08/10/2009 - 16:07
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Luiz De França

O número de crianças com menos de 1 ano de idade caiu 27,8% em dez anos, o de crianças e adolescentes com até 14 anos diminuiu 17,7% no mesmo período e os idosos com 60 anos ou mais já representam 11,1% da população brasileira. Esses são alguns dos dados da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que apontam para um "envelhecimento" do país. Ainda segundo a análise, a taxa de fecundidade passou de 2,43 para 1,89 filho em média por mulher, entre 1998 e 2008.

De acordo com Ana Lucia Sabóia, coordenadora do estudo, a redução da fecundidade e o aumento da população adulta e idosa estão diretamente associadas ao aumento de expectativa de vida do brasileiro, que apresentou  ganho de 3,3 anos. "A esperança de vida é um indicador-chave muito utilizado pela União Européia como parâmetro de qualidade de vida, porque combina fatores do que se pode chamar de desenvolvimento sócio-econômico", afirma Ana.

Urbanizado - Segundo o levantamento, o Rio de Janeiro é o estado com maior proporção de idosos, 14,9%, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 13,5 %. O país também está mais urbanizado e a proporção de domicílios aumentou de 81,2% para 84,8%. Em dez anos, a concentração de pessoas em áreas urbanas saiu de 79,6% para 83,8%. E mais uma vez o Rio lidera esse ranking, com 96,7% de sua população vivendo em cidades. O Piauí tem valor mais baixo: 62,8%.

Dos cerca de 48,9 milhões de domicílios nas áreas urbanas do Brasil, o estudo detectou que 31,5% (15,4 milhões) não tinham serviços de esgoto sanitário. Na região Norte, apenas 18,4% dos domicílios têm o serviço. A situação é ainda pior nos estados de Rondônia e Amapá, onde somente 5% disseram ter o serviço. Nesse quesito, a região Sudeste é a melhor servida, com 90,2% de acesso ao esgotamento.

Contrastes regionais - A média da esperança de vida do brasileiro saltou de 69,7 anos para 72,7 anos, entre 1998 e 2008. O Brasil é o 14º país da América Latina com melhor expectativa de vida. O primeiro é Costa Rica, com 78,8 anos, seguido por Cuba e Chile, com 78,6 anos e 78,5 anos. Mas isso não significa que os brasileiros nascidos em regiões diferentes dividam a mesma expectativa. Quem nasce no Distrito Federal tem a maior esperança de vida do país: 75,6 anos, um mês a mais que os nascidos em Santa Catarina, que com os outros dois estados do Sul fazem desta a região com a maior média do país; 75 anos. A menor média regional continua pertencendo ao Nordeste: 70,1 anos. Os nascidos em Alagoas têm a menor esperança de vida do país: 67,2 anos.

As diferenças regionais não param por aí. O acesso a serviços de saneamento (abastecimento de água, com canalização interna, ligação à rede geral de esgotamento sanitário e coleta de lixo diretamente no domicílio) nas áreas urbanas continua irregular. De modo geral, houve uma aumento simultâneo entre 1998 e 2008, de 56,6% para 61%, mas as regiões Sudeste e Sul continuam tendo os maiores índices; 82,6% e 58,9%, respectivamente. A região Norte é a mais prejudicada nesse quesito, com apenas 14,9%. A região Nordeste teve um salto de 23,9%, em 1998, para 37%, em 2008, pouco atrás do Centro-Oeste, com 38,9%.

Na educação, o Nordeste é a região com a maior proporção de crianças com 9 anos de idade que não sabem ler e escrever: 33,3%, contra 2,1% da região Sul, a menor taxa. Essa mesma distorção se repete entre a população de jovens de 18 anos a 24 anos de idade que freqüentam o ensino superior. O Nordeste fica com menor taxa do país: 8,2%. A região Sul tem a maior quantidade desse grupo em universidades: 19%, seguida pelo Sudeste, com 16,7%.
 

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