amante do ex-goleiro do Flamengo Bruno e tentava provar judicialmente que o atleta era pai de seu filho, também batizado de Bruno, de cinco meses. A suspeita é de que Eliza, a mando de Bruno, tenha sido brutalmente assassinada por amigos do goleiro

Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno, está desaparecida desde junho de 2010

Segundo a advogada, a venda da propriedade pode ser anulada, pois como já está correndo o processo para que Bruno reconheça o menino, os bens deles não podem ser vendidos, sem a autorização da Justiça. "Esses bens são para garantir o sustento dos herdeiros. A juíza pode até autorizar, mas caso isso aconteça, a parte do Bruninho terá que ser reservada", explicou. Ela acompanha todos os acontecimentos em Minas, do Mato Grosso do Sul, com as informações do colega José Arteiro Cavalcante.

Segundo ela, a juíza da 1ª Vara de Família do Fórum de Jacarepaguá, responsável pelo processo que corre em segredo de Justiça, já teria, inclusive, determinado o bloqueio do apartamento do jogador, no Recreio dos Bandeirantes, também como garantia de sustento do filho ainda não reconhecido. Outro impasse que a advogada tenta resolver é a liberação do percentual do salário de Bruno que a juiza determinou para pagamento da pensão alimentícia de Bruninho, que ainda não recebeu nenhum centavo.

Acordo - O advogado de Dayanne, Francisco Simim,contou que há cerca de 30 dias Bruno e Dayanne entraram em acordo sobre a venda do sítio. “Ela precisa comprar um imóvel para ela e as filhas aqui em Belo Horizonte. Atualmente estão morando na casa da mãe, na Pampulha, juntamente com os irmãos”, diz Simim.

Ele disse que publicou o anúncio da venda do sítio nos jornais há cerca de 15 dias, com a informação de que o imóvel pertence ao goleiro Bruno. Mais de 200 ligações foram feitas, a grande maioria de curiosos.

Liberdade - Foi adiado para a próxima quarta-feira o julgamento do habeas corpus para o goleiro Bruno, acusado de sequestrar e assassinar a ex-amante Eliza. O desembargador Doorgal Andrada pediu vistas do processo e deverá anunciar sua decisão na próxima semana (13).

No início do julgamento o advogado do atleta, Cláudio Dalledone Júnior, fez a sustentação oral do pedido. Ele alegou que Bruno tem endereço fixo, emprego definido e é réu primário. Segundo Dalledone a prisão do jogador é um absurdo.

Bruno foi preso em julho do ano passado, por ordem da Justiça, acusado de envolvimento no sequestro e assassinato de Eliza. No fim do ano, a juíza Marixa Fabiane Lopes determinou que ele seja julgado por um júri popular. Além do goleiro, serão julgados pelo crime o amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; Sérgio Rosa Sales, que é primo de Bruno; e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ter executado a vítima. Outros quatro acusados, que estão em liberdade, vão responder processo por sequestro e cárcere privado. O jogador sempre negou o crime e disse várias vezes que pretende voltar a jogar futebol quando deixar a prisão.

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