08/03/2006 - 20:16
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Brasil

Com voto secreto, Câmara dos Deputados livra deputado Roberto Brant da cassação

Silvio Nascimento

O deputado Roberto Brant (PFL-MG) foi absolvido nesta quarta-feira pela Câmara dos Deputados no processo de cassação. Em votação secreta, Brant conseguiu 283 contrários ao relatório e apenas 156 a favor, com registro ainda para 18 abstenções e um voto em branco. Brant foi citado no relatório conjunto das CPIs dos Correios e do Mensalão como beneficiário das contas do empresário Marcos Valério. Para ocorrer a cassação, o parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra Brant precisaria no mínimo 257 votos.

Ele recebeu, na campanha de 2004, pouco mais de 102.000 reais das contas da SMPB, empresa de Marcos Valério, sacados pelo então coordenador político da campanha do deputado à prefeitura de Belo Horizonte, Nestor Francisco de Oliveira.

Segundo Brant, os recursos seriam originários do caixa da Usiminas. Em sua defesa, o deputado afirmou que, por ser dinheiro privado, gasto na campanha de 2004, o caso se diferenciava das acusações que pesam contra os parlamentares da base governista, que teriam usado recursos públicos.

Brant estava convicto de sua absolvição no plenário da Casa. "Sempre acreditei muito no senso de justiça do plenário." E também na proteção do voto secreto. "Os parlamentares votam com liberdade. Com a liberdade garantida pelo voto secreto. Esta é uma das vantagens da votação secreta. Acaba com as pressões partidárias."

Antes da votação à tarde, Brant reafirmou a intenção de deixar a vida pública. "Uma condenação vale para sempre, uma absolvição não, terei que ser absolvido hoje e pelo resto de minha vida. Este episódio maculou de forma definitiva e irrevogável a minha vida pública. Sou um otimista, mas qualquer que seja o resultado das eleições de outubro não serei mais parlamentar."

Luizinho - A Câmara iniciou logo depois das 20 horas sessão destinada a votar o processo de cassação do deputado Professor Luizinho (PT-SP). Como o relator do processo no Conselho de Ética, Pedro Canedo (PP-GO), era suplente e o titular assumiu o mandato, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), designou o deputado Orlando Fantazzini (Psol-SP), para a leitura do parecer do Conselho, que recomendou a cassação.

Ele é acusado de ter recebido, ilegalmente, 20.000 reais do empresário mineiro Marcos Valério, apontado como operador de um suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares.

Um assessor do deputado é acusado de ter sacado dinheiro das contas de Marcos Valério. No Conselho de Ética, Luizinho se defendeu dizendo que o dinheiro foi utilizado para pagar a campanha de um candidato a vereador na Grande São Paulo. O deputado disse que não sabia a origem do dinheiro, que teria sido sacado por orientação do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

Professor de matemática no ensino público, Luizinho foi diretor da Associação de Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e da CUT. Um dos fundadores do PT, foi vereador em Santo André e depois deputado estadual. Em seu mandato na Câmara, em Brasília, foi líder do PT na oposição, em 1992 e 1993, e depois líder do governo federal na Câmara, durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

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