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Dilma ataca bancos, mas é a favorita do setor nas eleições

Presidente-candidata arrecada do setor quase a soma dos dois principais adversários na disputa, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB)

Por: Felipe Frazão - Atualizado em

Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves
Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves(Reuters/EFE//Estadão Conteúdo)

(Atualizado às 18h)

Na semana em que a pancadaria entre os candidatos à Presidência chegou ao auge até aqui, a presidente Dilma Rousseff (PT) e a ex-senadora Marina Silva (PSB) esquentaram a campanha com acusações sobre o papel dos bancos em suas candidaturas - Marina afirmou que a petista criou o 'bolsa-banqueiro' e a adversária retrucou, insinuando que a ex-senadora é 'sustentada' por banqueiros, além de atacar Maria Alice Setubal, a Neca, uma das coordenadoras de campanha de Marina, herdeira do Banco Itaú. Levantamento do site de VEJA com base nas prestações parciais de contas das companhas disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que Dilma foi quem mais se beneficiou do setor bancário até o momento. O montante recebido pela petista é praticamente a soma do que receberam Marina e Aécio Neves (PSDB).

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Dilma e PT
Doadores Valor R$
BTG Pactual 8.200.000
BRADESCO 5.925.000
SAFRA 1.650.000
FATOR F 50.000
TOTAL 15.825.000,00
Dilma e PT
Aécio e PSDB
Doadores Valor R$
BRADESCO 3.700.000
BTG Pactual 2.150.000
ITAÚ 2.000.000
SAFRA 1.150.000
BMG 700.000
BOA VISTA INTERATLÂNTICO 400.000
Total 10.100.000,00
Aécio e PSDB
Marina e PSB
Doadores Valor R$
ITAÚ 2.000.000
SAFRA 1.407.186,48
SANTANDER 1.100.000
BRADESCO 1.000.000
AGIPLAN 500.000
Total 6.007.186,48
Marina e PSB

Dilma e o PT receberam de bancos doações que ultrapassam 15,8 milhões de reais - mais do que o dobro da contribuição destinada ao PSB de Marina, que arrecadou 6 milhões de reais. À margem da celeuma entre as adversárias, Aécio Neves e o PSDB angariaram o segundo maior montante: 10,1 milhões de reais. As somas representam os valores declarados como receita por candidatos, direções nacionais dos partidos e respectivos comitês financeiros para presidente da República. Doações que transitaram de um desses caixas para outro foram eliminadas, de forma a evitar dupla contagem.

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Nas contas petistas, empresas do grupo BTG Pactual contribuíram com 8,2 milhões de reais. É mais da metade de tudo o que Dilma e o Direção Nacional do partido ganharam do setor bancário. Outros 5,9 milhões saíram dos cofres de subsidiárias do Bradesco - o equivalente a 37% do total. Empresas da família Safra doaram 1,65 milhão de reais, e a holding que controla o Banco Fator, 50.000 reais.

As empresas do Bradesco doaram a maior fatia do caixa de Aécio Neves e da Direção Nacional do PSDB: 3,7 milhões de reais. O BTG Pactual destinou 2,15 milhões de reais, e o Itaú, 2 milhões de reais. Empresas do grupo Safra transferiram 1,15 milhão de reais aos tucanos, enquanto os bancos BMG e Boa Vista Interatlântico depositaram, respectivamente, 700.000 e 400.000 reais ao terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto e a seu partido.

O banco Itaú foi até agora o maior doador da campanha do PSB, com 2 milhões de reais - o partido só prestou contas até aqui da verba arrecadada no período em que o cabeça de chapa era Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 13 de agosto. A quantia é a mesma doada a Aécio. As empresas da família Safra depositaram 1,4 milhão de reais nos cofres pessebistas. O banco espanhol Santander repassou 1,1 milhão de reais, quase a mesma quantia do Bradesco: 1 milhão de reais. A Agiplan Financeira foi responsável por meio milhão de reais.

Em todos os levantamentos, a reportagem considerou apenas as doações em nome das empresas e suas subsidiárias ou controladoras. Não estão na conta contribuições de pessoas físicas - como as recebidas pelo PSB: de Neca Setubal (200.000 reais) e João Moreira Salles (10.000 reais), ambos das famílias controladoras do Itaú Unibanco, tampouco de executivos que trabalharam ou ainda trabalham diretamente com o setor financeiro, como Ricardo Augusto Gallo (20.000 reais), ex-BankBoston.

Rusgas - Segundo o Radar-online, o Itaú distribuiu 2 milhões de reais para cada uma das três principais candidaturas à Presidência - Dilma, Aécio e Marina. Nas prestações de contas parciais disponíveis no TSE, as campanhas de Marina e Aécio já declararam ter recebido os valores - a de Dilma, não. O tesoureiro da campanha petista, Edinho Silva, confirmou que o banco prometeu a doação, mas segundo ele, o dinheiro ainda não foi entregue.

O PT adotou como estratégia de campanha fazer críticas diretas à relação de Marina com Neca Setúbal. O presidente executivo do banco, Roberto Setubal, já declarou publicamente que a eleição da ex-senadora seria uma "evolução natural". Herdeira do banco, Neca também virou alvo da militância petista e de dirigentes do partido. Ela é uma das coordenadoras da campanha e colaboradora de Marina para propostas sobre Educação.

Em reunião pública do PT na semana passada, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, atacou a influência de Neca no programa de governo de Marina: "Não dou cheque em branco para o Itaú". A campanha de Dilma passou a criticar o que classifica como riscos do projeto de Marina, que pretende dar mais autonomia ao Banco Central. O discurso de "terror" pregado pelo PT afirma que a proposta vai provocar "desemprego" e é "hostil à classe trabalhadora".

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Contra-ataque - Marina reagiu: na terça-feira, disse que o governo Dilma promoveu a "bolsa-banqueiro", por causa das altas taxas de juros da economia, que contribuem para elevar os lucros dos bancos. Dilma, então, voltou à carga e acusou indiretamente a adversária de ser "sustentada" por banqueiros. Na quarta-feira, Marina lembrou que Neca apoiou publicamente em 2012 a candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo - e não foi "satanizada" pelo PT na ocasião.

Além da proximidade de Marina com Neca, os rendimentos da ex-senadora com palestras a empresas e bancos foram parar na mira da campanha de Dilma. O comitê petista pediu ao Ministério Público uma investigação sobre a declaração de bens entregue pela ex-ministra à Justiça Eleitoral. Marina lucrou ao menos 1,6 milhão de reais com palestras. Todas as doações foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme previsto em lei. A real dimensão de quanto as instituições financeiras destinam para bancar campanhas eleitorais só poderá ser verificada no fim de novembro, quando termina o prazo para que partidos e candidatos prestem contas completas sobre os gastos nas eleições deste ano.

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